A celebração da cultura popular brasileira, da ancestralidade e dos territórios tradicionais marcou a 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, realizada em Aracruz, no Espírito Santo. O encontro, promovido pelo Ministério da Cultura, reuniu representantes culturais de diferentes estados do país e foi palco da assinatura de medidas voltadas ao fortalecimento da cultura viva.
Entre os anúncios feitos durante o evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a ministra da Cultura, Margareth Menezes assinaram a regulamentação da Rede Nacional de Mestres e Mestras das Culturas Populares, além do decreto de fortalecimento das culturas tradicionais e da reestruturação do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC).
A iniciativa busca reconhecer e fortalecer manifestações populares presentes em diferentes regiões do país, como festas juninas, congadas, maracatu, bumba meu boi e o Festival de Parintins, entre outros festejos.
Durante o evento, Margareth Menezes destacou o papel da cultura como ferramenta de transformação social. “Investir em cultura é investir em gente”, afirmou a ministra.
A edição deste ano da Teia teve como tema central a justiça climática. Segundo a organização, o debate propõe refletir sobre os impactos das mudanças climáticas sobre povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e populações periféricas, grupos que historicamente preservam os territórios e os modos de vida sustentáveis.
Ao comentar a escolha de Aracruz como sede do encontro, Margareth destacou a importância simbólica do território. “São os povos indígenas que mantêm a floresta em pé e combatem diariamente os desastres climáticos”, disse.
Entre apresentações culturais, cortejos e rodas de conversa, o sentimento predominante entre os participantes era de reconhecimento e conquista.
Representante do pontão de cultura do Espírito Santo e membros da comunidade quilombola de São Cristóvão, em São Mateus, no Norte do Espírito Santo, Josileia afirmou que a regulamentação representa um marco para mestres e mestras da cultura popular.
“Durante muito tempo eles reivindicaram esse direito, e agora essa lei vem incentivar, movimentar e articular”, afirmou.
Segundo ela, os mestres são responsáveis por manter vivos os saberes tradicionais nos territórios. “Eles estão passando para nós o legado que temos. São patrimônio humano da cultura viva no Brasil”, disse.
O mesmo sentimento foi compartilhado por Marcos Vinícius, do Quilombo Salinas, no Piauí, que definiu o momento como histórico para os trabalhadores da cultura popular brasileira.
“Nós, fazedores e fazedoras de cultura, fazemos parte dessa conquista”, afirmou.
Durante a participação no encontro, Marcos também destacou a importância da ancestralidade quilombola e homenageou o pensador e líder quilombola Nego Bispo, referência da cultura popular piauiense.
“Nego Bispo ancestralizou-se, mas continua no meio de nós”, disse. Para ele, a cultura brasileira nasce diretamente dos povos tradicionais. “Nós somos começo, meio e começo da cultura brasileira.”
Cultura Viva faz parte da rede de memórias
A 6ª Teia Nacional também reforçou o papel dos Pontos e Pontões de Cultura como redes comunitárias de fortalecimento dos territórios, da memória e das identidades culturais brasileiras.
De acordo dados do Ministério da Cultura, o Brasil possui atualmente cerca de 16 mil pontos de cultura cadastrados em todo o país.