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Indústria agroalimentar quer selo para identificar produto feito no ES

A ideia é mostrar para o consumidor quais produtos que ele encontra no mercado são feitos no Espírito Santo, gerando emprego e renda para os moradores do Estado. Série de A Gazeta apresenta os desafios dos setores da indústria capixaba até 2035

Publicado em 28/01/2020 às 10h49
Atualizado em 31/01/2020 às 14h46
Café é o principal produto do setor agroalimentar, ocupando quase 70% das áreas colhidas no Espírito Santo. Crédito: Café Cordilheiras do Caparaó /Divulgação
Café é o principal produto do setor agroalimentar, ocupando quase 70% das áreas colhidas no Espírito Santo. Crédito: Café Cordilheiras do Caparaó /Divulgação

A importância do setor agroalimentar no Espírito Santo ultrapassa os séculos. Ainda enquanto colônia portuguesa, o Estado produzia cana-de-açúcar, na região de São Mateus, Norte capixaba. O tempo passou, os regimes administrativos mudaram e as culturas se diversificaram, mas continuam tendo grande força na economia capixaba e, com isso, pode ser que ganhem até selo especial de identificação.

Nesse contexto, um passo importante para o fortalecimento do agronegócio capixaba, na visão do presidente da Câmara de Alimentos e Bebidas do Espírito Santo, Vladimir Rossi, é a criação do selo que identifica os produtos que são feitos no Estado.

“Este selo é uma das articulações que está prevista. E a gente não faz isso com a intenção de proibir a entrada de algum produto de fora. Queremos, simplesmente, que o consumidor veja que nós temos produtos de boa qualidade e que são produzidos aqui, gerando emprego e renda”, explicou Rossi.

O café, por exemplo, que desde o século XIX é o principal produto agroalimentar do Estado - representando atualmente 69,5% de toda a área colhida -, ganharia uma chancela diferenciada para o capixaba.

Segundo ele, os produtores que tiverem interesse no selo deverão atender a uma série de pré-requisitos. As exigências, no entanto, ainda estão sendo discutidas junto aos órgãos e setores competentes.

Mas a criação de um selo não é o único trabalho a ser feito, segundo relata o presidente da Câmara de Alimentos e Bebidas do Espírito Santo. “As prioridades e desafios são muitos. A gente precisa trabalhar a cultura do empreendedorismo, a educação - capacitar desde o produtor até o vendedor no comércio -, aumentar a capacidade produtiva, investir em tecnologia, entre outros fatores.”

Já no campo das políticas públicas, os principais desafios são referentes à logística, aos entraves burocráticos e dificuldades para compra de materiais e equipamentos de outros Estados ou países.

OBJETIVO É AUMENTAR VALOR AGREGADO DOS PRODUTOS

Questionado sobre onde o Estado pode chegar em 2035 no setor agroalimentar e na indústria do café, Rossi foi enfático. Não adianta pensar que o Espírito Santo vai ser um grande centro agrícola - até mesmo pela falta de espaço físico. “Nosso Estado é relativamente pequeno. Se você pensar bem, ele não vai produzir soja, milho, trigo, que são culturas que precisam de muita área. Isso não temos”, observa.

“Então o que precisamos fazer? Temos que desenvolver produtos que tenham valor agregado. Um café, um queijo, uma cerveja com diferenciais que agradem às pessoas. Porque matéria-prima todo mundo vende, mas vende barato. Mas se você tiver uma matéria-prima finalizada, já com valor agregado, sua margem de lucro é maior”, argumenta Rossi.

O valor agregado dos produtos teria como objetivo a venda para consumidores locais, mas também para a exportação para outros Estados ou países - já que o mercado consumidor no Espírito Santo é restrito. “Temos que ser exportadores de produtos e consumidores do que é feito aqui. Esse é o grande desafio para a gente chegar em 2035 com a entrega que a gente acredita que possa ter”, concluiu Vladimir Rossi.

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