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Colombiano acusado de exportar droga dentro de granito é interrogado no ES

Juan Pablo, preso na Espanha,  foi trazido para Vitória no final do ano passado.  Ele é suspeito de liderar um esquema criminoso que escondia cocaína dentro de blocos de granito exportados pelo Estado

Publicado em 10/06/2020 às 13h35
Atualizado em 10/06/2020 às 16h07
O traficante colombiano Juan Pablo Munhos Hernandes
O traficante colombiano Juan Pablo Munhos Hernandes é escoltado por policiais federais. Crédito: Ari Melo | TV Gazeta

O colombiano Juan Pablo Munhos Hernandes, apontado como o traficante colombiano que lidera uma quadrilha internacional, será interrogado nesta quarta-feira pela Justiça Federal. Ele é acusado de comandar uma quadrilha de tráfico internacional de cocaína dentro de blocos de granito e mármore que o Espírito Santo exporta para outros países.

Em decorrência da pandemia do novo coronavírus, a audiência será realizada por meio de videoconferência, às 13h. Juan está detido na Penitenciária de Segurança Máxima 2, em Viana.

Em dezembro de 2019,  ele foi extraditado para o Espírito Santo após ser preso na Espanha. Chegou à Vitória escoltado por policiais federais.

Seu advogado, Patrick de Oliveira Berriel, afirma que ele é inocente das acusações. “Nesta tarde, ele terá a oportunidade de fazer a sua autodefesa. E as provas produzidas dão conta de que ele, realmente, era uma marchand de arte e agenciador de artistas famosos, bem como trabalhou por diversos anos na Casa Branca, nos Estados Unidos. A defesa espera que no seu interrogatório ele possa, ainda mais, corroborar a sua inocência no caso de tráfico internacional de entorpecentes”, assinalou.

Na última quarta-feira (2), segundo Berriel, testemunhas de defesa confirmaram a narrativa de que ele é agente internacional de artistas e marchand de artes. Elas informaram que Juan Pablo esculpia granitos e vendia o material nos mercados europeu e americano. A argumentação é de que ele está sendo confundido com um grande narcotraficante.

Entre as testemunhas de defesa de Juan encontram-se integrantes da Casa Branca. Elas informaram, segundo Berriel, que Juan Pablo era contratado para realização de eventos durante gestão do presidente George W. Bush. Também foram ouvidos famosos atores de Hollywood - que apresentaram vínculos profissionais com o suspeito. “A Organização dos Estados Americanos também confirmou, igualmente, que financiava projetos artísticos dele, no período em que foi preso”, acrescentou.

Juan Pablo teria sido ludibriado por mexicanos, também alvos do mesmo processo. "Está sendo demonstrado que Juan Pablo não tem nenhuma conexão com o tráfico internacional de entorpecentes. Por meio de provas e testemunhas, estamos comprovando que ele realmente trabalha com artes plásticas e agenciamento de artistas. Ele jamais se foragiu e utilizou sempre um único passaporte, o que não é característico de pessoas envolvidas com tráfico internacional", explicou.

ENTENDA O CASO

A investigação durou quase três anos. A cocaína era escondida dentro dos blocos de pedra - nem os equipamentos de scanner e nem o faro dos cães conseguiam perceber que havia algo de errado. Em 2017, no entanto, a Polícia Federal começou a desvendar o caso ao apreender 123 quilos de cocaína dentro do granito. Foi preciso jogar uma esfera de metal para quebra a pedra e encontrar a droga.

A investigação da Polícia Federal começou seguindo quatro mexicanos, que entraram no Brasil em 2016 como turistas. Eles, porém, não vieram para o Estado a passeio e alugaram um galpão na Serra para rechear o granito com cocaína.

Luiz Gerardo Origel foi condenado e está preso no Espírito Santo. A Justiça Federal também decretou a prisão de Oscar Gerardo Gusman, Jorge Homar Franco e José Isabel e José Isabel Orozco, mas eles viajaram para o México antes da decretação e estão foragidos. A investigação revelou que os mexicanos não agiam sozinhos e trabalhavam para um traficante mais poderoso, e o apontado foi Juan, o colombiano preso na Espanha.

Ele se hospedava em um hotel de Vitória e pagou em dinheiro vivo o aluguel do galpão onde a droga era escondida nas rochas e a empresa contratada para levar as pedras para a Itália.

Essa empresa e o dono do galpão, segundo a polícia, não sabiam do tráfico. Segundo as investigações, Juan Pablo se apresentava como negociador de obras de arte e, nas redes sociais, demostrava ter uma vida de luxo.

O envolvimento dele no crime surpreendeu a polícia da Espanha, que mandou uma mensagem para a Polícia Federal do Brasil perguntando se era ele mesmo quem deveria ser preso, porque Juan frequentava a alta sociedade, era conhecido por gente famosa e circulava até em embaixadas.

Juan foi preso no dia 6 de março do ano passado, e a polícia anunciou a prisão dele com destaque na TV espanhola. A Polícia Federal conseguiu a extradição de Juan Pablo e ele vai ficar preso aqui no Brasil, onde será processado e julgado. Os policiais afirmam que ele tem ligação com os maiores cartéis do México e que a prisão dele desmonta um grande esquema de tráfico internacional. Juan Pablo foi extraditado para o Brasil porque foi aqui que ele cometeu o crime.

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