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Decisão da Ford de fechar fábricas pega concessionárias de surpresa no ES

O anúncio foi feito pela empresa nesta segunda-feira (11). Lojas ainda vão comercializar veículos importados da Argentina e Estados Unidos

Publicado em 11/01/2021 às 22h10
Atualizado em 12/01/2021 às 09h21
Ford Ecosport Active 2020
Ford EcoSport sairá de linha e deixará de ver vendido no Brasil. Crédito: Divulgação/ Ford

A decisão da Ford de fechar as três fábricas que tem no Brasil, anunciada nesta segunda-feira (11), pegou todo o mercado de surpresa, inclusive as concessionárias do Espírito Santo. Com a mudança na estratégia da multinacional, as lojas vão comercializar apenas veículos importados, já que não haverá mais produção no país.

O encerramento das operações ocorrerá nas fábricas em Taubaté (SP), Camaçari (BA) e Horizonte (CE). Juntas, as três unidades empregam diretamente 5,3 mil pessoas. O movimento de fechamento foi feito meses depois de a multinacional vender a unidade de São Bernardo do Campo (SP). 

O diretor da rede de concessionárias Contauto, Apolo Figueiredo Risk, conta que a notícia o pegou de surpresa. "Fomos comunicados sobre o encerramento das fábricas hoje, foi uma surpresa. Porém, já sabíamos que a Ford estava passando por um processo de reestruturação global muito forte, mas não sabíamos que isso ia acontecer", comenta.

Em comunicado, a Ford informa que tomou a decisão após anos de perdas significativas no Brasil. A multinacional americana acrescenta que a pandemia agravou o quadro de ociosidade e redução de vendas na indústria. "A Ford está presente há mais de um século na América do Sul e no Brasil e sabemos que essas são ações muito difíceis, mas necessárias, para a criação de um negócio saudável e sustentável", afirmou, em nota, Jim Farley, presidente da Ford.

O fim das operações fabris no país fará com que a produção de quatro linhas seja encerrada: Ka, Ka Sedan, EcoSport e Troller T4. De acordo com o Auto Esporte,  em 2020, Ford Ka foi o 5º carro mais vendido no país. Quando somados os emplacamentos das versões hatch e sedan (Ka Plus) do Ka, ele passa a ser o 2º modelo mais vendido do Brasil.

Com a reestruturação global da montadora, a marca continuará no país, porém, apenas com veículos importados.  A Ranger passa agora a ser o único carro de passeio fabricado na América Latina que continuará à venda no Brasil. Ele é importado da Argentina. Já do Uruguai, a Ford trará a nova geração da van Transit.

Ainda segundo o Auto Esporte, a linha de importados da marca passa a ser composta por Ranger, Mustang e Territory. Além deles, ainda há o Transit, o Bronco Sport e a Maverick, inédita picape média-compacta que será posicionada no segmento da Fiat Toro. 

Rizk explica que os preços dos carros que serão trabalhados pelas concessionárias não devem sofrer alterações, já que esses modelos já são trazidos de outros países. "Carros saem de linha a toda hora. Nos EUA, por exemplo, a empresa não trabalha mais com os carros sedan, só com os SUV, que são o que o público quer e também os modelos que trazem mais rentabilidade à marca", aponta.

Ele esclarece ainda que as lojas garantirão o serviço de pós-venda aos clientes que adquiriram os veículos que saíram de linha. "Nossas inalações vão continuar funcionando normalmente. Nossos clientes que têm veículos Ford vão continuar fazendo todo tipo de serviço, de pós-venda, de manutenção do veículo normalmente também."

A Gazeta tentou contato com o Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Espírito Santo (Sincodives), mas não houve retorno.

REPERCUSSÕES

Além do mercado, o anúncio da Ford também pegou de surpresa o governo brasileiro. O vice-presidente Hamilton Mourão disse que a empresa, que está no Brasil há 100 anos, poderia ter retardado a decisão. "Não é uma notícia boa. Eu acho que a Ford ganhou bastante dinheiro aqui no Brasil. Me surpreende essa decisão que foi tomada aí pela empresa", comentou.

Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que o fechamento da produção no País é uma demonstração da "falta de credibilidade" do governo federal.  Para ele, o anúncio da montadora evidencia a ausência de regras claras, de segurança jurídica e de um sistema tributário racional.

O atual presidente da Casa apontou que o sistema tributário teria se tornado um “manicômio” nos últimos anos, com impacto direto sobre a produtividade.

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