Depois de a primeira-dama Janja Lula da Silva convocar o público para atuar no enfrentamento à violência de gênero, nesta quinta-feira (21), durante evento em Aracruz, no Norte do Espírito Santo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou, em seu discurso, o combate às agressões contra mulheres por meio da educação de meninos e homens. "É anormal a violência contra a mulher", bradou.
Em um discurso de quase 1 hora, Lula abordou diversos assuntos, desde investimentos em cultura, que era o tema do evento, até a recém-descoberta relação do senador Flávio Bolsonaro (PL) com o banqueiro Daniel Vorcaro, passando ainda por atos do presidente norte-americano, Donald Trump. Entre uma fala e outra, a violência contra a mulher sempre voltava à berlinda.
"O que está em jogo é a gente educar as crianças neste país. O que está em jogo é a gente ensinar o respeito às mulheres. Não vamos vencer a luta contra o feminicídio apenas fazendo leis, mas educando melhor os homens deste país, a partir do momento que a criança vai para a creche", pontuou o presidente.
Lula ressaltou que é necessário esse processo educacional para que, desde a infância, os meninos aprendam que todos são iguais — homens e mulheres — e que um garoto de 3 anos não é melhor que uma garota da mesma idade.
"Precisam aprender que destratar uma menina ou uma mulher é crime. É esse país que temos que criar, se quisermos continuar sonhando com uma sociedade mais civilizada e solidária."
Na avaliação do presidente, a violência de gênero é um problema de toda a sociedade e, em todos os segmentos, deve haver um tomada de posição contra essa conduta.
"Se os dirigentes sindicais vão para a porta de fábrica pedir aumento de salário, a primeira coisa que têm que falar é: 'não bata em mulher'", citou Lula, seguindo o discurso mencionando padres, pastores, deputados, professores para que, cada um em sua área de atuação, adotem essa postura e falem "não bata em mulher."
Para Lula, é necessário criar essa consciência porque a violência contra a mulher é um ato anormal. "E isso só vai mudar quando a gente a transformar numa questão política."
O presidente lembrou que, nesta quarta-feira (20), foram completados 100 dias do lançamento do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, que reúne os Três Poderes — Supremo Tribunal Federal (STF), Congresso Nacional e Presidência da República.
"Em 100 dias, já fizemos mais leis, decretos e mais medidas preventivas do que em toda a história desse país. Criamos todas as condições. Mas não basta fazer a lei. O Estado precisa estar atento", concluiu.