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O que o ministro do Trabalho diz sobre a escala 5x2 em visita ao ES

O que o ministro do Trabalho diz sobre a escala 5x2 em visita ao ES

Luiz Marinho defende redução da jornada para 40 horas semanais e afirma que o modelo atual “adoece trabalhadores” e impacta produtividade

Publicado em 11 de março de 2026 às 19:15

ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho
Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, em agenda no ES Crédito: Matheus Itacaramby/MTE

O debate sobre a redução da jornada de trabalho voltou ao centro das discussões no país e foi defendido pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, durante visita ao Espírito Santo nesta quarta-feira (11). Para o ministro, a transição para a escala 5x2, com duas folgas semanais, pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e também trazer ganhos de produtividade para as empresas.

Marinho esteve no Estado para cumprir agenda relacionada ao Pacto pelo Trabalho Decente na Cafeicultura e, durante a visita, conversou com A Gazeta sobre o debate nacional em torno do fim da escala 6x1. Segundo ele, a discussão sobre redução da jornada não é nova e historicamente sempre enfrenta resistência do setor empresarial.

O debate sobre a redução de jornada de trabalho é antigo. O mundo vem evoluindo, e o Brasil também. Quando caiu de 60 para 48 horas e depois para 44 na Constituinte de 1988, o mesmo debate aconteceu de forma muito acalorada. Diziam que ia gerar desemprego, aumentar a informalização, quebrar empresas. Nada disso aconteceu

Luiz Marinho

Ministro do Trabalho e Emprego

Na avaliação do ministro, o modelo atual de organização do trabalho tem gerado impactos negativos para a saúde dos trabalhadores e para a produtividade das empresas. “O mercado de trabalho tal como está hoje anda adoecendo muita gente. Quando você tem pessoas ficando doentes por causa do ambiente de trabalho, você impacta diretamente na produtividade e na qualidade”, disse.

Para Marinho, o fim da escala 6x1 é um passo importante para melhorar as condições de trabalho. Ele classificou o modelo como “rejeitadíssimo no mundo” e destacou que a mudança pode ter impactos especialmente positivos para as mulheres.

Segundo o ministro, ambientes de trabalho mais equilibrados podem reduzir afastamentos e melhorar o desempenho das equipes. De acordo com ele, jornadas mais organizadas e com descanso adequado ajudam a diminuir o absenteísmo — faltas ou afastamentos não programados — e podem aumentar os resultados.

O ministro também citou a possibilidade de redução de acidentes e de problemas de saúde mental entre trabalhadores.

“Sustentabilidade na redução”

Atualmente, duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC) discutem a redução da jornada no Congresso Nacional. Uma delas é a PEC nº 221/2023, apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), e a outra é a PEC nº 8/2025, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP). As duas propostas sugerem a redução para 36 horas semanais, mas o governo federal defende uma transição mais gradual.

Segundo Marinho, a posição do Executivo é que a jornada seja reduzida inicialmente para 40 horas semanais, sem redução de salário e com duas folgas semanais. “O governo não recomenda que o Congresso aprove uma redução para 36 horas imediatamente. Se quiser chegar a 36, tem que pensar qual é a progressão no tempo”, explicou.

O ministro também afirmou que a legislação deve estabelecer regras gerais, enquanto casos específicos podem ser definidos por negociação coletiva entre trabalhadores e empregadores.

Ele citou como exemplo algumas categorias que têm escalas diferenciadas, como ferroviários, que exigem jornadas especiais. “A lei tem que tratar de maneira geral. Você reduz para 40 horas semanais, dois dias de folga por semana. As especificidades, além disso, a convenção coletiva resolve”, concluiu.

Direito das mulheres

Outro ponto destacado pelo ministro foi o impacto da jornada de trabalho na vida das mulheres. Marinho explicou que a redução da carga horária pode ajudar a diminuir desigualdades no mercado de trabalho, já que as trabalhadoras acumulam maior responsabilidade com tarefas domésticas e cuidados familiares.

Segundo ele, jornadas muito extensas acabam dificultando a permanência e o crescimento profissional de muitas trabalhadoras. “Muitas vezes a mãe acaba cuidando sozinha da casa, os filhos não ajudam, o pai não ajuda. Ou então a menina ajuda a mãe e o menino não, porque é o ‘macho da casa'”, relatou.

Para o ministro, a reorganização da jornada pode contribuir para ampliar a participação feminina no mercado de trabalho e melhorar a qualidade de vida das profissionais.

Experiências no setor privado

Nesta quarta-feira, ainda, a rede de supermercados Extrabom anunciou um novo regime de trabalho. Algumas de suas unidades passarão a adotar a escala 5x2 — caso das lojas de Laranjeiras, Gaivotas e Vila Rubim.

De acordo com o Grupo Coutinho, dono da rede, a iniciativa busca tornar as unidades mais atrativas no mercado de trabalho local, aumentando a satisfação e a retenção de talentos e refletindo também na qualidade do atendimento ao público.

Para Marinho, iniciativas desse tipo podem ajudar a impulsionar o debate nacional. “Felizmente tem empresas que já estão dizendo: esse é o caminho, já vamos começar a resolver, já vamos fazer essa transição. Acho ótimo.”

Durante a entrevista, o ministro também comentou a discussão no Espírito Santo sobre o funcionamento de supermercados aos domingos. Ele afirmou que acompanha o debate e disse olhar para a experiência com curiosidade. "Com mais tempo para a família, para estudar ou para lazer — teatro, e cultura — a pessoa volta mais leve para o trabalho. Isso pode aumentar a produtividade, melhorar a qualidade e até diminuir acidentes e doenças, especialmente mentais", reforçou.

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