Publicado em 12 de março de 2021 às 10:50
- Atualizado há 5 anos
A interrupção no pagamento do auxílio emergencial, cuja última parcela, até então, seria paga em dezembro, já deixou marcas no comércio do Espírito Santo, cujas vendas tiveram queda de 2,4 % em janeiro, ante o mês anterior. É o pior resultado para o mês desde 2013 (-5.4%), segundo dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). >
A queda não é tendência exclusiva do Espírito Santo. Em 23 Estados, o movimento do varejo caiu no início de 2021. No país, o volume de vendas do comércio varejista teve retrocesso de 0,2% frente a dezembro.>
Já nas demais bases de comparação, o desempenho do varejo em território capixaba foi positivo. Na comparação com janeiro de 2020, por exemplo, o avanço do comércio varejista ficou em 3,3% no mês. >
As vendas de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação foram as que mais cresceram em relação a janeiro do ano passado, com alta de 27,4%. O dado pode ser explicado pelo aumento de pessoas trabalhando de casa, em função do agravamento da pandemia.>
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As buscas de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos também registraram resultado positivo, com aumento de 15,2% ante janeiro do ano passado. O mesmo ocorre com a venda de combustíveis e lubrificantes (12,5%), e tecidos e vestuário (5,3%).>
Também cresceram as vendas de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo em geral (4,2%), sob influência do isolamento social, que levou as famílias a cozinharem mais, fosse por necessidade, ou como um novo hobby.>
Por outro lado, houve redução nas vendas de livros, jornais, revistas e papelaria (-43,9%). Vale lembrar que, neste ano, em diversos municípios o ano letivo começou mais tarde que o habitual em função dos ajustes necessários diante da pandemia. Também houve queda na venda de móveis (-31,9%) e eletrodomésticos (-4%).>
No acumulado em 12 meses, as vendas do comércio no Estado cresceram 4,5%.>
No índice que avalia as vendas do comércio varejista ampliado, o Espírito Santo apresentou queda de 0,3% em janeiro, na comparação com o mês anterior. O dado agrega aos índices do varejo, as atividades de vendas de veículos, motocicletas, partes e peças e de materiais de construção, que incluem o ramo atacadista.>
Nas demais bases de comparação, o resultado é positivo. Na comparação com janeiro de 2020, por exemplo, o varejo ampliado cresceu 1% no Estado. Já no acumulado em 12 meses, o aumento foi de 3,4%. >
O bom desempenho é puxado especialmente pelas vendas de materiais de construção, que aumentaram 31,3% em relação a janeiro de 2020, sob efeito do aumento de reformas e até mesmo grandes obras, movidas pela queda de juros no mercado imobiliário. Já as vendas de veículos, motocicletas, partes e peças tiveram queda de 6% no período.>
Em janeiro, o volume de vendas do comércio varejista nacional recuou 0,2% frente a dezembro. Foi o terceiro mês seguido de quedas, com predomínio de resultados negativos em 23 dos 27 Estados pesquisados, com destaque para: Amazonas (-29,7%), Rondônia (-9,1%) e Ceará (-4,9%). Por outro lado, influenciando positivamente, figuram quatro das 27 UFs, sendo as principais, em termos de magnitude: Minas Gerais (8,3%), Tocantins (3,7%) e Acre (1,1%). Na comparação com janeiro de 2020, queda foi de 0,3%. Em 12 meses, o varejo nacional cresceu 1%.>
“Com a diminuição do aporte de recursos do auxílio emergencial, a partir de outubro, a capacidade de consumo das famílias diminuiu, com impacto direto no comércio, levando os indicadores à estabilidade em novembro (-0,1%), uma queda em dezembro (-6,2%), e, agora, outra estabilidade em janeiro (-0,2%)”, afirmou o gerente da Pesquisa Mensal do Comércio, Cristiano Santos.>
No varejo ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças e material de construção, o volume de vendas caiu 2,1% em janeiro, na comparação com o mês anterior. Vinte e cinco Estados apresentaram variações negativas, sendo as mais intensas registradas para Amazonas (-33,9%), Rondônia (-5,8%) e Distrito Federal (-4,7%). >
Segundo o pesquisador, a amplitude, no campo negativo, para o Amazonas, tanto no varejo quanto no varejo ampliado, teve influência da restrição de circulação de pessoas, adotada a partir da última semana de janeiro de 2021, em função do colapso do sistema de saúde naquele Estado.>
“Janeiro foi um mês de repique da pandemia, com restrições de funcionamento de estabelecimentos comerciais em alguns estados, que refletiram de maneira mais forte no setor de veículos. Veículos tem o segundo maior peso no comércio, e já vinha de uma queda em dezembro (-3,3%)”, comentou Santos.>
Em relação a janeiro do ano passado, as vendas do comércio varejista ampliado recuaram 2,9% no país. O resultado do segmento no acumulado em 12 meses também é negativo, com retração de 1,9%. >
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