Publicado em 26 de abril de 2022 às 11:03
A suspensão do serviço Porta a Porta, voltado para pessoas com deficiência, tem atrapalhado o dia a dia de mais de 400 cadeirantes em Vitória, que dependem do transporte para ter acesso a tratamentos de saúde, escola e trabalho.>
O serviço disponibilizado pela Prefeitura de Vitória está paralisado desde março. Os veículos saíram de circulação após a empresa que atuava nessa atividade se recusar a renovar o contrato. >
De acordo com a prefeitura, o edital de credenciamento continua aberto sem apresentação de propostas. Ou seja, não há interessados em atuar no serviço. Assim, não há previsão de quando as viagens serão retomadas.>
A professora Luciana Ferrari é mãe da Lívia, de 12 anos, que não anda por causa de uma paralisia cerebral. Ela conta que utilizava o serviço de segunda a sexta-feira para levar a filha à escola e, três vezes na semana, para a fisioterapia.>
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No dia 12 de março, Luciana recebeu uma mensagem pelo WhatsApp da equipe Porta a Porta, informando que a partir do dia 13 de março as viagens do transporte estariam suspensas e apenas os atendimentos de hemodiálise seriam realizados pela Secretaria de Saúde.>
Para a professora, o serviço prestado pelo Porta a Porta é essencial, pois é um veículo espaçoso, adaptado para receber pessoas em cadeira de rodas, e oferece os acessórios necessários para a segurança do usuário durante o percurso.>
"Enfrentamos dificuldades para transportá-la em um carro convencional. Soma-se a isso o peso da cadeira de rodas que precisa também ser levada no veículo. Apesar de algumas limitações relacionadas ao aplicativo por meio do qual fazemos o agendamento das viagens pelo Porta a Porta, como alguns atrasos nos compromissos agendados e alguns cancelamentos de viagens, o serviço funcionava de modo bem satisfatório e, logo, tornou-se essencial para o transporte da minha filha à escola e às sessões diárias de fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia,” ressalta Luciana.>
A suspensão do serviço também pegou Bárbara Eloah Lopes, de 32 anos, de surpresa. Ela usava o transporte há mais de 10 anos. >
“Moro em um local com difícil acesso ao ponto de ônibus e estudo na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Com o retorno das aulas presenciais me deparo novamente com o problema de locomoção para estudar”, diz Bárbara Eloah Lopes, que é estudante do curso de Letras em Libras.>
Bárbara utilizava o transporte do Porta a Porta todos os dias para se locomover e conseguir cumprir com seus compromissos. >
Com a volta das aulas presenciais na faculdade, a estudante conta que não sabe como continuará estudando, já que são muitas as situações que os cadeirantes enfrentam quando dependem dos transportes públicos e privados (serviço de aplicativos). >
“A cadeira de rodas nunca me impediu de fazer nada ou de ir a lugar nenhum. Mas, sem o único serviço que consigo utilizar, com segurança e confiança, para fazer as minhas atividades e prosseguir com os meus estudos, me deixa com sentimento de impotência. Como um pássaro preso na gaiola”, desabafa a estudante.>
Pedro Henrique dos Santos, de 12 anos, tem baixa visão, obesidade mórbida e má formação cerebral, o que faz com que ele dependa de uma cadeira de rodas para se locomover. De acordo com a costureira Geiza Santos, mãe da criança, ela utilizava o serviço Porta a Porta já há oito anos. >
Pedro faz parte do projeto Despertar Para Vida e dependia do transporte todos os dias da semana para fazer suas atividades e ter o acompanhamento com a fonoaudióloga, endocrinologista e neuro. Desde a paralisação do serviço, Geiza não consegue levar o filho para as atividade e teme perder os benefícios.>
"Hoje, eu só consigo levar o Pedro para a escola pois moramos ao lado. Para os outros compromissos não consigo levá-lo, inclusive estou com medo dele perder a vaga das atividades. Até tentei algumas vezes sair de ônibus, mas sempre tem um problema na rampa ou já tem um cadeirante no ônibus", desabafa a costureira.>
Se tratando de transporte público, tanto Geiza, quanto Bárbara, e Luciana afirmam que o serviço não atende a população com deficiência como deveria. Para elas, os ônibus adaptados são ótimas opções, porém, quando as rampas funcionam, sem contar também com o constrangimento que passam quando elas não funcionam, já que muitos passageiros não entendem a situação.>
O que diz a Prefeitura de Vitória
A Secretaria de Transportes, Trânsito e Infraestrutura Urbana de Vitória (Setran) informa que a empresa que prestava o serviço não teve interesse em renovar o contrato, o que provocou sua interrupção. Ressalta, ainda, que o edital de credenciamento para os interessados em prestar o serviço continua aberto e eles poderão manifestar interesse imediato junto ao órgão.
A expectativa é que o serviço seja retomado o quanto antes, com valores que serão reajustados no novo credenciamento.
Enquanto o processo tramita, os usuários da Região Metropolitana podem contar com o serviço Mão na Roda, administrado e oferecido pela Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Espírito Santo (Ceturb).
Os usuários cadastrados no serviço Porta a Porta que precisam realizar hemodiálise estão sendo atendidos por transporte oferecido pela Secretaria Municipal de Saúde. Com a volta do serviço oferecido pela Prefeitura, demais usuários cadastrados pelo município também serão atendidos.
A Setran informa, ainda, que estão cadastrados 419 usuários aptos a utilizar o transporte, porém, em média, 120 utilizam regularmente quando em uso. O sistema é exclusivo para pessoas com deficiência e que usam cadeiras de roda. As motivações para uso, além de saúde, são educação, lazer e trabalho.
Os requerentes devem fazer a solicitação presencialmente. São necessários CPF, Carteira de Identidade, comprovante de residência. É importante apresentar o laudo médico e o telefone para informações e agendamento é o telefone é 3382.6450 ou pelo 156 para que seja feita a solicitação.
De acordo com a Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Espírito Santo (Ceturb), atualmente, 2.577 cadeirantes estão cadastrados no serviço Mão na Roda que é destinado a pessoas totalmente dependentes de cadeiras de roda, de forma permanente ou temporária. O serviço é operado por 25 veículos adaptados com elevadores hidráulicos, conduzidos por motoristas treinados para realizar o transporte com conforto e segurança, uma vez que receberam aulas de direção defensiva, relacionamento interpessoal e trato com pessoas com deficiência. >
Para se cadastrar, agendar ou cancelar viagens, basta acessar o portal do Serviço Especial Mão na Roda (gvbus.org.br).>
Os agendamentos também podem ser feitos por telefone (0800 038 7077) com 48 horas de antecedência da data da viagem. Pelo site, esse prazo é de até 14 dias de antecedência. >
Quem ainda não é cadastrado no Mão na Roda, deve acessar o site e clicar em "Quero me cadastrar", preencher a ficha com os dados pessoais do beneficiário e anexar os documentos pedidos para a perícia. São aceitos laudos e receitas médicas. Caso seja menor de idade, a documentação do responsável também deverá ser enviada, nos campos específicos. Feito isso, basta aguardar o retorno da equipe técnica da Ceturb-ES, que poderá deferir ou não, conforme a análise de cada caso. >
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