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Tiros, mortes e pessoas baleadas na Ilha do Príncipe, em Vitória

Testemunhas dizem ter ouvido mais de 20 tiros na localidade conhecida como "Beco da Dona Elza"

Publicado em 21/12/2019 às 19h45
Atualizado em 22/12/2019 às 12h41
Beco da Dona Elza . Crédito: Raquel Lopes
Beco da Dona Elza . Crédito: Raquel Lopes

Quatro pessoas foram atingidas por tiros na Ilha do Príncipe, em Vitória, neste sábado (21), por volta das 18h30. Elias Barbosa Neto, 27 anos, morreu no local. Breno Rosa Guimarães, de 21 anos, chegou a ser socorrido e levado para o Hospital São Lucas, mas não resistiu aos ferimentos de bala. Os nomes das outras duas vítimas não foram divulgados.

Testemunhas relataram que as vítimas estiveram em um bar, assistiram ao jogo do Flamengo contra o Liverpool e, ao final da partida, foram para um local conhecido com "Beco da Dona Elza". Naquele momento, duas pessoas chegaram a pé atirando. Segundo testemunhas,  os disparos teriam começado ao lado do posto da polícia, que fica no bairro, mas está inativo.

As pessoas disseram ainda que chegaram a ouvir mais de 20 tiros na localidade e acionaram a PM. A motivação do crime ainda é desconhecida pela polícia, que investiga o caso.

À esquerda, Breno Rosa Guimarães, 21 anos. À direita, Elias Barbosa Neto, 27 anos. Os dois morreram após serem atingidos por tiros na Ilha do Príncipe, em Vitória. Crédito: Redes Sociais
À esquerda, Breno Rosa Guimarães, 21 anos. À direita, Elias Barbosa Neto, 27 anos. Os dois morreram após serem atingidos por tiros na Ilha do Príncipe, em Vitória. Crédito: Redes Sociais

Na manhã deste domingo (22), a mãe de Breno, Michelle Viana Rosa Klein, de 36 anos, esteve no Departamento Médico Legal (DML) de Vitória para fazer a liberação do corpo do filho. Ela contou que ainda na noite de sexta-feira (20) o filho havia dito que sairia no sábado cedo para jogar bola com amigos, e assim fez. O jovem, contudo, não retornou para casa.

Ela acrescentou que o filho trabalhava como autônomo e, atualmente, morava em São Torquato, em Vila Velha, com ela, o padrasto, três irmãos, a esposa e os dois filhos de 1 e 3 anos. No entanto, ele frequentava a Ilha do Príncipe porque já chegou a morar lá e tinha amigos na região. Ela não sabe o que poderia ter ocasionado o assassinato do filho.

"Ele havia saído na sexta e, quando chegou em casa, me avisou que no sábado iria jogar bola. Ele acordou, foi até meu quarto, pediu a benção, como sempre fazia, e saiu. Quando ele já estava no carro, ele me encaminhou um áudio dizendo que já estava chegando no local para jogar futebol e ainda disse que me amava. Nos despedimos e depois disso ele não voltou mais... esperei, mas ele não voltou. Já mais tarde, meu celular tocou e me avisaram que ele havia sido baleado. Cheguei no hospital e só me informaram que tinham socorrido. Depois vieram me avisar que ele tinha ido a óbito", contou Michelle.

A outra vítima, Elias Barbosa Neto, morava na Ilha do Príncipe e trabalhava como embalador de supermercado. Ele deixou dois filhos de 8 e 5 anos . O irmão da vítima, que preferiu não se identificar, não sabe o que pode ter ocasionado o crime. "A família está abalada, ele era gente boa, humilde e brincalhão. Ele era o mais novo dos quatro irmãos", destacou.

Elias tinha passagem pelo sistema prisional e estava em liberdade desde outubro de 2015, quando deixou a Penitenciária Agrícola do Espírito Santo, em Viana, após receber o alvará de soltura. Segundo informações da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), Elias havia sido preso em outubro de 2012 pelo crime de tráfico de drogas.

Ainda de acordo com a Sejus, Breno não tinha passagem pelo sistema prisional. As outras duas vítimas baleadas foram encaminhadas para o Hospital São Lucas, no entanto, a reportagem não conseguiu informação sobre o estado de saúde delas.

POSTO POLICIAL DESATIVADO

Moradores da região reclamam que  o Destacamento da Polícia Militar, na Ilha do Príncipe, está desativado há seis anos. Por causa disso,  segundo eles, a criminalidade tem crescido na região. "Está tudo abandonado, ninguém vem aqui para trabalhar. Quando funcionava, a região era mais tranquila", pontuou um morador do bairro, que preferiu não se identificar. 

A Polícia Militar informou, por meio de nota, que o bairro Ilha do Príncipe e o  entorno da área da rodoviária são cobertos pelas viaturas da 2ª Companhia do 1º Batalhão da Polícia Militar, que realizam constantes operações em toda a região, como pontos base, cercos táticos, blitze e abordagens a coletivos, pedestres e veículos, além do patrulhamento preventivo. Acrescentou que haverá a inauguração do novo DPM da Vila Rubim nesta segunda-feira (23), que também servirá de referência para os moradores de Ilha do Príncipe.

No entanto, apesar das atividades desenvolvidas, a PM ressalta que criminosos motivados a cometer determinados tipos de crime aguardam por oportunidades e aproveitam-se justamente do momento em que o policiamento cobre outros pontos, devido às rondas. Por isso é necessário que, em casos de crimes em andamento, a população colabore e acionando imediatamente uma viatura, via Ciodes (190). Ainda, denúncias sobre indivíduos que possam estar agindo na região podem ser feitas por meio do telefone 181 ou pelo site www.disquedenuncia181.es.gov.br. O sigilo e o anonimato são garantidos.

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pm (polícia militar) Vitória (ES)

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