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Publicado em 23 de março de 2026 às 17:51
Uma mulher de 23 anos, identificada como Jamily Barbosa, foi presa pelo latrocínio do próprio avô, Romildo Barbosa, de 86 anos, na Barra do Jucu, em Vila Velha, no final do ano passado. Ela foi indiciada pelo crime e está presa preventivamente desde o início de março, mas os detalhes só foram divulgados pela Polícia Civil nesta segunda-feira (23), após a conclusão das investigações.>
Segundo o chefe do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), delegado Gabriel Monteiro, não restam dúvidas de que ela foi a autora do crime, que ocorreu no dia 28 de novembro, dois dias antes de o corpo ser encontrado pelo irmão da vítima, já em avançado estado de decomposição.>
"O irmão se deparou com uma cena muito triste. A porta estava fechada e não havia sinais de arrombamento. Começamos a investigar como crime de homicídio, porém, com os desdobramentos das investigações, passamos a tratar como latrocínio, que é um roubo seguido de morte", explicou Monteiro.>
De acordo com o delegado, diante do cenário suspeito, vizinhos e familiares começaram a ser ouvidos e uma sobrinha de Romildo relatou que, no dia 25 — dias antes do crime —, Jamily teria feito contato, perguntando sobre um celular que estava à venda, e pediu para que ela reservasse o aparelho, porque ele seria dela de qualquer forma.>
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Esse depoimento fez com que a polícia direcionasse o foco das investigações e, posteriormente, um vizinho a quem Romildo devia R$ 200 relatou que foi pago na madrugada do dia do crime e reparou que havia mais dinheiro na carteira do idoso. O vizinho ainda contou que o idoso demonstrou preocupação, porque Jamily havia pegado a bicicleta dele para comprar drogas.>
Outra testemunha relatou ter visto Jamily entrar na casa no dia do crime. Com o avançar das investigações, a polícia descobriu que ela fez diversas transferências via Pix horas após o latrocínio e foi vista em uma distribuidora comprando bebida.>
"Ela antes não tinha dinheiro para o celular e, de repente, começou a fazer essa festa toda… No dia 29, foi até lá, ligou o som alto, pegou as roupas dela e, sem falar nada para ninguém, saiu da região em um carro de aplicativo e nunca mais voltou. Um neto informou que ela ia sempre lá (na casa do avô) com o namorado, que achamos por um momento que teria participado, mas ela mesma negou, informou que ele não teria participado", completou o delegado. >
Ela compareceu à delegacia após ser intimada e alegou que teria agido em legítima defesa, após o avô ter tentado violentá-la sexualmente. Para a polícia, entretanto, o crime foi premeditado.>
"Ela disse que se desprendeu (dele) e que ele teria dado uma espetada no olho dela. Porém, ela foi encaminhada ao DML, e não havia nenhuma lesão compatível. E havia contradições: ela falou que saiu sem roupa, desesperada. Porém, a pessoa que sai desesperada, como iria trancar a porta e fazer todo esse cenário? E ela chegou a confessar a algum familiar, antes de ir à polícia, que teria matado o avô, sem contar essa versão...", frisou o delegado, e concluiu: "Na condução do inquérito, ficou nítido que ela foi a autora. E Romildo possuía uma compleição física forte, apesar da idade. Para a polícia, ela desferiu a facada, e, com ele já fraco, asfixiou-o com a toalha.">
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