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"Ei, amigão"

Vídeo: menino autista vibra com caminhão de lixo em Vila Velha

Pedro de Assis Borges , de 12 anos, tem autismo severo e espera na varanda pela coleta de lixo. Trabalhadores apelidaram o menino de 'amigão'

Publicado em 05 de Março de 2020 às 16:25

Redação de A Gazeta

Publicado em 

05 mar 2020 às 16:25
Pedro tem 12 anos. Gosta de festas e carros, vai à escola. Mas ao contrário da maioria dos meninos da sua idade, não fala, não escreve e usa fralda. Pedro é autista. E como qualquer pessoa, pode ser definido de muitas formas. Por isso, ele é também o "amigão" dos coletores de lixo de Vila Garrido, em Vila Velha.
Nesta semana, a mãe do menino, Eliana de Assis, de 43 anos, postou em uma rede social um vídeo em que Pedro vibra ao ser cumprimentado pelos profissionais do caminhão de lixo. Basta ouvir "ei, amigão", para o garoto, da varanda de casa, retribuir com palmas e sorrisos. A cena acontece sempre que o caminhão de lixo passa em frente à casa da família.

AUTISMO SEVERO

Foram dois anos até a mãe descobrir que o filho tinha autismo. Pedro chegou a falar quando bebê, mas com 1 ano e 8 meses já não falava mais nada. Com 3 anos e 8 meses ele foi diagnosticado com o tipo severo da doença. A mãe conta que desde então "foi muita luta".
"A gente vence, como se fosse um leão, todo dia. Cada coisinha que ele faz, para gente é motivo de muita alegria. Meu filho come e bebe sozinho, sabe entrar no youtube, ligar a televisão, convida todo mundo que vem aqui para entrar e tomar um café. Ama festa, mas não posso levá-lo a nenhuma porque ele sempre enfia a mão no bolo. Mas ele não consegue ficar parado em local aberto, não posso deixar o portão de casa aberto porque ele foge.Não fala, não escreve, só rabisca, vai para escola mais por socialização. Quando está em crise, ele morde. Mas sabe retribuir todo carinho que recebe", detalha.
Foi para mostrar a realidade das crianças com autismo severo que Eliana publicou o vídeo na rede social. Ela é categórica ao dizer que as pessoas não conhecem o transtorno do espectro autista, e estão acostumadas com os níveis leves da doença.  
"As pessoas conhecem a palavra autismo, mas não conhecem a fundo a doença. Não conhecem o autismo severo. É muito preconceito, é muito difícil. Algumas pessoas têm um olhar de bondade. Mas tem gente que fala comigo, e isola ele. Não fala com ele. Tem mãe de autista que não é chamada para festa de aniversário. Às vezes tem olhar diferente dentro do supermercado, na rua. É muito triste"
Eliana Pim de Assis - Mãe do Pedro
Por tudo isso, o carinho que o menino recebe dos coletores de lixo também deixa feliz a mãe. "Nunca pedi para eles falarem nada. É o maior presente que a gente ganha. Não tem dinheiro que pague isso", diz emocionada.  

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