Blocos gigantes de concreto que lembram peças de Lego — brinquedos de construção com peças de plástico interconectáveis — estão sendo usados em uma obra e chamam a atenção em praias de Jacaraípe, na Serra. Responsável pela intervenção, o Departamento de Edificações e de Rodovias (DER-ES) explicou que a tecnologia é inédita no Espírito Santo e tem objetivo de frear o avanço do mar em trechos onde a erosão já ameaça até a rodovia ES 010.
A obra está orçada em R$ 17,4 milhões e é executada pela Premier Engenharia em dois trechos: 305 metros na Praia da Curva da Baleia (lote 1) e 232 metros na Enseada de Jacaraípe (lote 2) — onde a intervenção na altura da Praia de Capuba está em fase final — segundo o DER, a parte paisagística deve ser concluída em até 15 dias.
O que são os “legos de concreto”?
Apesar do nome que desperta curiosidade, não há relação formal com a marca dinamarquesa Lego. A comparação é apenas visual, já que os blocos são retangulares e se encaixam uns sobre os outros, lembrando as peças do brinquedo.
Segundo o DER-ES, a tecnologia é inspirada em soluções europeias usadas nos Países Baixos para contenção de erosão costeira. Em janeiro deste ano, o diretor-geral do Departamento de Edificações e de Rodovias, José Eustáquio de Freitas, chegou a visitar Maceió, no Nordeste brasileiro, para conhecer de perto obras com o mesmo tipo de peça: blocos pré-moldados de até 1,5 tonelada.
O diretor-geral do DER-ES explicou, em vídeo publicado em seu Instagram, que a ideia é resolver a erosão marítima em Jacaraípe, um problema antigo na região.
Temos uma forte influência de erosão costeira que impacta na nossa rodovia ES 010. Já tivemos várias intervenções, mas sempre precisamos renovar esse enroncamento. Estamos iniciando uma obra altamente tecnológica que vai resolver definitivamente o problema dessa erosão
Situação das obras
Segundo informado pelo departamento, a intervenção em Capuba começou em julho de 2025 e segue para a etapa final, com foco no paisagismo. Já a Curva da Baleia iniciou as obras há uma semana e tem prazo estimado de conclusão para meados do próximo ano. O cronograma geral prevê 450 dias de execução.
DER-ES explica blocos próximos ao mar
A reportagem de A Gazeta foi até o local para mostrar a situação da obra e verificou que os blocos estavam dispersos e próximos ao mar. Questionado, o DER-ES explicou que não houve nenhum tipo de deslocamento e afirma que, na verdade, as estruturas estão lá por uma questão estratégica.
O DER-ES afirmou que os blocos na água fazem parte de uma “tática de obra”: são colocados temporariamente para reduzir a força das ondas enquanto as primeiras etapas são executadas, como a construção da escada de acesso na Curva da Baleia. Assim que essa infraestrutura inicial é finalizada, os blocos são retirados e reposicionados na contenção definitiva.