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Inteligência artificial

Instituto vai criar veículos e sistemas autônomos para indústrias do ES

Entidade fundada a partir da união de empresas, academia, Findes e governo do Estado vai desenvolver tecnologia com o foco de aumentar a eficiência das fábricas capixabas a partir da inteligência artificial

Publicado em 09 de Fevereiro de 2021 às 19:14

Diná Sanchotene

Publicado em 

09 fev 2021 às 19:14
Caminhão autônomo desenvolvido na Ufes
Caminhão autônomo desenvolvido na Ufes: inovação ao alcance das indústrias Crédito: Divulgação
Como já diz o velho ditado: a união faz a força. Pensando nisso, entidades se reuniram para desenvolver veículos e sistemas autônomos para tornar a indústria do Espírito Santo ainda mais eficiente. O resultado dessa união possibilitou a criação do Instituto de Inteligência Computacional Aplicada (I²CA), que entra em operação oficialmente a partir de março.
O trabalho desse grupo será desenvolver inteligência artificial para ser aplicada no parque industrial do Estado, formar pessoal especializado e fortalecer o ecossistema de inovação do Estado, por meio de pesquisas na área de inteligência computacional.
O projeto foi idealizado com a união da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), órgão do governo do Estado, a Associação Capixaba de Tecnologia (Act!on), a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), além da participação de empresas como a ArcelorMittal e Vale.
O aporte financeiro inicial que a entidade vai receber é de R$ 1,5 milhão por ano. Do total de recursos, R$ 500 mil serão da Fapes (já contratados), R$ 500 mil da ArcelorMittal e R$ 500 mil da Vale, ambas em processo de assinatura de contrato.
A expectativa é que outras instituições, como bancos, empresas da área médica e demais setores participem do projeto, ampliando o orçamento. Os contratos terão previsão inicial de 10 anos.
Caminhão autônomo desenvolvido na Ufes
Caminhão autônomo desenvolvido na Ufes Crédito: Projeto Iara / Divulgação
O instituto será dirigido pelo professor Alberto Ferreira de Souza e ficará instalado, inicialmente, na Ufes. “Criamos um grupo forte na área de inteligência artificial e contaremos com o recurso de duas grandes companhias do Estado. O trabalho delas será nos trazer suas demandas para que possamos desenvolver soluções de alto nível”, explica o professor.
O professor Alberto é o responsável pelo projeto Iara, o carro autônomo desenvolvido pela Ufes que ficou conhecido nacionalmente por realizar uma viagem de 50km entre Vitória e Guarapari, em 2017. A repercussão foi tão grande que o sistema foi implantado em um avião a jato comercial da Embraer. O Legacy 500 realizou o primeiro taxiamento autônomo de avião de passageiros da história.
Outro projeto desenvolvido com coordenação do professor foi o Caminhão Autônomo ART (Autonomous Robotic Truck). O veículo totalmente autônomo é voltado, inicialmente, para a indústria e já realiza testes dentro do campus da Ufes.
A presidente da Findes, Cris Samorini, afirma que apoiar a consolidação do I²CA é algo estratégico para a indústria capixaba, uma vez que as áreas de pesquisa vão desenvolver hardwares e softwares que tenham a capacidade de reproduzir vários aspectos da cognição humana, como a visão, o movimento e a interação com objetos e máquinas do mundo físico ou virtual.
A executiva destaca que as soluções baseadas na inteligência artificial vão reposicionar o Estado no cenário nacional de inovações e competitividade da indústria.
“Estamos diante de uma grande mudança mundial nas atribuições humanas nos processos de produção. Ter um núcleo de pesquisa como o I²CA é ampliar a capacidade de entregar soluções capazes de acelerar o desenvolvimento tecnológico das nossas indústrias. A inteligência artificial é o futuro e vamos investir neste caminho”, ressalta Cris Samorini.
O diretor-presidente da Act!on, Emílio Augusto Barbosa, destaca que o instituto vai estar focado em responder às demandas do mercado industrial, trabalhar em desenvolvimento de soluções para as empresas e usando todo o conhecimento da academia.
“O automóvel desenvolvido pelo projeto Iara possibilitou inúmeras outras pesquisas. Com o instituto, empresas podem blindar esse tipo de ideia para que sejam desenvolvidas demandas específicas para cada uma dessas indústrias. A Findes terá um papel importante para atrair outras companhias e quanto mais recursos, melhor vai ser para o desenvolvimento desses projetos”, ressalta Barbosa.

INICIATIVA

Conforme explica o professor Alberto Ferreira,  responsável pelo I²CA, as áreas de pesquisa compreendem a cognição visual artificial, mobilidade autônoma e interação autônoma inteligente. A ideia dessa iniciativa é desenvolver estímulos que imitam a visão, mobilidade e movimentos humanos.
“A tecnologia faz uma combinação de redes neurais que imitam as de uma pessoa. As máquinas precisam ser treinadas porque não têm a memória de longo prazo como a que temos. Esses avanços recentes proporcionam um grande impacto na sociedade. No instituto, teremos a possibilidade de estudar a ciência por trás da inteligência que um computador pode ter”, resume Souza.
O professor cita o exemplo dos benefícios que um caminhão autônomo pode trazer para a indústria. No caso da ArcelorMittal, ele lembra que a empresa quer tornar autônoma uma de suas fábricas, com espaços para que as máquinas produzam produtos sozinhos. A siderúrgica é parceira desse projeto. 
“Outro exemplo é a Vale que precisa fazer a umectação das pilhas de minério para a poeira não subir. Um caminhão, por exemplo, pode passar e derrubar a pilha e machucar o motorista. Com o veículo autônomo, isso não vai acontecer e o motorista pode supervisionar até dois caminhões”, pontua.
"A automação não tira empregos e, ao longo da história, só aumenta a riqueza da humanidade. Só para se ter uma ideia, séculos atrás só quem tinha taça de cristal era alguém com muito dinheiro porque era algo extremamente caro. Com a modernização dos parques industriais, tornou-se um produto acessível a todos. Quanto mais inteligência tiverem as máquinas, mais as coisas serão baratas"
Alberto Ferreira de Souza - Professor da Ufes e responsável pelo I²CA
Ele ainda destaca que uma indústria forte possibilita a geração de emprego e renda no país e o propósito do instituto será incubar essas iniciativas que servirão para melhorar a vida de todos.
Para Emílio Barbosa, da Act!on, a vantagem do trabalho do instituto serão as pesquisas para o mercado. “Se a tecnologia consegue desenvolver caminhão e avião, porque não produzir equipamentos de fábricas autônomos. Essa inovação pode ser utilizada em todos os segmentos da economia, dando mais agilidade ao que o ser humano não consegue fazer sozinho”, afirma.
As empresas que queiram participar com o I²CA podem procurar o Centro Tecnológico da Ufes, de segunda a sexta, das 9h às 18h e aos sábados das 9h às 12h. Outras informações complementares estão disponíveis no portal www.i2ca.ai.

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