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Morte na Serra

Vítima de explosão de extintor no ES teve acidente semelhante há 6 meses

Família conta que, na ocasião, Wesley da Costa Marçal teve o maxilar quebrado, passou por cirurgia e fisioterapia. Porém, decidiu voltar para o trabalho após a recuperação.

Publicado em 08 de Outubro de 2019 às 11:01

Elis Carvalho

Publicado em 

08 out 2019 às 11:01
Loja Extinbras, onde funcionário morreu ao manusear um extintor de incêndio, que explodiu Crédito: Caíque Verli
O funcionário da empresa Extinbras Extintores do Brasil, Wesley da Cista Marçal, de 36 anos, que morreu na manhã desta segunda-feira (7) enquanto trabalhava manuseando um extintor de incêndio, em Jardim Limoeiro, na Serra, sofreu o mesmo tipo de acidente há seis meses. Segundo familiares, na ocasião, a vítima teve o maxilar quebrado, passou por cirurgia e fisioterapia. Porém, decidiu voltar para o trabalho após a recuperação.
Vítima de explosão de extintor no ES teve acidente semelhante há 6 meses
O ACIDENTE
De acordo com investigadores do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a polícia foi acionada para atender a ocorrência por volta de 9h20 desta segunda (07). O funcionário trabalhava na área de pressurização, fazendo a carga dos extintores. Porém, no momento de passar o ar comprimido para cilindro, a estrutura do equipamento não teria suportado a pressão e explodiu.
Wesley da Costa Marçal, homem que morreu na Serra após explosão de extintor Crédito: Arquivo da família
Segundo testemunhas, funcionários da loja ainda tentaram socorrer a vítima e chamaram o socorro. Porém, quando o Samu chegou, constatou que o homem, que teve graves ferimentos na cabeça e no pescoço, não resistiu e morreu.
Segundo investigadores da DHPP, havia sinais de ferrugem no cilindro, mas o equipamento estava na validade. Os policiais contaram, ainda, que os testes de qualidade desses extintores são feitos a cada cinco anos. Os investigadores não informaram quanto tempo faltava para o extintor vencer e, assim, passar por novos testes.
Houve perícia no local para identificar a real causa da explosão. Porém, esse resultado pode levar 30 dias ou mais, segundo os investigadores da DHPP.
MESMO ACIDENTE HÁ SEIS MESES
Familiares de Wesley estiveram no Departamento Médico Legal (DML) para a identificação e liberação do corpo. A reportagem conversou com a sobrinha da vítima, a universitária Drielly Oliveira, de 21 anos. Ela contou que há seis meses o tio sofreu o mesmo acidente, com a explosão de um extintor durante o trabalho. Na ocasião, ele teve o maxilar quebrado e foi internado, ficando afastado por três meses.
Drielly Oliveira, sobrinha de Wesley, contou que o tio sofreu o mesmo acidente de trabalho há cerca de seis meses Crédito: Elis Carvalho
Drielly Oliveira, sobrinha de Wesley, contou que o tio sofreu o mesmo acidente de trabalho há cerca de seis meses. Crédito: Elis Carvalho
Com a exigência de não mostrar o rosto, por estar visivelmente abalada, Drielly falou um pouco sobre o tio e trabalho que ele desenvolvia na Extinbras, em Jardim Limoeiro, na Serra.
Como a família soube da morte?
O trabalho do meu tio fica bem perto da casa dele, em São Diogo, também na Serra. O acidente foi por volta de 9h30 e às 11 horas um funcionário foi na casa dele e contou para a mulher, minha tia. Ela está arrasada. Eles estavam juntos havia 13 anos e possuem um filho juntos, de 12 anos. O Wesley tinha ainda um filho de outra relação, hoje com 15 anos. Além disso, ele cuidava como pai dos filhos da minha tia, que hoje possuem 17 e 19 anos.
Como era o Wesley?
Uma pessoa maravilhosa, alegre, extrovertido e muito família. Só o fato dele cuidar com tanto carinho de dois filhos que não eram dele, mostra um pouco da personalidade que ele tinha. Ele era muito brincalhão. Ninguém está acreditando no que aconteceu.
Ele tinha medo do trabalho que fazia?
Ele nunca falou de medo, mas dizia que era um trabalho minucioso e com muitos riscos. Inclusive, há cerca de seis meses ele sofreu o mesmo acidente: um cilindro explodiu quando ele colocava a carga. Na época, a empresa deu todo apoio. Ele ficou bastante machucado, teve o maxilar quebrado, foi internado, passou por cirurgia e cerca de três meses de fisioterapia. Mas ele gostava do trabalho porque era perto da casa dele e oferecia benefícios. Por isso, após três meses de recuperação, ele retornou a trabalhar normalmente.
Ele trabalhava na empresa havia quanto tempo?
Cerca de um ano e meio. Antes, ele atuava em uma empresa de transporte. Ele sempre dizia que era um trabalho que precisava de muita atenção.
Como está a família?
Todos arrasados. A mulher dele nem conseguiu vir aqui (no DML). Para nós, foi um choque. E é mais triste ainda porque ele sobreviveu a um acidente há seis meses. Agora queremos entender o que aconteceu.
VELÓRIO E ENTERRO
Ainda de acordo com familiares, Wesley será velado na Igreja Central de Adoração, em Santa Marta, Vitória. Já o enterro, está previsto para acontecer no Cemitério de Maruípe nesta terça-feira (08). Porém, ainda não há horário marcado.
A EMPRESA
A reportagem passou todo o dia desta segunda-feira (07) tentando contato coma Extinbras, porém nenhum representante da empresa respondeu aos telefonemas. Na manhã desta segunda, a reportagem de A Gazeta esteve na loja, que fica na rodovia ES 010, onde ocorreu o acidente. Mas, na portaria do local, uma funcionária informou não haver um responsável para falar naquele momento.
O Extimbras possui alvará de autorização para funcionamento expedido pelo Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo com data de emissão de julho de 2019 e data de validade em 30 de abril de 2020. Procurada, a Prefeitura da Serra informou que a empresa possui alvará de funcionamento válido até 30 de abril de 2020.

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