Em visita ao Espírito Santo nesta quinta-feira (21), a socióloga e primeira-dama Janja Lula defendeu ações na cultura para o enfrentamento à violência contra a mulher. Ela fez um rápido discurso, durante a 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, no Sesc de Praia Formosa, em Aracruz, no Norte capixaba, ressaltando que medidas nessa área podem tanto ser referência de acolhimento para vítimas, quanto porta de saída dos discursos de ódio propagadas principalmente pela internet.
Janja, que lidera movimentos pelo Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, foi chamada pela ministra da Cultura, Margareth Menezes, para um aparte no discurso da artista durante o evento, que conta também com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A primeira-dama destacou a relevância das iniciativas na área e aproveitou a oportunidade para, mais uma vez, falar da realidade de milhares de mulheres que vivenciam cotidianamente a violência.
"Nós, mulheres que estamos nos pontos de cultura, vivemos a dura realidade da violência no território, nas comunidades. Esses espaços são para falar de música, literatura, arte, ter aulas, mas também precisamos transformar corações e mentes dos nossos companheiros, filhos e pais e dizer que nossa vida importa, nossa vida vale muito."
A primeira-dama observa que é preciso transformar a cultura machista da sociedade e, em sua avaliação, a própria cultura possa ser um braço na transformação dessa realidade.
"O que vocês fazem nos pontos de cultura é um braço importante para darmos esse passo decisivo para transformar essa triste realidade, mostrar aos nossos filhos que aquilos que eles veem na internet não pode acontecer. Não deixe eles [filhos] tomarem a pílula vermelha. Porque a realidade que os red pills falam na internet não é a que acreditamos. Não é o Brasil que nós queremos", convocou Janja, fazendo referência aos discursos misóginos.
Para ela, é necessário resgatar uma parte da juventude que está contaminada por esse discurso de ódio. "A cultura pode ser uma porta de saída desse ódio. Não acredito em um país onde um grupo de meninos, de 12, 13 anos, cometem um estupro coletivo e colocam a mulher num lugar de submissão. A cultura também é uma porta de entrada importante para mulheres vítimas de violência", avalia.
Por fim, Janja Lula pediu que todos estejam atentos, nos pontos de cultura ou em outros espaços, para sinais que as meninas e adolescentes possam demonstrar quando estão sendo vítimas de violência.
Nesta quarta-feira (20), o Pacto contra o Feminicídio, firmado entre os Três Poderes, completou 100 dias.
Lula, em seu discurso, também falou sobre a mudança de cultura para o enfrentamento ao feminicídio, que deve educar os meninos, desde a infância, para o respeito e o fim da violência contra as mulheres.