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Professor é preso suspeito de trocar notas por fotos íntimas de alunos na Grande Vitória

Professor é preso suspeito de trocar notas por fotos íntimas de alunos na Grande Vitória

Prisão ocorreu na última quinta-feira (8), mas a polícia apenas deu detalhe da investigação nesta segunda-feira (12); ao menos seis estudantes, todos meninos, foram vítimas

Mikaella Mozer

Repórter / [email protected]

Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 16:07

Professor de 45 anos foi preso após investigação da Polícia Civil apontar abuso sexual contra alunos
Professor de 45 anos foi preso após investigação da Polícia Civil apontar abuso sexual contra alunos Crédito: Divulgação | Polícia Civil

Um professor de 45 anos foi preso na Serra, na quinta-feira (8), suspeito de pedir fotos íntimas de alunos em troca de notas. A investigação da Polícia Civil apontou que as oito vítimas - entre 12 e 6 anos - eram abordadas nos corredores e intervalos das aulas de duas escolas públicas, uma em Vila Velha e outra no município serrano, onde o homem atuou em função temporária no ano de 2023. O nome dos bairros, da escola e dos alunos não estão sendo divulgados para preservar a identidade das vítimas, conforme previsto pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (Eca/Ecriad). As informações foram divulgadas pela corporação em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (12).

As investigações apontaram que a aproximação do professor seguia um padrão – apenas meninos com notas baixas. A intenção era persuadir os mais novos a enviar imagens dos órgãos genitais a ele. O caso foi descoberto em novembro de 2024 quando as famílias de seis vítimas, uma da Serra e quatro da cidade canela-verde, denunciaram a situação.

A delegada Thais Cruz, da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), contou que o professor mandava mensagens para os estudantes pedindo para assinarem as provas, pois o restante ele preencheria, garantindo assim a nota alta em troca das imagens.

Logo após receber as fotos, ele guardava as imagens em aparelhos eletrônicos (celular e tablet) divididos em pastas, com as iniciais das escolas e dos alunos. "Tinha fotos dele com os alunos na escola, com o uniforme, e foto dos órgãos genitais das vítimas também. No caso de Vila Velha, chegou uma robusta prova de materialidade de crimes sexuais. Nós poderemos citar exploração e assédio sexual’’, detalhou a delegada. 

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Professor é preso suspeito de trocar notas por fotos íntimas de alunos na Grande Vitória

Mãe de colega descobriu

A descoberta dos crimes aconteceu em novembro de 2024 quando um estudante da unidade escolar da Serra foi à casa de uma amiga. A intenção era realizar um trabalho escolar, mas a vítima contou sobre a situação vivida com o professor. A mãe da menina ouviu toda a conversa e pediu para ler o conteúdo no aplicativo de mensagens.

A delegada explicou que ao perceber a gravidade da situação, a mulher procurou a escola, que então marcou uma reunião com a mãe da vítima, que foi à DPCA.

“O adolescente falou que o professor pediu pra seguir ele no Instagram, ativou o modo de conversa temporário e começou a chamar o adolescente para sair, ir à praia, ao cinema, à casa dele, mas de forma insistente. Ele começou a perceber que tinha uma segura intenção do professor e falou que gostava de mulheres. Aí começou a mandar foto de mulheres nuas, de relação sexual entre homem e mulher, falando ‘se você quer mulher, eu arranjo’", falou Thais Cruz. 

A polícia contou ainda que o educador cantava em uma banda e usou o acesso às dançarinas do grupo como meio para atrair os meninos. Na época, a polícia apreendeu material eletrônico contendo cenas de sexo explícito envolvendo crianças e adolescentes. O homem foi preso, mas solto em audiência de custódia. O novo pedido de prisão saiu em 2025, quando novos casos apareceram.

Polícia Civil detalha caso de professor preso por suspeita de abuso sexual durante coletiva de imprensa
Polícia Civil detalha caso de professor preso por suspeita de abuso sexual durante coletiva de imprensa Crédito: Divulgação | Polícia Civil

Crimes em Vila Velha

Em fevereiro de 2025 um adolescente de 12 anos contou ter sido ameaçado pelo professor, quando ele ainda trabalhava na escola em Vila Velha. Ao ser pego mexendo em celular, o homem passou a obrigar o jovem a entrar em sites de pornografia, onde continham pedofilia e relação sexual entre menores de idade.

A vítima contou ainda ter sido seguida até o banheiro, onde sofreu abuso sexual. “Quando ele estava urinando, o professor pegou na coxa e na bunda dele, e falou que o adolescente não poderia falar nada, porque ele sabia a casa do adolescente, o endereço do adolescente. A mãe descobriu após mudança de comportamento do filho”, disse a delegada.

Como em 2024 já não estava mais no cargo, a polícia identificou que ele mudou a forma de agir. O contato passou a ser exclusivamente por rede social e não oferecendo mais notas e sim dinheiro e objetos de desejo. O adjunto da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), delegado Glalber Queiroz, frisou que a equipe encontrou transações via Pix feitas para as vítimas, com valores de entre R$ 50 e R$ 30. 

A polícia acredita que existam mais vítimas e pede que denunciem. "Pedimos a participação cidadã, fazendo a ligação para 181, principalmente nesses crimes que envolvem adolescentes, crianças, que, muitas vezes, não nesse caso especial, mas similar, muitas vezes, essas crianças e adolescentes não têm voz para denunciar", detalhou.

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