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“Vivemos uma guerra sem canhão contra um vírus que mata”, diz arcebispo

Na missa de encerramento da Festa da Penha, Dom Frei Dario Campos ressaltou em homilia a importância da solidariedade e agradeceu às igrejas evangélicas e às pessoas sem religião pelos atos de generosidade

Publicado em 20/04/2020 às 19h28
Atualizado em 20/04/2020 às 19h59
 A missa de encerramento da Festa da Penha deste ano foi realizada na capela do Convento. A TV Gazeta e o G1/ES transmitiram ao vivo a celebração
A missa de encerramento da Festa da Penha deste ano foi realizada na capela do Convento. A TV Gazeta e o G1/ES transmitiram ao vivo a celebração. Crédito: Danilo Luca Ferreira Martins

Enfatizando a importância da vida e da solidariedade, o arcebispo da Arquidiocese de Vitória, Dom Frei Dario Campos, celebrou a missa de encerramento da Festa da Penha nesta segunda-feira (20) ressaltando o duro confronto da humanidade contra o inimigo invisível nestes tempos de pandemia.

“Não podemos sair deste momento que estamos vivendo do mesmo modo que entramos. Este momento nos mostra a fragilidade da vida. É uma guerra declarada, que não tem canhão, bomba. É um minúsculo vírus que ataca, que mata”, afirmou o líder religioso.

Em sua homilia, ele refletiu sobre a partilha nestes dias desafiadores e observou “uma adesão profunda da população ao chamado da vontade divina, contando com a ação do Espírito Santo em cumprir a vontade do alto.”

Dom Frei Dario Campos

Arcebispo da Arquidiocese de Vitória

"O que o Senhor quer de nós? É a pergunta que faço. Penso: a vida, e a vida em abundância. O respeito por essa vida, da concepção até a morte. Em outras palavras, não ao aborto. Deus quer a alegria. Jesus de Nazaré quer a partilha. Não quer ver ninguém triste."

O arcebispo prosseguiu falando que é hora de pôr fim à ganância e à busca de poder e do lucro, uma procura em oposição à característica do “empático povo” capixaba e brasileiro. E aproveitou o momento então para agradecer às igrejas evangélicas e às pessoas sem religião pelos atos de generosidade praticados diante dessas adversidades.

“Aqui no Espírito Santo, vivemos meses atrás as tempestades. Tantos desabrigados, algumas mortes. Quanta ajuda nosso povo deu! Quanta partilha agora nesta epidemia! Nosso povo é solidário na partilha do alimento. Quanto alimento tem chegado a nossas igrejas, católicas e evangélicas, e das pessoas sem religião que trabalham partilhando o que têm, querendo a vida, dando o pouco que têm! A todos eles, meu agradecimento.”

Imagens de drone do Convento da Penha
Imagens de drone do Convento da Penha. Crédito: Rede Gazeta

Lembrando a mensagem mais falada nas campanhas contra o novo coronavírus, Dom Dario Campos indicou sua preocupação com os sem-teto. “Como dizer neste momento ‘fique em casa’ quando não se tem casa? No dizer do Papa Francisco, a rua não é lugar para se morar nem para se morrer. Temos de estar unidos, poder público e sociedade. Chega de ficar puxando um pra cá, outro pra lá. Vamos juntar nossas forças e com isso nosso povo vai ter vida e vida em abundância.”

Na parte final da palavra, ele conclamou homens e mulheres a darem um salto de humanidade, de qualidade e de profissão de fé, ajudando os mais vulneráreis, “superando o egoísmo de uma sociedade que só visa ao lucro e ao descaso. Ou seja, a lógica excludente do lucro."

Dom Dario Campos conduziu a missa de encerramento da Festa da Penha 2020
Dom Dario Campos conduziu a missa de encerramento da Festa da Penha 2020. Crédito: Danilo Luca Ferreira Martins

Para representar as milhares de pessoas que estariam no Parque da Prainha acompanhando a missa de encerramento ao vivo, a TV Gazeta foi à casa de algumas famílias como a da advogada Mariana Pimentel. “Uma mistura de emoção e gratidão ao participar da Santa Missa em nossa residência. Nossa Senhora da Penha, tão amorosamente, foi ao nosso encontro em nossas residências e sou grata por esse momento tão especial”, disse ela.

A celebração foi acompanhada presencialmente pelo governador do Estado, Renato Casagrande, e pelos prefeitos Luciano Rezende (Vitória) e Max Filho (Vila Velha), que assistiram à missa usando máscaras.

Logo após o término, Casagrande declarou que a Igreja se reinventou, assim como os organizadores, para manter a programação do evento. Segundo ele, foi um grande acerto, sobretudo nesta ocasião em que as orações são tão necessárias.

Renato Casagrande

Governador do Estado

"A festa é um sucesso nos meios digitais, nas redes sociais, além do mais num momento em que todos nós temos de estar virtual e espiritualmente unidos em torno de uma ação que possa amenizar os problemas para proteger a vida das famílias capixabas."

Max Filho assinalou a relevância dos 450 anos de homenagens à padroeira do Estado, um marco histórico. “A festa não poderia deixar de acontecer. Que bom que ocorreu justamente neste momento em que as pessoas estão conectadas!”

A persistência dos organizadores também foi elogiada por Luciano Rezende. “A Igreja Católica conseguiu manter a Festa da Penha no seu simbolismo maior, que é o de celebrações e homenagens à santa, num momento em que precisamos muito das bênçãos da nossa padroeira. Reúne na fé em dias melhores os cristãos, que na solidariedade se juntam nesta festa.”

Acompanhe tudo sobre a Festa da Penha 2020 com formato inédito, virtual e interativo, em agazeta.com.br/festadapenha.

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