Passageiros do voo cancelado de Guarapari para BH ainda não embarcaram

Voo sairia no final da tarde de quinta-feira (24), mas foi cancelado. Passageiros relatam que ficaram sem água, sem comida e ainda esperam respostas da companhia aérea

Vitória
Publicado em 25/12/2020 às 12h54
Atualizado em 25/12/2020 às 18h23
Aeroporto de Guarapari foi reformado para receber os turistas no Verão de 2021
Aeroporto de Guarapari. Crédito: Divulgação/Setur/ES

Atualização

25 de Dezembro de 2020 às 18:18

Após a publicação desta matéria, os passageiros do voo cancelado conseguiram embarcar no final da tarde desta sexta-feira (25). Também foram incluídas as respostas da Prefeitura de Guarapari e da Azul Linhas Aéreas.

Após serem obrigados a passar o Natal longe de seus familiares, os cinco passageiros que não conseguiram embarcar em um voo cancelado da Azul, que sairia do Aeroporto de Guarapari, no Espírito Santo, para Belo Horizonte, em Minas Gerais, no final da tarde de quinta-feira (24), ainda se encontram no Espírito Santo, até o início da tarde desta sexta-feira (25), esperando uma definição da empresa aérea.  Eles só conseguiram embarcar no final da tarde desta sexta, mas em Vitória.

A reportagem de A Gazeta conversou com um dos consumidores, um morador de Belo Horizonte que preferiu não se identificar. Ele disse que ainda não foi procurado pela companhia para a remarcação da passagem. 

"Não conheço Guarapari e não tive assistência nenhuma da empresa. Não pagaram nem o táxi de retorno para o centro da cidade. Estou pagando o hotel do meu bolso e ainda tive que passar o Natal longe dos meus familiares. Um pesadelo sem fim!", desabafa, revelando estar assustado com o descaso com que foi tratado pela Azul.

"Fiquei de 12h30 até as 20h de ontem no Aeroporto de Guarapari, sem água e comida. Recebi informações distorcidas. Primeiro, afirmaram que uma van nos levaria até Vitória, onde seríamos recolocados em um novo voo. Depois, disseram que o carro não viria mais e que eu teria que ficar aqui. Ainda continuo sem informações", responde, com aflição. 

SAGA

Outro afetado pelo infortúnio, o empresário do ramo de tecnologia Rodrigo Giovanni de Almeida Domingos Jorge, de 30 anos, pelo menos teve um retorno da Azul, mesmo que ainda sem garantias de que voltaria a Belo Horizonte nesta sexta-feira (25).

"Após esperar, sem água ou comida, no Aeroporto de Guarapari, a empresa me indicou um carro particular, que me trouxe até o Aeroporto de Vitória, onde cheguei às 21h. Me informei (sozinho) sobre a possibilidade de embarcar em um voo da TAM, que sairia às 3h, com destinho a São Paulo, fazendo escala em BH. A Azul me informou que as atividades da empresa em Vitória começam às 15h e que não poderiam me dar um retorno antes disso", reclama. 

Após ficar sozinho no aeroporto da Capital até as 22h30, Rodrigo foi encaminhando a um hotel, localizado na Reta da Penha, uma das principais avenidas de Vitória. "Não pagaram a minha condução e, ao chegar ao hotel, não tinha nenhum restaurante aberto. A minha ceia de Natal foi batata chips, um suco de caixinha, uma barra de chocolate e uma sacola de balas. Foi o pior Natal que passei na minha vida", disse.

O empresário afirmou estar preocupado com o filho de três anos que tem síndrome de down. "Ele não tem noção do que aconteceu e ficou sem dormir, cobrando a minha presença. Minha esposa, de tão aflita, chegou a passar mal", desabafou. Ele afirmou que, na noite de ontem, foi informado sobre um possível retorno a Belo Horizonte.

"A Azul remarcou a minha passagem para às 15h desta sexta (25). Me deram um cartão de embarque, mas não me sinto seguro se o voo vai sair mesmo", responde. 

A psicóloga Stela Rodrigues, de 42 anos, é moradora de Guarapari. Ela esperava ir com os filhos para Belo Horizonte passar o Natal com a mãe e 10 irmãos.

“Ela não juntava os 11 filhos há mais de 30 anos. Tinham três que moravam nos Estados Unidos e que neste ano conseguiram estar aqui. Só faltava eu lá. Comprei a passagem para ir e a Azul cancelou o voo e passou para dia 25. E isso só aconteceu porque a gente insistiu muito. Agora eu estou aqui em Guarapari e não vou passar com a minha família”, lamenta.

Ela também se queixou da falta de estrutura do terminal aeroviário em Guarapari. No local, segundo ela, não há lanchonetes e nem bebedouros. “Eu estava com uma criança de 8 anos e outra de 11 anos. Não tinha água nem para vender. Não tinha um lanche. Eu estava com duas crianças desde 15h40 sem beber água. Não tinha nem para comprar”, reclama.

PROBLEMAS

A rota aérea especial de verão Belo Horizonte x Guarapari começou a ser operada pela Azul na semana passada, em aeronaves modelo Cessna Grand Caravan, que têm capacidade para nove clientes. Mas uma semana após o início das operações, já teve um dos voos cancelados, apesar dos bilhetes vendidos.

Aeroporto de Guarapari. Crédito: Rafael Zambe/ TV Gazeta/Arquivo
Aeroporto de Guarapari. Crédito: Rafael Zambe/ TV Gazeta/Arquivo

Procurada deste a noite de quinta-feira, a Azul respondeu na tarde desta sexta (25) informando que a aeronave não pousou em Guarapari por problemas meteorológicos. "Em consequência disso, o voo AD5103 (Guarapari-Belo Horizonte) foi cancelado e os clientes impactados seguiram por via terrestre até o aeroporto da Capital capixaba. No entanto, a aeronave que iria operar o voo da volta a partir de Vitória foi submetida à uma manutenção não-programada".

A Azul afirmou que os clientes "receberam toda a assistência necessária, conforme prevê a resolução 400 da Anac, e foram reacomodados em voos que da própria companhia programados para hoje". A companhia lamentou aborrecimentos ocorridos e afirmou que ações como essas são necessárias para garantir a segurança de suas operações.

Também entramos em contato com a Prefeitura Municipal de Guarapari, para saber sobre a falta de estrutura do aeroporto, pois os passageiros reclamaram da falta de local para comprar alimentos. Em nota, a prefeitura respondeu que "considerando a recente retomada dos voos comerciais ao Terminal Aeroportuário Municipal de Guarapari, no último dia 17, a Secretaria de Obras do município já está realizando os procedimento para a concessão do uso e exploração do espaço comercial destinado a lanchonete".

*Com informações de Luiza Marcondes, do G1 ES

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