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Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 16:07
Um professor de 45 anos foi preso na Serra, na quinta-feira (8), suspeito de pedir fotos íntimas de alunos em troca de notas. A investigação da Polícia Civil apontou que as oito vítimas - entre 12 e 6 anos - eram abordadas nos corredores e intervalos das aulas de duas escolas públicas, uma em Vila Velha e outra no município serrano, onde o homem atuou em função temporária no ano de 2023. O nome dos bairros, da escola e dos alunos não estão sendo divulgados para preservar a identidade das vítimas, conforme previsto pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (Eca/Ecriad). As informações foram divulgadas pela corporação em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (12).>
As investigações apontaram que a aproximação do professor seguia um padrão – apenas meninos com notas baixas. A intenção era persuadir os mais novos a enviar imagens dos órgãos genitais a ele. O caso foi descoberto em novembro de 2024 quando as famílias de seis vítimas, uma da Serra e quatro da cidade canela-verde, denunciaram a situação.>
A delegada Thais Cruz, da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), contou que o professor mandava mensagens para os estudantes pedindo para assinarem as provas, pois o restante ele preencheria, garantindo assim a nota alta em troca das imagens. >
Logo após receber as fotos, ele guardava as imagens em aparelhos eletrônicos (celular e tablet) divididos em pastas, com as iniciais das escolas e dos alunos. "Tinha fotos dele com os alunos na escola, com o uniforme, e foto dos órgãos genitais das vítimas também. No caso de Vila Velha, chegou uma robusta prova de materialidade de crimes sexuais. Nós poderemos citar exploração e assédio sexual’’, detalhou a delegada. >
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A descoberta dos crimes aconteceu em novembro de 2024 quando um estudante da unidade escolar da Serra foi à casa de uma amiga. A intenção era realizar um trabalho escolar, mas a vítima contou sobre a situação vivida com o professor. A mãe da menina ouviu toda a conversa e pediu para ler o conteúdo no aplicativo de mensagens.>
A delegada explicou que ao perceber a gravidade da situação, a mulher procurou a escola, que então marcou uma reunião com a mãe da vítima, que foi à DPCA.>
“O adolescente falou que o professor pediu pra seguir ele no Instagram, ativou o modo de conversa temporário e começou a chamar o adolescente para sair, ir à praia, ao cinema, à casa dele, mas de forma insistente. Ele começou a perceber que tinha uma segura intenção do professor e falou que gostava de mulheres. Aí começou a mandar foto de mulheres nuas, de relação sexual entre homem e mulher, falando ‘se você quer mulher, eu arranjo’", falou Thais Cruz. >
A polícia contou ainda que o educador cantava em uma banda e usou o acesso às dançarinas do grupo como meio para atrair os meninos. Na época, a polícia apreendeu material eletrônico contendo cenas de sexo explícito envolvendo crianças e adolescentes. O homem foi preso, mas solto em audiência de custódia. O novo pedido de prisão saiu em 2025, quando novos casos apareceram.>
Em fevereiro de 2025 um adolescente de 12 anos contou ter sido ameaçado pelo professor, quando ele ainda trabalhava na escola em Vila Velha. Ao ser pego mexendo em celular, o homem passou a obrigar o jovem a entrar em sites de pornografia, onde continham pedofilia e relação sexual entre menores de idade. >
A vítima contou ainda ter sido seguida até o banheiro, onde sofreu abuso sexual. “Quando ele estava urinando, o professor pegou na coxa e na bunda dele, e falou que o adolescente não poderia falar nada, porque ele sabia a casa do adolescente, o endereço do adolescente. A mãe descobriu após mudança de comportamento do filho”, disse a delegada.>
Como em 2024 já não estava mais no cargo, a polícia identificou que ele mudou a forma de agir. O contato passou a ser exclusivamente por rede social e não oferecendo mais notas e sim dinheiro e objetos de desejo. O adjunto da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), delegado Glalber Queiroz, frisou que a equipe encontrou transações via Pix feitas para as vítimas, com valores de entre R$ 50 e R$ 30. >
A polícia acredita que existam mais vítimas e pede que denunciem. "Pedimos a participação cidadã, fazendo a ligação para 181, principalmente nesses crimes que envolvem adolescentes, crianças, que, muitas vezes, não nesse caso especial, mas similar, muitas vezes, essas crianças e adolescentes não têm voz para denunciar", detalhou.>
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