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Publicado em 21 de outubro de 2021 às 20:36
Mais um grande vazamento de dados foi revelado nesta quinta-feira (21), atingindo milhões de consumidores. Um laboratório independente de segurança digital que reúne pesquisadores de diferentes partes do mundo, divulgou relatório que mostra que a plataforma de vendas on-line Hariexpress, parceria de gigantes do varejo que atuam no Brasil como Magalu, Americanas, Shopee, Mercado Livre e Amazon, expôs mais de 1,75 bilhão dados confidenciais.>
O relatório foi divulgado pelo grupo Safety Detectives e, conforme reportagem publicada no UOL, os dados equivalem a 610 gigabytes de informações. >
Os pesquisadores verificaram uma má configuração em um servidor da Hariexpress, chamado de ElasticSearch, que é como um mecanismo de buscas dentro dos sites. Ele estava sem criptografia e sem qualquer proteção por senha. A exposição das informações foi identificada em maio deste ano, mas o relatório só foi divulgado em outubro em razão dos dados estarem em português.>
A Hariexpress oferece um serviço em que comerciantes podem automatizar vendas por meio do marketplace, em que grandes varejistas exibem produtos de terceiros. Para facilitar o processo, os vendedores cadastram seus produtos de uma vez em várias lojas. Além das já citadas, a empresa tem integração com os Correios.>
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Essa exposição pode fazer os clientes e vendedores serem alvos de golpes. O relatório não conseguiu apontar quanto do 1,75 bilhão de dados representa em pessoas físicas ou jurídicas. O grupo Safe Detectives informou que não conseguiu tratar do incidente no servidor com a Hariexpress.>
Vazamentos como esse têm se tornado constantes e ligado um alerta sobre a falta de proteção de dados pessoais. Segund o diretor-presidente do Procon-ES, Rogério Athayde, as empresas são obrigadas a contar com mecanismos para garantir o controle e a segurança dos dados pessoais dos consumidores. >
Em caso de descumprimento das normas ditadas pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), Athayde explica que as companhias poderão sofrer sanções administrativas, civis e penais previstas em lei e no Código de Defesa do Consumidor.>
Rogério Athayde
Diretor-presidente do Procon-ESA reportagem de A Gazeta consultou três especialistas no assunto para saber como identificar e o que fazer caso o consumidor tenha seus dados expostos: o diretor de relações do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Igor Britto; o advogado criminalista Raphael Câmara; e o especialista em segurança da informação Gilberto Sudré. >
É possível monitorar o uso do seu CPF consultando abertura de contas e pedidos de empréstimos indevidos caso o documento tenha sido vazado. Essa opção é oferecida pelo Registrato, plataforma do Banco Central. O cadastro é gratuito e a pessoa consegue saber se alguém abriu conta em nome dele, fez financiamento, etc. >
Em serviços de proteção ao crédito, como Serasa e SPC, também é possível fazer consulta se estão usando seu CPF de algum modo.>
Há ainda plataformas como o site haveibeenpwned.com, onde o usuário cadastra o e-mail e consegue identificar quais outros locais o e-mail vazou, e o site minhasenha.com, que conta com serviço que indica se o e-mail foi vazado. Há ainda uma ferramenta do navegador Firefox, chamada monitor.firefox.com, que é possível colocar o e-mail e checar vazamentos.>
Crie senhas seguras
Misture letras com números e também caracteres especiais (como !@$#+) e você também pode substituir letras por caracteres, como por exemplo "a" por "@" e a "i" por "!". Evite senhas muito óbvias, como data do seu aniversário.
Evite aproveitar a mesma senha em vários serviços
Em hipótese alguma use a mesma senha do banco para contas em serviços na internet. Se uma senha for vazada, fica mais fácil que informações de outras contas também fiquem expostas.
Ative a verificação em duas etapas
Além da senha tradicional, você pode optar por outra forma de verificação, um código a mais para garantir sua identidade (além da sua senha), que pode ser um número aleatório ou até adicionando o requisito extra de confirmar sua identidade através de seu e-mail.
Fique atento a atividades suspeitas
Desconfie quando, por exemplo, começam a ligar com mais frequência oferecendo serviços (que podem ser reais ou falsos); quando utilizam seus dados para algum cadastro em seu nome sem o seu consentimento; e quando enviam boletos falsos, inclusive em nome de uma empresa conhecida, como operadoras de internet.
Comunique o vazamento
É possível registrar um Boletim de Ocorrência on-line para se prevenir de fraudes. É só acessar o site da Polícia Civil ou da Delegacia Virtual do Estado e conferir se há a opção de comunicar "Outras Ocorrências". Se houver, na descrição da ocorrência, escreva de forma simples e objetiva o que aconteceu.
Foi prejudicado pelo vazamento? Judicialize o caso
Caso se sinta prejudicado, procure o Procon se a empresa não responder adequadamente. Reporte também o caso na plataforma Consumidor.gov, caso seja uma empresa cadastrada. Ainda é possível entrar com uma ação judicial para reparação nos Juizados Especiais Civil (JECs).
A base da Hariexpress tinha 610 gigabytes de informações. Entre os registros encontrados, estão dados pessoais de clientes e lojistas, como:>
Ainda de acordo com o laboratório, os dados de vendedores incluíam CNPJ, CPF e detalhes das cobranças.>
O UOL entrou em contato com as empresas afetadas. A Amazon disse que leva muito a sério a segurança de dados. "Desenvolvemos todos os nossos sistemas e processos considerando a segurança da informação. Com relação a este episódio, fomos informados pela HariExpress que não ocorreu o vazamento de nenhum dado da Amazon", acrescenta.>
A Americanas informou que “desconhece a ocorrência de qualquer vazamento de dados de seus clientes ou vulnerabilidade em seu ambiente. A informação também foi certificada pela Hariexpress na última semana" e "segue oferecendo uma plataforma íntegra e segura, aderente a toda legislação vigente".>
Os Correios enviaram nota dizendo que "até o momento, não há indícios de violação de informações — de pessoas físicas ou jurídicas — oriundas da base de dados da estatal. O sistema dos Correios que mantém integração ao servidor citado atua apenas na aferição de peso de encomendas e precificação, não havendo o processamento de dados pessoais".>
A empresa Magalu esclareceu que contou com a Hariexpress como um de seus integradores por um período de dez meses. Durante esse período, a HariExpress adicionou apenas 30 sellers [adicionar produtos] à plataforma da companhia e registrou 12 vendas. Até este momento, o Magalu não registrou qualquer vazamento de dados".>
O Mercado Livre suspendeu preventivamente a operação da Hariexpress em sua plataforma "tão logo soube do ocorrido". A empresa sustenta que a plataforma "atua como integradora de marketplaces, presta serviço exclusivamente para vendedores que anunciam produtos em diferentes plataformas do mercado, dentre elas o Mercado Livre".>
Também em nota, a Shopee disse que a "Hariexpress já informou que os usuários da empresa não foram impactados. A Shopee leva a privacidade dos dados muito a sério e está empenhada em garantir a segurança e proteção dos dados de todos no ecossistema".>
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