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Curado da Covid deve passar por avaliação médica antes de fazer exercício

Nova diretriz da Sociedade de Cardiologia sugere que pacientes façam exames para investigar danos provocado pela doença no coração

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 16/02/2021 às 06h00
Atualizado em 16/02/2021 às 06h01
Oportunidades para médicos
Pessoas curadas devem procurar médicos  e fazer exames . Crédito: Pixabay

Antes de voltarem a praticar atividades físicas, os curados da Covid-19 devem realizar exames cardiológicos, pois ainda podem carregar o vírus no coração e morrer subitamente. O alerta foi feito pelo cardiologista José Aid Soares que acompanha pacientes que tiveram a doença.

"Observou-se que muitos pacientes curados da Covid-19 no hospital acabavam tendo morte súbita em casa. Ou alguns apenas  tratavam do quadro pulmonar e continuavam com fadiga, palpitação, coração acelerado. Quando aprofundamos as investigações, percebemos que esses pacientes tinham uma miocardite, que é a inflamação de um músculo cardíaco. Nos  pacientes que faleceram subitamente, o vírus foi encontrado dentro da célula do coração", descreveu Aid.

Quando a pessoa curada volta à rotina, toma um baque com a dificuldade em realizar movimentos simples e que geram desgaste ao coração, podendo até levar a um infarto.

O problema é tão grave que na última semana a Sociedade Brasileira de Cardiologia e a Sociedade Brasileira de Medicina Esportiva criaram uma diretriz e encaminharam aos médicos solicitando que informem aos pacientes sobre a necessidade de exames cardiológicos após serem positivados para a infecção pelo coronavírus. 

Segundo os médicos, o coração é atingido não apenas quando se tem a forma moderada ou grave da doença, que é quando se precisa de hospitalização, mas também em quem teve a forma mais branda. 

"As pessoas precisam continuar sendo avaliadas do ponto de vista cardiológico após a alta hospitalar, pelo risco de terem uma miocardite, podendo  também agravar os problemas cardiológicos já existentes. O que mais temos notados é que, mesmo as pessoas com a forma leve da Covid-19, apresentam, depois de 30 a 60 dias, sintomas de  fadiga, cansaço ou taquicardia e têm maior dificuldade para realizar exercícios físicos", explicou o médico. 

Os sintomas são parecidos com os provocados pela inflamação pulmonar, por isso a dificuldade em identificar que se trata de um dano no coração. Tanto que, entre os infectados que não precisaram de hospitalização, 16%  não sabem que o vírus provocou uma lesão cardíaca. 

"O mal-estar ainda parece ser consequência do quadro pulmonar ou inflamatório geral, mas pode ser um acometimento cardíaco.  O indivíduo que teve a doença e apresentar algum sintoma deve ficar atento e procurar um médico para fazer exames e um eletrocardiograma.  A Covid-19 é inflamatória e não atinge apenas o pulmão, mas sim todo o organismo. Temos que cuidar do corpo todo, pois é um vírus totalmente diferente dos que estamos acostumados a lidar", explicou José Aid. 

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