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Polícia notifica psiquiatra para entregar arma usada para ameaçar atendente

O médico Bernardo Santos Carmo ficou 50 minutos prestando depoimento nesta quarta-feira (23). Polícia informou que ainda não é possível afirmar se é uma arma verdadeira ou falsa

O psiquiatra Bernardo Santos Carmo, acusado de usar uma arma para intimidar um vendedor no shopping, chega para depor na delegacia da Praia do Canto. Ele estava acompanhado dos advogados Luciano Azevedo Silva e Marielle Moraes Ribeiro da Silva
O psiquiatra Bernardo Santos Carmo, acusado de usar uma arma para intimidar um vendedor no shopping, chega para depor na delegacia da Praia do Canto. Crédito: Carlos Alberto Silva

O psiquiatra Bernardo Santos Carmo, investigado pela Polícia Civil por ameaça e  porte ilegal de armas, prestou depoimento na Delegacia de Polícia da Praia do Canto, em Vitória, na tarde quarta-feira (23). Durante 50 minutos, o médico respondeu aos questionamentos do delegado Ágis Macedo, à frente das investigações.  A polícia notificou o psiquiatra para que ele entregue a arma que apontou contra um atendente dentro de uma loja de um shopping, em Vitória, no dia 8 de junho. O ato teria sido uma reação ao pedido do funcionário para que o médico usasse a máscara de forma correta.

Por volta das 14 horas, o médico chegou à delegacia de polícia acompanhado de dois advogados. Ele usava um lenço para cobrir a boca e o nariz, em vez de máscara.

Vale lembrar que o uso de máscaras é obrigatório no Espírito Santo desde março do ano passado, quando o governo estadual baixou um decreto com a determinação, como medida de  proteção da população contra o coronavírus

Na saída da unidade policial, o médico também não quis dar declarações, mesmo tendo sido questionado sobre a razão de andar armado. Já um dos advogados que o acompanhava, Luciano Azevedo,  disse que vai aguardar o fim das investigações para se pronunciar e que o cliente só falaria em juízo.

ARMA 

O caso foi registrado pelo atendente de uma loja de eletrônicos e papelaria como ameaça. Junto ao Boletim de Ocorrência, a vítima anexou um vídeo do momento em que isso acontece.  Nas imagens é possível ver que, no momento que passa pelo caixa da loja, o médico saca um objeto que se assemelha a um revólver e aponta em direção ao atendente. As câmeras não captam som. 

Imagem das câmeras de segurança flagraram momento em que médico aponta arma para atendente em Vitória
Imagem das câmeras de segurança flagraram momento em que médico aponta arma para atendente em Vitória . Crédito: Reprodução/TV Gazeta

"Notificamos o médico para entregar essa arma e, aqui na delegacia, a defesa se comprometeu a entregá-la. Ainda não é possível afirmar se se trata de uma arma verdadeira ou uma arma falsa. Mas assim que o objeto estiver aqui na delegacia, encaminharemos para a perícia fazer essa verificação", observou o delegado Ágis Macedo. 

Em entrevista à produção do programa Fantástico, o psiquiatra disse por meio de áudio que a arma era uma de Airsoft,  um esporte de ação que simula situações de combate. As armas são de pressão e sua posse ou porte não são reguladas pelo Estatuto do Desarmamento. 

Na próxima sexta-feira (25), a Polícia Federal deve responder ao ofício feito pelo delegado solicitando informações sobre registros de porte e posse de arma em nome do psiquiatra. Ágis Macedo também solicitou à loja que repasse todos os registros das câmeras no dia dos fatos. 

"A situação que se apresenta no vídeo já configura ameça. Porém, precisamos saber como foi toda a dinâmica", pontuou o delegado, que deve ouvir ainda mais duas testemunhas. Além do médico e a da vítima, também prestaram depoimento outras duas pessoas na condição de testemunhas. 

ATENDIMENTO NA GREVE DA PM

O médico Bernardo Santos Carmo é o psiquiatra que atendeu os policiais militares após a greve da Corporação, realizada em 2017. Ele ainda presta o mesmo tipo de serviço aos militares, por intermédio de uma parceria com a Associação de Cabos e Soldados da PM e Bombeiro Militar do Espírito Santo (ACS).

Em janeiro de 2018, em entrevista para A Gazeta, Bernardo relatou que começou a atender os militares duas semanas após o término do movimento de paralisação. Mas somente em junho de 2017 é que começou a oferecer o serviço por intermédio da ACS. Na ocasião relatou que chegou a atender, em um só dia, mais de 200 policiais.

“Após duas semanas do início do movimento, me chamaram para prestar atendimento na Associação de Cabos e Soldados (ACS). Mas, na entidade, só comecei mesmo em junho. Até lá, atendia nas clínicas. Em um dia, recebi 34 militares, no outro 123. Houve um dia com mais de 200, e tivemos que fechar a clínica porque não havia mais espaço para acomodar e não iria conseguir realizar todos os atendimentos”, relatou o médico, na ocasião.

O cabo Jackson Eugenio Silote, presidente da ACS, explica que a instituição possui um Núcleo de Apoio Psicossocial, e que o médico presta o atendimento aos militares, oferecendo um desconto aos associados. “É um serviço oferecido desde outras gestões da ACS, incluindo o período após a greve. Ele não trabalha ou tem vínculo com a associação, mas oferece um desconto aos associados, assim como outros médicos, dando ao associado a oportunidade de escolha do profissional. Não pagamos a ele um salário”, explica.

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