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Inverno potencializa o coronavírus? Médica do ES explica esse cenário

Chegada da estação mais fria do ano deixa muitas pessoas em dúvidas sobre como a doença pode se comportar no inverno e os riscos para a população

Publicado em 30/04/2020 às 17h10
A médica pneumologista Cilea Martins explica os impactos da Covid-19 nos pulmões
A médica pneumologista Cilea Martins  é uma das referências no Estado em doenças respiratórias. Crédito: Reprodução/TV Gazeta

A estação vigente ainda é o outono, mas daqui a menos de um mês o inverno começará. É justamente nesse período que o número de complicações respiratórias e doenças relacionadas dão um salto por conta do clima frio, entre outros fatores. Mas em tempos de pandemia de coronavírus, a dúvida existente é se existe relação da doença com a estação mais fria do ano.

Na verdade não há uma resposta científica que comprove essa ligação. Pelo menos é o que explica a pneumologista Cilea Martins, ex-presidente da Sociedade de Pneumologia do Espírito Santo. Segundo ela, nenhum estudo conseguiu atestar que no inverno o Sars-Cov-2, vírus da Covid-19, fique mais potente, por exemplo.

Cileia Martins, pneumologista e ex-presidente da Sociedade de Pneumologia do Espírito Santo
Cileia Martins é pneumologista e ex-presidente da Sociedade de Pneumologia do Espírito Santo . Crédito: Reinaldo Carvalho/CPI do Pó Preto

"Esse é um questionamento que muitos fazem às vésperas da troca da estação, mas o que se sabe até o momento é que nada foi provado. Ocorre que quando essa doença ganhou notoriedade na China e também na Europa, principalmente, era época de inverno. Agora estamos prestes a entrar nessa estação e surgem essas dúvidas. Porém ainda não se estabeleceu uma ligação concreta entre o frio e um eventual ganho de força por parte do vírus", explica a especialista.

OUTROS RISCOS

A pneumologista, entretanto, alerta para as pessoas que já possuam problemas respiratórios como asma e bronquite. Nesses casos, é extremamente necessário que se prossiga com o tratamento, inclusive com as medicações rotineiras, pois um eventual agravamento do quadro clínico pode levar a pessoa a uma internação e desta forma aumentando os riscos de exposição ao coronavírus.

"Quem já possui essas doenças deve se atentar ainda mais aos cuidados com a chegada do inverno. Nessa época, com o ar mais seco, as chances de irritação do trato respiratório são maiores. Portanto, quem já tem algum tipo de problema pode se colocar em risco caso não siga se cuidando. Na verdade, esse grupo de pessoas deve intensificar os cuidados e também com a limpeza dos ambientes. O que é perigoso é necessitar ir a um hospital. Como se sabe, o ambiente hospitalar é altamente favorável para que ocorra a infecção. Uma pessoa com problemas respiratórios fica mais exposta à doença", reforçou a pneumologista.

POEIRA E ÁCARO

Nesse sentido, Cilea Martins pede que se combata ao máximo o ácaro, um dos grandes causadores de rinites e alergias. Com medidas simples já é possível eliminá-lo.

"Quem é alérgico sabe bem o que precisa ser feito, pois nessa época as alergias atacam e o ácaro é um dos vilões. Então, ao limpar a casa, deve-se evitar varrer para não suspender a poeira e lançá-la sobre móveis, sofás e colchões. Consequentemente o ácaro também acaba indo parar sobre essas superfícies. Ao invés de limpar, iria espalhar. O ideal é passar pano com uma solução de água acrescida de vinagre branco e bicarbonato de sódio para matar o ácaro", frisou a pneumologista.

A médica também pede atenção especial à circulação de ar dentro de casa. A recomendação é manter os ambientes o mais arejado possível, deixando janelas abertas para que o sol atue. Além disso, se for possível, utilizar o ar condicionado quando necessário, pois o aparelho filtra o ar, diferentemente do ventilador que espalha o ar pelo quarto. Na ausência de um umidificador para usar junto do ar condicionado, a pneumologista recomenda que se coloque um recipiente com água para que o ambiente fique mais úmido.

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