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Polícia em busca de respostas sobre a morte de Fernando Cabeção

Fernando de Oliveira Reis foi assassinado no último domingo, em Itapuã,  Vila Velha. O crime é um mistério

Publicado em 03/07/2020 às 06h00
Atualizado em 03/07/2020 às 09h08
Condenado por assassinato de Alexandre Martins é executado em Vila Velha
Condenado por assassinato de Alexandre Martins é executado em Vila Velha. Crédito: Reprodução/TV Gazeta

A execução de Fernando de Oliveira Reis, o Fernando Cabeção,  42 anos, no último domingo (28), dentro de um carro de luxo, em Itapuã, Vila Velha, intriga a todos que um dia ouviram falar o nome ele e até a polícia. Fernando foi condenado por envolvimento na morte do juiz Alexandre Martins, em 2003,  e atuou como chefe do tráfico em Guaranhus, no mesmo município onde foi assassinado.  Para a polícia, as investigações seguem  na tentativa de encontrar o motivo e a autoria do crime. 

A morte aconteceu na Avenida Carioca, que dá acesso à Terceira Ponte. Fernando estava acompanhado da esposa, que dirigia o carro, uma BMW de cor prata. Segundo o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, assim que o casal parou no semáforo fechado, um outro carro prata emparelhou  ao lado de Fernando,  que estava no banco do carona, e abriu fogo contra a janela.

Uma pistola calibre 380 foi descarregada contra Fernando. Quatro tiros atingiram o braco direito dele, outros cinco a região direita das costelas e mais três o peito da vítima. Um motoqueiro dava apoio ao carro dos criminosos, que fugiram  logo em seguida. 

O carro em que Fernando estava, uma BMW de cor prata, ano 2013, pertence à esposa dele. O veículo não tinha restrições.

Fernando Cabeção foi executado a tiros dentro do carro dirigido pela esposa
Fernando Cabeção foi executado a tiros dentro do carro dirigido pela esposa. Crédito: Internauta

Fontes ouvidas pela reportagem chamaram a atenção para a precisão do autor dos disparos. Além da certeza de saber que Fernando era quem estava no banco do carona, os 15 tiros com a pistola foram todos num ponto único do vidro do carro, que indicaria que é alguém que sabia exatamente  o que estava fazendo e possui certo preparo. 

Fernando não resistiu aos ferimentos e morreu no local. A esposa dele foi levada por uma ambulância do Samu para o hospital, pois apresentava ferimentos leves de estilhaços do vidro.  O socorro foi feito por uma equipe da Polícia Militar estava nas redondezas e conseguiu chegar rapidamente à cena do crime, acionou apoio para tentar localizar os autores, mas ninguém foi detido.  

Juiz Alexandre Martins, assassinado em 2003
Juiz Alexandre Martins, assassinado em 2003. Crédito: Arquivo | TV Gazeta

POR QUÊ MATAR FERNANDO CABEÇÃO?

Condenado há 23 anos por envolvimento na morte do Juiz Alexandre Martins em 2005, Fernando passou oito anos em um presídio Federal fora do Espírito santo. Em 2014, ele foi transferido para a Penitenciária de Segurança Máxima de Viana, de onde saiu apenas no final de 2019 por autorização da Justiça. 

Antes de ser preso, Fernando era a maior liderança do bairro Guaranhus, em Vila Velha, segundo a polícia. Desde que saiu da cadeia, estava morando em Jardim Camburi, Vitória, mas não deixou de frequentar antigo bairro, local onde mantinha familiares e amigos.  

"Ele era querido por muitas pessoas. Na pandemia, chegou a deixar de cobrar o aluguel de uma igreja que funciona no imóvel dele e até doou cestas básicas no bairro", conta uma moradora de Guaranhus, que pediu para não ser identificada. 

O caso foi encaminhado à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha. Apesar de ser um crime recente, a polícia está levantando hipóteses para a motivação da execução.  

Não há registro de que Fernando tenha recebido ameaças recentes. No entanto, fontes ouvidas pela reportagem confirmam que o crime pode estar relacionado ao tráfico de drogas, mas que não teria relação com uma guerra com traficantes de Guaranhus e região vizinha. 

ASSASSINATOS EM VILA VELHA

O assassinato de Fernando Cabeção foi  mais um dos registros de crimes violentos na cidade de Vila Velha em apenas uma semana.  Horas antes da morte de Fernando, um rapaz foi morto a tiros no bairro Divino Espírito Santo.  Ainda não é possível afirmar que o casos tenham relação.

Na terça-feira (30), a guerra de traficantes estourou no bairro Boa Vista. Primeiro, às 18 horas, Rafael Peixoto Gonçalves, 30 anos, foi alvo de atiradores em um carro. Duas horas depois, um casal foi assassinado dentro de um Toyota Corola. 

O bairro Cristovão Colombo  foi o local de cena de crime, na quarta-feira (01), quando Iago Nascimento Alves, 20 anos,  foi morto com mais de 30 tiros disparados por dois homens em bicicletas,  às 19 horas. Já em Ilha dos Ayres, por volta das 22h30, um outro rapaz foi localizado no meio da rua baleado, foi socorrido, mas não resistiu. 

Nos demais assassinatos, até o momento, não há indícios de que os casos tenham relação com a morte de Fernando Cabeção.

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