Publicado em 9 de março de 2024 às 13:42
O Espírito Santo registrou 23.120 casamentos em 2021, isto é, uma média de 63 uniões por dia, de acordo com informações divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sexta-feira (8). Do total, em 490 pelo menos um dos parceiros tinha até 17 anos.>
Nessa faixa etária de adolescentes, 459 eram meninas e 31, meninos. Proporcionalmente, o número de casamentos com garotas de até 17 anos representa 2,3% do total, índice que coloca o Espírito Santo com a maior taxa da Região Sudeste e acima da média do Brasil, que é 2,1%.>
Em entrevista para o g1 ES, a vice-presidente do Sindicato dos Notários e Registradores do Estado do Espírito Santo (Sinoreg-ES), Fabiana Aurich, esclarece que a idade mínima para casar no Brasil é 16 anos e existem regras.>
“Entre 16 e 18 anos, é possível casar desde que haja autorização dos pais, nos termos do artigo 1517 do Código Civil. Além disso, é preciso atender aos requisitos legais, apresentando as documentações pedidas para qualquer casamento”, explicou.>
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Fabiana afirmou que os pais precisam conceder a autorização no ato de abertura do processo e o documento deve ser feito por escrito.>
“Se um dos pais faltar, isso deve ser suprido judicialmente. O Código Civil fala de forma expressa que é necessária autorização de ambos os pais para o casamento. Então, se um dos dois não dá autorização, tem que entrar judicialmente, não tem jeito”, disse.>
Para a cientista social e conselheira tutelar de Vitória, Carol Prata, existe uma mudança cultural acontecendo há décadas, apontando para uma diminuição das uniões na faixa etária adolescente. >
“Culturalmente, as mulheres se casavam muito cedo, para constituir família, para serem do lar. Com o passar do tempo e o acesso à informação, à informática, foi se constituindo que a saída das mulheres de casa não precisa ser com o casamento”, analisou.>
Entretanto, na avaliação de Carol Prata, as uniões precoces que ainda acontecem estão em ambientes de maior vulnerabilidade social e são mais restritas às meninas porque são elas que engravidam.>
“Em grande parte dos casos, esses ‘casamentos’ acontecem quando aparece uma gravidez. E aí, ou a família bota para fora de casa, ou as meninas estão tão saturadas da realidade em que vivem, que pensam que sair de casa vai ser uma melhora de vida.">
A cientista social pondera que o levantamento do IBGE não deve considerar dados de cartório e sim dados de pesquisa oral, como é feito com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).>
“Seria mais compatível com a realidade, porque, na comunidade periférica, os jovens não casam em cartório, o processo é caro, então eles só ‘juntam’”, falou.>
A expectativa de Carol Prata é que esses casamentos de menores de idade reduzam ano a ano.>
“Deveriam zerar. As jovens nesses casos têm baixa perspectiva de futuro. Não é só uma fuga de casa, o rendimento escolar também é ruim, elas acabam engravidando, o acolhimento escolar é defasado, o ciclo evolui para evasão, elas não se especializam e perdem oportunidades. Essas meninas precisam continuar na escola, estudando”, ponderou.>
Se entre adolescentes a tendência é de queda, no público em geral, os indicadores apontam crescimento no número de uniões. Comparados os 23.120 casamentos registrados pelo IBGE no Espírito Santo em 2021, com os 18.739 do ano anterior, o aumento é de 23%. >
Na avaliação de Fabiana Aurich, do Sinoreg-ES, 2020 foi historicamente o ano com menor número de uniões por ter sido o primeiro da pandemia da Covid-19, período com restrições mais severas, sem vacinação, e consequentemente sem as celebrações, sem as festas e celebrações vinculadas às uniões.>
“Após esse primeiro momento, houve aumento no número de casamentos. Mesmo depois de 2021, seguimos percebendo essa tendência. Atualmente, inclusive, há mais casamentos do que divórcios no Espírito Santo”, concluiu.>
Com informações do g1 ES>
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