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"Equipe de enfermagem foi minha família no hospital", diz curada de Covid

No momento de maior fragilidade, pacientes com o novo coronavírus que ficaram internados conheceram uma "nova família": as equipes de enfermagem que os ajudaram a enfrentar as dificuldades e os temores da doença que ameaçava suas vidas

Publicado em 12/05/2020 às 12h02

“Foram essenciais para a minha recuperação.” “Ouviram o meu choro, me fizeram rir, foram os meus confidentes”. “Estavam lá quando ninguém podia estar.” Os relatos são de pacientes que contraíram o novo coronavírus e precisaram ser internados, alguns enfrentando até dias na UTI, em respiradores. E foi lá, no hospital, isolados, que eles conheceram uma “nova família”, formada por enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, que não media esforços para ajudar a enfrentar e vencer a doença.

Maio é considerado o mês da Enfermagem. Nesta terça-feira (12) é comemorado o dia dos enfermeiros e, na próxima quarta-feira (20), é o dia dos técnicos e auxiliares de enfermagem. Profissionais, que no momento de maior fragilidade dos pacientes que enfrentam o novo coronavírus, longe de seus parentes e amigos, ajudam a enfrentar as dificuldades e os temores da doença que ameaça vidas.

É o que relata a corredora Meg Seixas Lobo Neves, de 39 anos, que ficou cinco dias internada em um hospital particular da Grande Vitória na Semana Santa.  "A equipe de enfermagem foi a minha família naquele período, que estive no hospital. Sou eternamente grata a eles”

Meg Seixas Lobo Neves, de 39 anos, corredora, venceu a Covid-19
Meg Seixas Lobo Neves, de 39 anos, corredora, venceu a Covid-19. Crédito: Arquivo Pessoal

Meg se recorda que no domingo de Páscoa,  quando já estava internada,  a sua condição piorou e ela foi orientada a não falar nem no celular. “Estava muito triste, chorando, e uma técnica pegou em minha mão, falou para eu ter fé, não perder a esperança que em breve sairia do hospital e poderia abraçar meu filho e meu marido”, relata, acrescentando que foi o conforto recebido que a ajudou a superar a doença. "Hoje estou em casa com minha família, como ela disse", conta.

Ela não precisou ser intubada, mas durante o tratamento deixou em casa marido e um filho de 13 anos. “Foram dias muito difíceis, onde você entra no hospital e não sabe se sairá vivo. O apoio da equipe de enfermagem é que nos ajuda a manter a esperança. Um cuidado, um carinho em um momento em que você não tem ninguém, em decorrência do isolamento”, relata.

Frederico Carvalhaes, 46 anos,  venceu a Covid-19
Frederico Carvalhaes, 46 anos, venceu a Covid-19. Crédito: Arquivo pessoal

No final de março, o empresário Frederico Carvalhaes, 46 anos, ficou 16 dias internado em um hospital privado de Vitória, sendo 13 deles na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Foi o primeiro paciente nesta unidade hospitalar a ser extubado (retirada do tubo de respiração) e ter alta. “Devido a gravidade do meu quadro, dependia totalmente da equipe. Eles salvaram a minha vida”, diz, emocionado.

Quando ainda estava no respirador, mas já sem a sedação, Frederico improvisou um teclado no papel, com alfabeto e números, para falar com os enfermeiros e técnicos. Foi assim que pedia para ter notícias de casa. “A Covid-19 é uma doença muito solitária. Nos deixa longe de nossos familiares. Era a equipe que me dava notícias de casa, que me animava, incentivava a confiar que daria tudo certo, de que faltava pouco para eu vencer a doença. Ouviram o meu choro, me fizeram rir, foram os meus confidentes”, relata.

Frederico foi internado no final de março. Como seu quadro se agravou com rapidez, ele chegou a ficar oito dias sedado e intubado. Quando acordou, ainda estava na UTI. “Com tantos dias na cama, você fica fraco e depende deles para tudo, do banho a alimentação. Lembro que à noite eu chorava e uma delas pegava a minha mão e a segurava até que eu conseguisse relaxar e dormir. Não tem nada que pague o carinho e o amor que dedicam, mesmo sabendo que correm risco, que podem ser contaminados”, pondera.

