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Novas cepas

Mutação que deixou coronavírus mais contagioso pode afetar volta às aulas

Todas as variantes detectadas aumentaram a capacidade do vírus de contaminação, inclusive afetando maior número de crianças

Publicado em 11 de Janeiro de 2021 às 10:47

Publicado em 

11 jan 2021 às 10:47
Coronavírus
Mutações estão aumentando o potencial de contágio do coronavírus Crédito: Pixabay
Mutação que deixou coronavírus mais contagioso pode afetar volta às aulas
Desde que o novo coronavírus teve o seu genoma divulgado, em janeiro do ano passado, várias cepas já foram identificadas. Uma delas levou o Reino Unido, onde ela se alastrou, a decretar logo no início de janeiro um novo lockdown. Outra surgiu na África do Sul, com múltiplas mutações e, na sequência, uma nova versão do vírus também foi identificada no Brasil. Todas aumentaram a capacidade do vírus de contaminar, inclusive afetando também mais crianças, o que ameaça até a volta as aulas.
“O coronavírus encontrou uma forma de ser mais transmissível”, aponta a epidemiologista Ethel Maciel. Segundo ela, que é pós-doutora em Epidemiologia pela Johns Hopkins University, nos EUA, e professora titular da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o vírus ficou "mais eficiente", com maior transmissibilidade.
“Na prática, embora não provoque casos mais graves da Covid-19, por ser mais contagioso a partir destas mutações, provoca mais mortes, por afetar um volume maior de pessoas, incluindo as que possuem comorbidades, que fazem parte dos grupos de risco”, explica.
Ela relata que Centro Europeu de Controle de Doenças (European Centre for Disease Prevention and Control) fez um alerta de que a mutação do coronavírus identificada no Reino Unido tem sua capacidade de contaminação ampliada em 70%. “O que significa que, se ele podia contaminar 100 pessoas, agora pode contaminar até 170”, explica. Em Londres a mutação já é responsável por 60% das infecções da doença.
Outra preocupação é que ele também conseguiu ser “mais eficiente” em contagiar as crianças. “Isso impacta diretamente na reabertura das escolas. O mundo estava preparando a volta às salas de aula, mas com esta mutação, as medidas de controle que vínhamos adotando, como o fechamento de alguns setores enquanto outros funcionam, podem não dar resultados. A Europa já está constatando que isto não impede a transmissão. É uma preocupação a mais que torna ainda mais urgente a necessidade da vacina”, pondera.
O problema é que o retorno das atividades escolares poderia ampliar a transmissão do vírus, aumentando também o número de novos casos e de internações. Isso porque, embora crianças e jovens não tenham tendência a desenvolver a forma mais grave da doença, eles teriam mais chances de serem infectados pela cepa mais contagiosa e podem acabar contaminando pessoas do grupo de risco.  
Embora a nova mutação ainda não tenha sido confirmada no Espírito Santo, Ethel estima que é muito provável que ela já esteja circulando no Estado. “Muito provavelmente esta nova variante do coronavírus já está no Estado, precisamos só confirmar”, avalia. 

 MUTAÇÕES NO MUNDO

É comum vírus sofrerem mutação. À medida em que vão trocando de hospedeiro, o material genético que é replicado, gera pequenas diferenças, numa espécie de adaptação a uma nova espécie. Cada vez que estas mudanças ocorrem vão surgindo novas cepas - também chamadas de linhagens ou variantes - que podem conter uma ou mais mutações.
No caso do novo coronavírus já ocorreram várias, uma delas, identificada na Espanha em 2020, foi responsável por cerca de 40% dos contaminados na 2ª onda que atingiu o país e ainda outros do continente. Outra, identificada na Dinamarca, levou ao sacrifício de 17 milhões de visons. O Instituto Statens Serum, que lida com doenças infecciosas naquele país, anunciou que uma mutação do SARS-CoV-2 (novo coronavírus) tinha sido encontrada em doze pessoas, em cinco fazendas de criação de visons.
No fim de dezembro de 2020, a chamada B.1.1.7 foi identificada no Reino Unido. “Duas semanas depois ela estava em mais de 27 países”, relata Ethel. Logo em seguida foi identificada a mutação da África do Sul. Em matéria da CNN Brasil, o ministro de Saúde britânico, Matt Hancock,  relatou que a variante sul-africana é ainda mais perigosa do que a mutação altamente infecciosa identificada no Reino Unido.

VACINAÇÃO

A diferença entre as variantes do coronavírus britânica e sul-africana é que a do Reino Unido gerou apenas uma mutação. Já no caso da sul-africana, as informações são de que ocorreram múltiplas mutações que afetaram a proteína "spike", que é utilizada pelo vírus para infectar células humanas. Essa proteína é utilizada em alguns testes para constatar se o paciente está com a Covid-19.
No último dia 4, o governo de São Paulo confirmou as suspeitas de que dois brasileiros já contraíram a variante do coronavírus detectada primeiro no Reino Unido. As duas pessoas infectadas são um homem de 34 anos e uma mulher, de 25 anos.
Na avaliação de Ethel Maciel, essas descobertas tornam ainda mais urgente a vacinação. “A medida que o vírus vai se multiplicando, o que ocorre nas transmissões, surge a chance de ter mudanças e modificações que podem inviabilizar as vacinas. É grande preocupação neste momento, que a gente diminua esta aceleração do vírus e chances de mutações, que possam inviabilizar o esforço da vacinação”, pondera.

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