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Dupla é condenada por morte de instrumentador cirúrgico na Serra

Dupla é condenada por morte de instrumentador cirúrgico na Serra

Justiça entendeu que os réus praticaram latrocínio e ocultação de cadáver em crime marcado por violência e crueldade; caso aconteceu em 2024

Publicado em 23 de março de 2026 às 15:03

Leonardo Julio Lopes, de 23 anos, e Ruan Christyan Cardoso dos Santos, de 19 anos, são suspeitos de matar instrumentador cirúrgico
Leonardo Julio Lopes, de 23 anos, e Ruan Christyan Cardoso dos Santos, de 19 anos, foram condenados pela morte instrumentador cirúrgico Crédito: Divulgação Sesp

A Justiça do Espírito Santo condenou Leonardo Julio Lopes e Ruan Christyan Cardoso dos Santos pela morte do instrumentador cirúrgico Luciano Martins, de 46 anos, ocorrida em junho de 2024, na Serra. A sentença reconheceu que o crime foi um latrocínio — roubo seguido de morte —, além da ocultação de cadáver. O primeiro foi condenado a 28 anos de prisão, já Ruan recebeu pena de 23 anos e 4 meses de reclusão. Ambos vão cumprir as respectivas condenações em regime fechado.

De acordo com a decisão, a vítima foi rendida dentro da própria casa, amarrada e submetida a violência extrema. Após o roubo de bens, incluindo veículo, celular e objetos pessoais, Luciano foi morto e teve o corpo abandonado em uma área de descarte de lixo no bairro Civit I. A Justiça destacou a crueldade da ação, com múltiplos golpes e disparos de arma de fogo, além da tentativa de dificultar as investigações com a ocultação do corpo. 

A sentença também destaca que, após o crime, a dupla utilizou o carro da vítima tanto para transportar o corpo até o local onde foi abandonado quanto para circular pela cidade. Depois disso, os dois chegaram a ir a uma festa com o veículo, comportamento que foi considerado pela Justiça como um indicativo de frieza e desprezo pela vida alheia. Posteriormente, o automóvel foi encontrado carbonizado na Serra, em uma tentativa de eliminar provas.

Durante o processo, as defesas apresentaram versões diferentes sobre a participação dos acusados. Os advogados de Ruan afirmaram que ele teria participado apenas do roubo dentro da casa, sem envolvimento na morte da vítima ou na ocultação do corpo. Já os de Leonardo tentaram afastar a responsabilidade dele pelos crimes, alegando que não há provas de participação direta no homicídio.

No entanto, a Justiça rejeitou as duas teses. Na decisão, a juíza destacou que houve uma sequência contínua de ações, desde a abordagem da vítima até a ocultação do corpo, o que demonstra que os dois atuaram juntos. Segundo a sentença, não é possível separar as responsabilidades, já que ambos tinham controle sobre o que estava sendo feito e participaram de todas as etapas do crime.

Relembre o caso

Corpo de instrumentador cirúrgico é encontrado em lixão, na Serra
Corpo de instrumentador cirúrgico foi encontrado em lixão, na Serra, em 2024 Crédito: Arquivo pessoal

O crime ocorreu em junho de 2024 e chamou atenção pela forma como foi executado. Luciano Martins desapareceu após marcar um encontro por um aplicativo de relacionamento. Leonardo Julio Lopes, de 23 anos, e Ruan Christyan Cardoso dos Santos, de 19 anos, são acusados de cometer outros crimes semelhantes, com o mesmo modo de operação.

À época, o delegado-geral, José Darcy Arruda, disse que a dupla suspeita de matar Luciano já esteve presa por roubo em maio do mesmo ano, por um crime em que atuaram de maneira muito semelhante ao caso do instrumentador cirúrgico. No entanto, segundo o delegado-geral, o juiz de custódia, na ocasião, entendeu que não tinha motivos para manter Leonardo Julio e Ruan Christyan presos e não converteu a prisão em flagrante em preventiva.

Além da morte de Luciano e do roubo que os levou à prisão em maio, outra possível vítima de Leonardo e Ruan procurou a Polícia Civil. Conforme o delegado-geral, o modus operandi — métodos e procedimentos do crime em que é notada uma repetição — dos criminosos é o seguinte: marcar encontros por aplicativos de relacionamento com homens, depois amarrar, vendar e roubar as vítimas.

Leonardo, além dos crimes de roubo e latrocínio, também já foi preso por estupro de vulnerável em 2022, segundo informações da Polícia Civil. "Se esse rapaz tivesse ficado preso, não teríamos esse sangue", disse José Darcy Arruda. 

Sobre o desaparecimento

De acordo com um amigo de Luciano, que preferiu não se identificar, foi uma sobrinha do instrumentador, que morava com ele, que percebeu o sumiço. “Ela acordou no sábado de manhã e viu várias coisas estranhas. O carro não estava na garagem, ele usa óculos, era deficiente de uma perna e usa uma órtese, e essas coisas estavam todas jogadas no quarto. Faltavam alguns perfumes, caixa de som dele”, contou o amigo.

Ainda de acordo com ele, Luciano teria sumido após marcar um encontro por um aplicativo de relacionamentos. “Tudo começou por um encontro. O Luciano usava muito esses aplicativos de encontros. Infelizmente, têm acontecido muitos casos de usarem o aplicativo para cometer crimes. Ele marcou encontro com uma pessoa e a levou para casa", disse. 

O corpo do profissional da área da saúde foi encontrado em um lixão, no bairro Civit I, na Serra, no dia 23 de junho de 2024. Ele estava com braços e pernas amarrados, sinais de esfaqueamento e uma toalha tampando o rosto, onde havia marcas de tiros. 

Luciano Martins por Facebook

O carro de Luciano foi visto pela última vez no bairro Maringá, também na Serra, na madrugada de sábado (22). O corpo dele foi encontrado por um homem que passava pelo local. A sobrinha de Luciano, que morava com ele, chegou a ouvir um diálogo vindo do quarto da vítima, entre ele e um outro homem.

A reportagem tenta localizar a defesa e o espaço segue aberto para um posicionamento. 

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