Ivana Carvalhaes, 46 anos,  venceu a Covid-19
Ivana Carvalhaes, 46 anos, venceu a Covid-19. Crédito: Arquivo pessoal

A esposa de Frederico, que apresentou os sintomas, mas de forma branda, ficou isolada em casa. As únicas informações que recebia do hospital era por telefone, uma vez ao dia. “Eram muito carinhosos, me relatavam a evolução do quadro do meu marido e ainda procuravam saber como estava a minha saúde”, conta Ivana Carvalhaes.

Quando o marido dela saiu do respirador, uma das enfermeiras viabilizou uma videochamada. “Ele mal conseguia falar e elas o ajudaram, com muito cuidado. Foi uma emoção muito grande, diz Ivana, emocionada.

João Vitor Plazzi, 32 anos, curado de coronavírus
João Vitor Plazzi, 32 anos, curado de coronavírus. Crédito: Arquivo pessoal

Para o operador industrial João Vitor Bortolini Plazzi, 32 anos, impressionou a dedicação da equipe que o atendeu em um hospital particular de Vitória. “Eles sabem que o nível de exposição é alto e que podem se contaminar, mesmo com a paramentação, e ainda assim te tratam com atenção, com respeito, com dedicação e carinho. E num momento em que você está fragilizado pela doença”, relata.

João ficou sete dias internado e não precisou de respirador, mas viu as dificuldades impostas pela doença. “Chegou a um ponto em que não tinha forças para falar. E estava completamente isolado, sem o apoio de ninguém da minha família. Mas eles, as enfermeiras, técnicos de enfermagem estavam lá, o tempo todo me incentivando, me informando sobre a minha situação, me tranquilizando”, conta.

José Dalrio, de 93 anos, venceu a Covid-19
José Dalrio, de 93 anos, venceu a Covid-19. Crédito: Meridional da Serra

A família da dentista Helen Dalrio, de 28 anos, foi surpreendida quando a doença alcançou o seu avô, José Dalrio, de 93 anos, apesar de todos os cuidados da família. “Ele precisou ser internado por 10 dias em um hospital particular da Serra, sendo 7 deles na UTI, onde a equipe cuidou maravilhosamente dele”, conta.

Quando Dalrio foi para o quarto, por ele ser acamado e depender de ajuda integral, foi autorizada a presença de uma filha, que também é técnica de enfermagem. “O hospital autorizou a presença dela em decorrência da condição dele. Minha tia, que foi acompanhante, relatou que a equipe era muito atenciosa, e que deram um grande apoio, com todo o suporte e carinho. Somos muito gratos. Meu avô conseguiu vencer a doença”, conta Helen.

ESSÊNCIA DA PROFISSÃO

Para a presidente do Conselho Regional de Enfermagem (Coren), Andressa Barcellos, o atendimento prestado pelas equipes de enfermagem no Estado revela a essência da profissão. “A enfermagem é isto. A essência da nossa profissão é cuidar, proporcionar o bem-estar, dar apoio, com técnica e conhecimento cientifico, mas também com zelo, humanidade, solidariedade, empatia.”

Ela destaca que mesmo nos momentos mais difíceis, como o atual, onde todos enfrentam uma pandemia, os profissionais se entregam de corpo e alma. “Estamos dando um pouco da nossa energia para o paciente. São pessoas motivadas e comprometidas, apesar da nossa dura realidade, com dois ou três empregos, não há espaço para desânimo”, destaca.

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O sonho da categoria, segundo ela, é ter melhores condições de trabalho. “Salários dignos, condições de trabalho adequadas, com bons ambientes de repouso e alimentação, com vestiário para tomar banho e evitar a contaminação e com uma jornada de trabalho regulamentada. Somos os únicos na área de saúde que não temos. Queremos ser reconhecidos como profissionais que fizeram uma escolha de atuar na enfermagem, mas que têm direito a dignidade”, relata Andressa.

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