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Hospital Santa Rita vai suspender parte de atendimento a pacientes com câncer

O motivo é a falta de insumos radioativos por parte do órgão do governo federal que abastece o hospital. Veja o comunicado da entidade

Publicado em 22/09/2021 às 10h12
Hospital Santa Rita de Cássia, em Vitória
Hospital Santa Rita, em Vitória. Crédito: Hospital Santa Rita/Divulgação

Atualização

22 de Setembro de 2021 às 20:32

Uma portaria foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União, liberando aproximadamente R$ 19 milhões para a produção e fornecimento de radiofármacos no país. O texto foi atualizado.

O Hospital Santa Rita, em Vitória, vai suspender o atendimento a pacientes que necessitam de exames e tratamentos radiofármacos e radioisótopos pela Medicina Nuclear a partir da próxima segunda-feira (27). A suspensão afeta exames e tratamentos de pacientes com câncer. O motivo é a falta de insumos radioativos por parte do órgão do governo federal que abastece o hospital. Todos os demais setores do hospital não serão afetados, como Radioterapia, Quimioterapia, Exames Radiológicos (Tomografia, Ressonância e Ultrassom), Internações, Cirurgias etc.

De acordo com comunicado enviado pelo hospital, os atendimentos que necessitam de exames e tratamentos radiofármacos e radioisótopos pela Medicina Nuclear não têm previsão de retorno.

“O Ipen, órgão do governo federal, responsável pela produção de 85% desse material que abastece hospitais e clínicas de diagnóstico por imagem em todo o país, alega não ter mais verba para a compra de insumos radioativos”, justificou o hospital.

Ainda de acordo com o texto, a suspensão afeta diretamente a realização de exames de imagem e tratamento de pacientes com câncer. “A exemplo do iodo-131 utilizado na terapia da neoplasia diferenciada de tireoide”, informou.

O hospital afirmou ainda que busca solução o mais rápido possível. “O Hospital Santa Rita, junto com sociedades médicas, busca meios para a solução do problema e o retorno, o mais rápido possível, à plena atividade da Medicina Nuclear”, concluiu.

700 PACIENTES SERÃO AFETADOS

Conforme informações obtidas pela TV Gazeta, o instituto calculou que precisa de mais R$ 70 milhões até o fim do ano para retomar a produção e que cerca de 700 pacientes serão afetados no Espírito Santo. "Fomos pegos de surpresa. Não tem nada a se fazer. Não conseguimos armazenar e nem importar, tudo tem que passar pelo Ipen", explicou Carlos Clayton Lobato, diretor-geral do Hospital Santa Rita.

A última remessa de radiofármacos foi enviada na segunda-feira (20). "Imagina chegar para um paciente e falar que não vai ter mais a terapia porque não tem insumo. Nós não conseguimos estocar. Certamente um paciente que era tratado com um tipo de terapia, daqui a semanas ou meses, pode não ser tratado com a mesma. É complicado", disse o médico nuclear Daniel Camisão Bertot.

GOVERNO DISPONIBILIZA VERBA

Em edição extra do Diário Oficial da União publicada nesta quarta-feira (22), o Ministério da Economia, por meio da Secretaria Especial do Tesouro e Orçamento, publicou uma portaria que disponibiliza crédito suplementar de cerca de R$ 19 milhões para a produção e fornecimento de radiofármacos no país.

O QUE DIZ A SESA

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) lamentou a possível falta dos insumos e explicou que a única unidade a oferecer o serviço de oncologia na rede própria é o Hospital Estadual Infantil Nossa Senhora da Glória, em Vitória, no qual é utilizada a radioterapia, que não será interrompida.

A pasta também esclareceu que o referido hospital não possui serviço próprio de terapia com radiofármacos. "Este atendimento é realizado em estabelecimentos de saúde habilitados diretamente pelo Ministério da Saúde como Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) e Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon)", afirmou.

A Sesa ainda garantiu que está apurando a situação e vai avaliar possíveis impactos em outras áreas para solucionar o problema "da melhor forma possível".

CONFIRA O COMUNICADO DO HOSPITAL SANTA RITA NA ÍNTEGRA: 

"O Hospital Santa Rita informa que, devido à paralisação da produção de radiofármacos pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), terá de suspender, a partir da próxima segunda-feira (27/09), o atendimento a pacientes que necessitam de exames e tratamentos com radiofármacos e radioisótopos pela Medicina Nuclear, sem previsão de retorno.

O Ipen, órgão do governo federal, responsável pela produção de 85% desse material que abastece hospitais e clínicas de diagnóstico por imagem em todo o país, alega não ter mais verba para a compra de insumos radioativos.

Essa suspensão afeta diretamente a realização dos exames de imagem e tratamento dos pacientes com câncer, a exemplo do iodo-131 utilizado na terapia da neoplasia diferenciada de tireoide.

O Hospital Santa Rita, junto com sociedades médicas, busca meios para a solução do problema e o retorno, o mais rápido possível, à plena atividade da Medicina Nuclear."

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