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Publicado em 7 de maio de 2024 às 17:32
A Polícia Civil concluiu que o advogado Luis Hormindo França Costa, de 33 anos, que atirou e matou o aposentado Manoel de Oliveira Pepino, de 73 anos, após uma discussão motivada por cachorros, agiu em legítima defesa. O crime ocorreu no dia 20 de abril, na Mata da Praia, em Vitória. >
O inquérito concluído foi encaminhado ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES). O chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória, delegado Ramiro Pereira Diniz, explicou que, inicialmente, o caso foi atendido por uma equipe de plantão que entendeu que havia elementos suficientes para autuar Luis por homicídio e por ato de abuso contra cão.>
O inquérito, naquele momento, foi encaminhado ao MPES, que devolveu pedindo novas informações. Sendo assim, as investigações foram encaminhadas a DHPP da Capital, que realizou novas diligências.>
“A gente conseguiu apurar, após ouvir mais testemunhas, juntar os vídeos registrados pelas câmeras de videomonitoramento da região, que de fato começou uma discussão poque o cachorro estava sem coleira e nessa discussão houve uma troca de ofensas acaloradas. O senhor Manoel, então, entrou em casa, pegou uma arma de fogo que ele possuía ilegalmente e saiu em direção ao Luis. Foi então que se iniciaram os disparos”, explicou.>
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Delegado Ramiro Pereira Diniz
Chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de VitóriaAinda segundo o delegado, as imagens registradas mostram que Luis tentou deixar o local logo quando o aposentado iniciou os disparos, mas foi perseguido por Manoel. Então, ainda segurando a coleira do cachorro em uma das mãos, o advogado revidou aos disparos.>
Assim que atinge o aposentado, Luis para de atirar, vai até o corpo de Manoel, aciona o socorro e aguarda no local. >
Delegado Ramiro Pereira Diniz
Chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de VitóriaA arma usada pelo aposentado Manoel de Oliveira Pepino, um revólver, era ilegal. Ele não tinha posse ou porte para arma de fogo. Já o advogado Luis Hormindo França Costa possui registro da pistola utilizada na discussão com a vítima. >
Segundo a Polícia Civil, não é possível afirmar quantos disparos foram realizados no total. >
O chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória, delegado Ramiro Pereira Diniz, explicou que o desindiciamento ocorre quando a autoridade policial entende que, inicialmente, houve elementos suficientes para colocar um indivíduo como suspeito. A partir de novos fatos que surgem esse indivíduo deixa de ser suspeito e passa a figurar como uma pessoa envolvida no caso. >
No caso do aposentado morto na Mata da Praia, a equipe de plantão entendeu existirem elementos suficientes para autuar Luis Hormindo França Costa por homicídio e por praticar ato de abuso contra cão, uma vez que o animal também foi baleado, e encaminhou ao MPES, que devolveu o caso, solicitando novas diligências. As investigações mostraram que o advogado agiu em legítima defesa e o delegado decidiu pelo desindiciamento de Luis. >
Nestes casos há arquivamento? >
Segundo a Polícia Civil, vai depender da Justiça, pois a polícia não pode determinar o arquivamento de um procedimento de inquérito policial. >
“Quando a Polícia Civil conclui (a investigação), o inquérito vai para o Ministério Público que pode devolver para novas diligências, pode denunciar ou pode sugerir o arquivamento ao juiz. A parte da polícia está encerrada, salvo de o Ministério Público retornar para novas diligências”, explicou o chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegado Ricardo Almeida.>
Nesta terça-feira (7), conforme publicado pelo repórter Vinicius Zagoto, de A Gazeta, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), havia dito que pediu novas investigações e devolveu para a Polícia Civil o inquérito policial que apura a morte de Manoel de Oliveira Pepino.>
Para A Gazeta, o MPES, por meio da Promotoria de Justiça Criminal de Vitória, disse que encaminhou o inquérito à Polícia Civil e requisitou a realização de novas diligências para apuração dos fatos.>
"Em razão disso, e como não havia respaldo legal para manter a prisão cautelar do advogado, o MPES requereu a soltura dele com o cumprimento de medidas cautelares, como entrega de todas as armas que eventualmente possa ter; proibição de frequentar clubes de tiro; e proibição de frequentar qualquer local de comercialização de armas de fogo", declarou o Ministério Público. >
O MPES entendeu não ser necessária a suspensão da atividade de advogado, por não haver relação entre os fatos e o exercício profissional. "Dessa forma, o inquérito policial seguirá em andamento e, após a conclusão, será novamente encaminhado ao MPES, para análise e adoção das medidas cabíveis", informou.>
Diante do novo posicionamento da Polícia Civil, que informou que encaminhou, novamente, o inquérito já concluído como legítima defesa, ao MPES, a reportagem questionou se o órgão teria um novo posicionamento em relação ao caso. O MPES informou que a nota se mantém. >
Luis Hormindo deixou a prisão na última sexta-feira (3), após a Polícia Civil entender que houve legítima defesa, concluir o inquérito e encaminhar a conclusão ao Ministério Público. Segundo o advogado do investigado, Leonardo Gagno, o delegado responsável pela investigação opinou pelo "desindiciamento". >
Luis Hormindo terá de cumprir medidas cautelares definidas pela Justiça, como se apresentar ao Fórum uma vez por mês, não portar arma de fogo e não frequentar clubes de tiros.>
O advogado Leonardo Gagno afirmou que a decisão do Ministério Público foi muito prudente, pois existem provas que precisam ser juntadas para que o promotor possa se manifestar sobre o futuro da investigação. >
A reportagem de A Gazeta tenta contato com os advogados da família do aposentado morto. >
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