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Assédio sexual na escola: alunas denunciam professor na Serra

Alunas escreveram cartas para denunciar assédios. As histórias foram parar no Twitter e viralizaram com a hashtag #SuaAlunaNãoÉUmaNovinha.

Publicado em 25/06/2019 às 18h42
Alunos da escola Clóvis Borges Miguel iniciaram um movimento de denúncias de assédio contra professores da unidade. Crédito: Iara Diniz
Alunos da escola Clóvis Borges Miguel iniciaram um movimento de denúncias de assédio contra professores da unidade. Crédito: Iara Diniz

Um grupo de alunas da Escola Estadual Clóvis Borges Miguel, em Serra Sede, na Serra, denunciou um dos professores por assédio sexual. As denúncias foram feitas por meio de cartas distribuídas na escola, mas ganharam repercussão nesta segunda-feira (24) quando foram compartilhadas no Twitter. As alunas relataram piadas de cunho sexual e comentários sobre o corpo delas feitos pelo professor.

As primeiras denúncias foram feitas na semana passada. Incomodadas com os comentários do professor, três adolescentes resolveram escrever cartas anônimas e depositar em urnas - criadas para um projeto na escola- para que as denúncias chegassem até outros professores, alunos e funcionários do local.

Carta de apoio enviada às alunas da escola. Crédito: Arquivo pessoal
Carta de apoio enviada às alunas da escola. Crédito: Arquivo pessoal

De acordo com uma das estudantes, de 16 anos, a ideia surgiu como forma de pedir socorro após vários episódios de assédio.

"Um dia ele começou a falar da minha bunda. Eu fiquei desconfortável, mas achei que era brincadeira e não falei nada. Aí os comentários passaram a ser diários, até que eu comecei a ignorar. Um dia ele falou para mim: "Você cansou das piadinhas? Logo agora que você é minha!". Comecei a ficar com medo, pensando o que ele poderia fazer comigo. Então resolvi, junto com outras duas amigas, escrever as cartas, para que todo mundo soubesse o que estava acontecendo", declarou.

O grupo também encaminhou uma carta para o professor acusado de cometer os assédios. Nela, as estudantes expressavam o desconforto que sentiam quando ele falava sobre o corpo das meninas e de conversas duvidosas da intimidade das alunas. Elas chegaram a se referir ao professor como "babaca e nojento". 

Carta encaminhada pelas alunas para os professores relatando histórias de assédio. Crédito: Arquivo pessoal
Carta encaminhada pelas alunas para os professores relatando histórias de assédio. Crédito: Arquivo pessoal

NAS REDES SOCIAIS

As cartas foram distribuídas na escola no dia 19 de junho. De acordo com as estudantes, mesmo após a divulgação das cartas, a coordenação da escola não se mostrou preocupada em apurar o caso. Com medo que o caso fosse esquecido, as alunas usaram as redes sociais para relatar as histórias de assédio, nesta segunda-feira (24).

Os relatos viralizaram e um movimento foi criado no Twitter com a hashtag #SuaAlunaNãoÉUmaNovinha. Para a surpresa das adolescentes, inúmeras histórias de assédios começaram a ser relatadas na rede, muitas delas feitas por ex-alunas da escola Clóvis Borges Miguel.

Aluna de 17 anos

Cargo do Autor

"Várias pessoas vieram relatar casos antigos de assédio, mandaram mensagem de apoio pra gente. Todo mundo que estuda ou estudou lá sabe que esse professor faz isso, mas nunca denunciou por medo"

ATITUDE DE ALUNAS É REPREENDIDA

A coragem das alunas em denunciar os comentários e piadas do professor foi repreendida na escola, segundo as estudantes. Na manhã desta terça-feira, cartazes de autoestima e empoderamento, que haviam sido colados pelas adolescentes, foram retirados do local.

Os pais das alunas também foram chamados na escola nesta terça-feira (25) e, segundo uma das estudantes, a diretora chegou a pedir que elas apagassem as denúncias no Twitter.

Cartazes colados pelas alunas em apoio a outras estudantes. Crédito: Arquivo Pessoal
Cartazes colados pelas alunas em apoio a outras estudantes. Crédito: Arquivo Pessoal

"A escola não mostrou estar do nosso lado, pelo contrário. Pediram que a gente parasse de postar no Twitter porque isso não ia levar a gente a nada. Não podemos deixar milhares de meninas que ainda vão estudar aqui passarem pela mesma coisa. Queremos que elas saibam que elas não estão sozinhas" ", declarou uma das estudantes. 

Ainda, de acordo com as alunas, na presença dos pais e de outros pedagogos, o professor assumiu comentários que havia feito sobre uma das estudantes, mas justificou dizendo que era apenas uma brincadeira. 

O QUE DIZ O PROFESSOR

A reportagem conversou com o professor por telefone. Ao ser questionado se as alunas estavam mentindo sobre as denúncias, ele se limitou a dizer que a escola estava apurando o caso. O nome do professor não foi divulgado por nenhuma ocorrência ter sido formalmente registrada contra ele na polícia.

O QUE DIZ A SECRETARIA DE EDUCAÇÃO

A Superintendência Regional (SRE) de Carapina informou que assim que a Direção da Escola tomou conhecimento da situação pela rede social, conversou com as alunas e seus responsáveis e que já está dialogando também com os profissionais citados, no intuito de apurar o suposto assédio.

A Secretaria Estadual de Educação enfatizou que não compactua com este tipo de conduta, por isso que está apurando o fato e que, se for comprovada algum comportamento inadequado de servidor, as medidas cabíveis serão adotadas. A SRE informou também que em momento nenhum exigiu a retirada das posts.

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