A obra de um condomínio residencial foi paralisada há cerca de um mês após moradores denunciarem desmatamento em área de preservação ambiental, em Manguinhos, na Serra. Imagens feitas com um drone mostram uma clareira aberta no meio da mata. (Veja acima)
Os registros foram feitos pelo aposentado Fabrício Carvalho, que se declara um amante da natureza. Ele contou para a repórter Viviane Lopes, da TV Gazeta, que acompanha a situação desde quando ficou sabendo.
"Fiz uma cronologia de agosto de 2025 até março deste ano, com tudo o que eles fizeram de destruição. Eles falavam que iriam desmatar uma área pequena, mas avançaram até próximo à lagoa. "Eu ficava triste demais com isso", disse o aposentado.
De acordo com a Associação de Moradores de Manguinhos, cerca de 12 mil metros quadrados de vegetação foram desmatados Já o Ministério Público apontou que o estrago é menor.
Os vizinhos da obra contaram que não escutam mais o barulho do maquinário há pelo menos um mês, após a Polícia Militar Ambiental paralisar a intervenção. Isso aconteceu após a corporação flagrar o desmatamento da vegetação nativa do espaço durante uma fiscalização feita no fim de março.
Uma outra foi feita pelo Idaf (Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo), a pedido do Ministério Público Estadual, e multou a empresa responsável pelo condomínio. Além disso, o espaço foi embargado.
A presidente da associação de moradores, Morena Joffily, disse que esse era o pedido da população há mais de um ano. "É uma tristeza muito grande. A gente vê esse clarão aberto e a incerteza de onde vamos parar. Não temos certeza de nada. "Esperamos que o poder público tome atitudes", disse a presidente.
Caso é acompanhado há um tempo
O caso vem sendo acompanhado pela equipe da TV Gazeta desde novembro do ano passado. À época, os moradores alegavam que a área era classificada como zona de proteção ambiental, pelo plano diretor do município, e queriam explicações das autoridades e dos responsáveis pelo empreendimento.
Em fevereiro deste ano, um homem foi detido pela Polícia Ambiental porque não tinha autorização para a retirada da vegetação do local. Mesmo assim, as obras apenas foram paralisadas quase um mês depois.
Mesmo com a interrupção das obras, os moradores temem a volta dos serviços, além do agravamento dos danos ambientais causados pela demora nas ações de recuperação. "A gente deseja muito que tenha esse embargo, que a gente continue tendo essa área de preservação e que ela seja recuperada", finalizou Morena.
O que dizem os órgãos responsáveis
A Polícia Militar Ambiental informou que a propriedade é particular, mas havia indícios de supressão de vegetação nativa e exótica, sem autorização do Idaf — sendo permitido somente com autorização emitida pelo órgão e com o licenciamento do município.
A corporação destacou que várias fiscalizações foram feitas e medidas cabíveis, como multa e embargo da área, foram efetivadas. Além disso, o fato foi comunicado diretamente ao Ministério Público para a adoção de medidas judiciais.
O Idaf (Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo) também se posicionou, dizendo que a pessoa autuada será a responsável pela recuperação do terreno.
Com a área embargada, o autuado, que não teve o nome informado, pode apresentar recurso, com a análise do desembargo sendo feita por especialistas do instituto, que analisam o tipo de vegetação, o impacto socioambiental, dentre outros fatores.
*Com informações da repórter Viviane Lopes, da TV Gazeta