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Samarco vai usar minério da Vale e chegar a retomada total 2 anos antes do previsto

Empresas fecharam acordo para trocas de áreas de reservas minerais, compra e venda de minérios, e uso de áreas de disposição de rejeitos; saiba mais

Tempo de leitura: 3min
Vitória
Publicado em 03/02/2022 às 18h00

A mineradora Samarco, joint venture controlada pela Vale e BHP Billiton, planeja antecipar em dois anos a retomada plena de suas atividades, antes prevista para acontecer janeiro de 2030. Isso será possível graças a um acordo formalizado na quarta-feira (2) que permitirá que a companhia utilize áreas e minério de minas da Vale para ajudar a incrementar a própria produção.

A mineradora voltou a operar suas unidades em Anchieta, no Espírito Santo, e Mariana, em Minas Gerais, em dezembro de 2020. Atualmente, a empresa opera com 26% da capacidade. 

Segundo a Samarco, o acordo envolve uma uma série de contratos entre as duas empresas que vinham sendo discutidos há vários meses dentro do processo de recuperação judicial que a mineradora ingressou em 2021.

Samarco
Complexo da Samarco em Ubu, Anchieta. Crédito: Carlos Alberto Silva

A parceria envolve, entre outros pontos, trocas de áreas de reservas minerais localizadas na cava Alegria Sul e cava Alegria Norte, da Samarco, e da mina Alegria, da Vale, todas na região de Mariana (MG).

O acordo prevê ainda a troca da área Brumado, da Samarco, pela área Mirandinha, da Vale. São espaços vizinhos, o que facilita a mudança e a gestão operacional.

Além disso, também está prevista a aquisição pela Samarco de 32,5 milhões de toneladas de minério de ferro bruto da mina Fazendão, da Vale, o que deve permitir reduzir o descarte de resíduos e melhorar a qualidade da produção da Samarco.

A companhia terá ainda autorização para estudos e direito de aquisição de até 20 milhões de toneladas de minério de ferro, enquanto a Vale terá opção de adquirir até 50 milhões de toneladas de resíduos de minério da outra. Esse processo, porém, não foi explicado pelas empresas.

Além disso, a Samarco terá direito de uso de parte de uma área de disposição de rejeitos, o que dispensará a necessidade de novas licenças.

Com essas mudanças, a mineradora, pretende dar início à ampliação das operações em 2026, quando mais uma usina será religada e outro mineroduto voltará a operar. A retomada de 100% da capacidade, por sua vez, agora é estimada para 2028. Em dezembro, o diretor-presidente da Samarco, Rodrigo Vilela, já havia adiantado que cronograma poderia ser antecipado.

“Espera-se que os acordos tenham papel relevante na melhoria operacional da Samarco, bem como na retomada plena de sua capacidade produtiva. Também é esperado que a cooperação beneficie os municípios nos quais a Samarco atua, de forma a permitir a manutenção de sua responsabilidade social, gerando empregos e atividade econômica para a região”, esclareceu a empresa, por meio de nota.

Apesar disso, ainda não há informações sobre o impacto das mudanças na geração de postos de trabalho. A própria companhia ressaltou que “a eficácia destes acordos, em sua maioria, está sujeita ao cumprimento de determinadas condições precedentes, incluindo, quando aplicável, a aprovação do juízo da recuperação judicial.”

Já é estimado, entretanto, que o acordo proporcione à Samarco um ganho de US$ 5,1 bilhões em receitas líquidas em 20 anos (2022 a 2042). A Vale também foi questionada a respeito do tratado, mas não se manifestou.

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