O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o estilo de gestão de Donald Trump nesta quinta-feira (21), em agenda no Espírito Santo, ao dizer que o presidente dos Estados Unidos “acha que pode governar o mundo pelo Twitter”. O líder petista também acrescentou que o Brasil precisa defender sua soberania diante de disputas internacionais e da guerra de narrativas nas redes sociais.
As declarações foram dadas em discurso em Aracruz, no Litoral Norte do Espírito Santo, durante cerimônia da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, no Sesc de Praia Formosa, quando foram entregues equipamentos culturais e de saúde. Esta é a 15ª visita de Lula ao Espírito Santo.
Ao comentar o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil, Lula afirmou que preferiu não se precipitar nem ceder a pressões políticas diante das taxas de importação que chegaram a até 50% para alguns produtos brasileiros. A medida causou forte impacto econômico no país, tendo o Espírito Santo como um dos estados mais afetados. “Resolvi dizer para o Trump: ‘cara, não quero guerra com você. A guerra que quero com você é de narrativas. Quero provar que você está errado e o Brasil está certo. Eu quero provar com números’”, declarou.
"Quando ele disse que [a balança comercial] era deficitária com o Brasil, eu fui provar que nos últimos 15 anos eles tiveram superávit conosco de 415 bilhões de dólares. Nós aqui deveríamos estar nervosos, não ele", disse o presidente.
Em outro momento do discurso, Lula afirmou que o país precisa fortalecer sua capacidade de defesa e citou declarações recentes de Trump sobre territórios estrangeiros.
“Depois que ele disse que a Groenlândia é dele, que o Canadá é dele, que o Canal do Panamá é dele, quem é que diz que ele não vai dizer que a Amazônia é dele?”, questionou.
Lula disse ainda que o Brasil está “desguarnecido” e precisa discutir qual projeto de país deseja construir daqui para frente. “Nós vamos ter que assumir a responsabilidade de cuidar desse país. Porque, se a gente não cuidar, daqui a pouco vem um maluco e quer tomar o país”, afirmou.
Inteligência artificial nas eleições
O presidente também falou sobre os impactos da internet e da inteligência artificial no ambiente político e eleitoral. Segundo ele, a população precisa aprender a diferenciar informações verdadeiras de conteúdos falsos. "É preciso ser mais seletivo e saber distinguir o que é verdade do que é mentira", disse.
“Tem gente que acha que sou contra a internet. Não sou bobo de ser contra a internet. A internet veio para revolucionar. O que sou contra é que o ser humano está perdendo o controle do algoritmo e está virando algoritmo”, disse.
Lula alertou para o uso da inteligência artificial em campanhas eleitorais e afirmou que a tecnologia não pode ser utilizada para disseminar mentiras. “Na disputa eleitoral vai ter inteligência artificial. Mas a inteligência artificial não pode servir para a mentira. Não se pode votar em coisa abstrata”, declarou.
Durante a fala, o presidente também defendeu investimentos em cultura e educação como ferramentas de combate à violência e ao machismo. "A questão da cultura é coisa prioritária”, afirmou, ao relacionar educação e formação social à redução da violência contra a mulher.