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Publicado em 30 de dezembro de 2023 às 20:03
Enquanto 2023 foi marcado pela incerteza política e econômica, 2024 deve trazer um cenário um pouco mais estável para os investidores. Ainda assim, quem planeja aplicar dinheiro nos próximos doze meses deve se atentar a fatores como o quadro fiscal brasileiro e mundial e a queda das taxas de juros, que, em menor ou maior grau, afetam o bolso da população e a rentabilidade de suas aplicações financeiras. >
Analistas pontuam que a diversificação dos investimentos é fundamental, mas reforçam que, ao buscar alternativas, é sempre importante considerar o tipo de investidor para evitar problemas a longo prazo.>
São três perfis principais:>
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Ao considerar seu perfil e seu momento de vida atual, o investidor corre menos riscos de fazer uma aplicação com a qual não saiba lidar posteriormente.>
Thomas Giuberti, economista e sócio da Golden Investimentos, pontua que após subir os juros para combater a inflação, com maior controle de preços observado nos últimos meses, o Banco Central voltou a reduzir a Selic — taxa básica de juros utilizada no país — e a expectativa é de que o indicador continue a ser cortado em 2024, o que impactará, por exemplo, no rendimento dos ativos de renda fixa. >
“Hoje, existe uma expectativa de que a Selic termine 2024 orbitando em torno de 9,5%, algumas casas falam em 8,5%. Um dos riscos (para renda fixa) em 2024 é se tiver alguma surpresa — taxa Selic ser menor, o câmbio ser menor, a inflação ser menor. Mas, se for o caso, aí alguns ativos com algum nível de risco tendem a performar mais.”>
Até então, os pós-fixados que acompanham a taxa Selic, por exemplo, têm um bom retorno. Enquanto investimentos mais conservadores, os títulos da dívida pública (Tesouro Direto) apresentam boa rentabilidade. O mesmo ocorre com os rendimentos da categoria renda fixa e pós-fixados, que acompanham as taxas de juros. Títulos pré-fixados atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA, também podem ser opções interessantes. >
Outro investimento que continua vantajoso para investidores mais conservadores são os CDBs (Certificados de Depósito Bancário), que são títulos emitidos pelos bancos para captar recursos de investidores e emprestar a pessoas ou empresas, com juros mais altos. >
São investimentos que trazem pouco risco e têm boa rentabilidade nessas circunstâncias. Algumas empresas chegam a oferecer opções de renda fixa que pagam até 150% do CDI (certificado de depósito interbancário), que é um título que serve como lastro de empréstimos entre os bancos, hoje fixado em 11,65%. >
é a taxa Selic atual e há previsão de novos cortes em 2024
Além disso, tem a opção da Letra de Câmbio, um título de renda fixa da mesma família do CDB e das LCIs/LCAs (Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio). Contudo, em vez de ser um título emitido por bancos, é utilizado por financeiras para captar recursos no mercado e emprestar aos clientes e frequentemente paga mais que os CDBs.>
“Existe a expectativa de cortes (da Selic), mas a renda fixa ainda vai render uns juros interessantes. O mercado volta a procurar ativos que vão render 10%, 15% ao ano, e podem ser fundos imobiliários, fundos ligados ao agronegócios”, observa Thomas Giuberti. >
De um modo geral, porém, especialistas observam que há uma série de situações que podem ocorrer ao longo de um ano, por isso, é sempre importante ter atenção às mudanças.>
O head de renda variável e sócio da AVG Capital, Apolo Duarte, ressalta que, no acumulado de 2023, a maior parte das empresas do Ibovespa teve ótima performance, embora o início do ano tenha sido marcado por incertezas globais e temores quanto à transição de governo. Com o passar dos meses, houve avanços importantes e, no cenário que se vislumbra no momento, é possível que um novo ciclo de alta na bolsa esteja começando.>
“Quando olhamos para o histórico, parece que a bolsa brasileira ainda tem um bom gás para frente, pois está negociando abaixo das médias históricas, mesmo após essa alta. Mas é importante manter o olhar no cenário lá fora, acompanhar a evolução dos resultados das empresas, cenário político/fiscal interno e o macro precisa ajudar para que isso se concretize.">
Analista financeiro certificado, o diretor e sócio da Valor Investimentos Pedro Lang avalia que a bolsa brasileira, que recentemente bateu a máxima histórica, tem tudo para continuar alcançando recordes no próximo ano.>
“Ela subiu impulsionada pela aceleração de corte de juros lá fora. O que a gente tem de bandeira amarela é que, se por acaso a inflação se mostrar mais chata lá fora, isso pode continuar no radar dos investidores e atrasar um pouco a festa. No Brasil, a gente vai encerrar o ano com o fiscal um pouquinho duvidoso, então esse é outro ponto de atenção.”>
Ele frisa, porém, que o cenário de queda de juros é muito positivo para as empresas e isso ainda não foi totalmente precificado, o que torna o momento interessante para adquirir ações. Nesse sentido, Lang também reforça que é preciso diversificar os ativos, uma vez que cada ação performa de um modo diferente.>
Analista de investimentos e co-fundador da Escola de Investimentos, Rodrigo Cohen recomenda que o investidor fique atento muito ao que vai acontecer em relação aos juros no mundo. >
“Dados recentes de inflação nos EUA apontam para um cenário de queda de juros por lá. Com isso, me parece que o dólar, a princípio, não terá um ano de alta em 2024. Então, eu acho que o investidor tem que ter sempre cautela, tem que ter sempre, na minha opinião, diversificação. Não colocar todos os ovos na mesma cesta, mesmo que muitas vezes seja bem atrativo”, afirma.>
Além do cenário externo, também é importante acompanhar a evolução dos resultados das empresas e o cenário político e fiscal interno.>
Com a continuidade da queda de juros em 2024, os custos de empréstimos e financiamentos tendem a cair, o que acaba por beneficiar uma série de empresas, que podem obter capital mais barato para expandir seus negócios. >
Neste contexto, marcado ainda pela queda da inflação, o mercado de ações também é beneficiado. Ativos ligados ao setor de consumo podem ser interessantes, assim como ativos de setores ligados à expansão do crédito, como construção civil, educação, ações de transportes e varejo.>
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