Repórter de Cotidiano / [email protected]
Publicado em 8 de janeiro de 2021 às 08:00
- Atualizado há 5 anos
Se o ditado é “onde há fumaça, há fogo”, também podemos dizer que há uma mulher quando se trata de fogo e fumaça no comando da formação de soldados do Corpo de Bombeiros. A capitã Flavia Pavani é quem dá instrução de combate a incêndio para os alunos. >
Com roupa apropriada e equipamentos de proteção, a bombeira encara um contêiner que pode chegar a temperatura de 900 graus Celsius, fica pertinho das chamas altas e ainda tem que explicar para os alunos as técnicas. O contêiner é um simulador de incêndio, que contém cinco fases, e é um dos três que existem na América Latina. >
"A atividade de incêndio é uma atividade de risco, ministramos instruções de risco, mas somos preparados para isso. Somos habilitados, treinados e capacitados para realizar essa atividade", descreve. >
Apesar de ser bastante técnica, a capitã Flávia Pavani também conta que há um tanto de emoção na sua profissão. "Quando entro ali no simulador, fico apaixonada. O incêndio é o mais impactante na vida de um soldado, envolve muito risco, são 660 a 700 graus, a camada de fumaça pegando fogo em cima da sua cabeça. Também tem desidratação e demanda atenção. Mesmo assim, é uma atividade muito maravilhosa, emocionante e que eu me identifico bastante", conta. >
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Flavia já foi policial militar. Ela ingressou como soldado depois de passar em 2º lugar no concurso, no ano de 2007. Mas ela estava destinada a ser bombeira, profissão que desejava desde criança.>
Em 2008, Pavani foi aprovada no concurso do Corpo de Bombeiros para o cargo de soldado. Dedicada aos estudos, ela não assumiu a vaga e tentou o Curso de Formação de Oficias pela Ufes, no ano seguinte. Eram apenas cinco vagas abertas para ser oficial do Corpo de Bombeiros. Flávia ficou na 11º posição e foi aí que entrou em cena a mão de Deus ou do destino, como queira acreditar. >
Dois candidatos, mais bem classificados que Flávia na prova teórica, desistiram de fazer o Teste de Aptidão Física (TAF). Outros três candidatos reprovaram no TAF. Assim, ela passou a ser a 6ª colocada, até que o 1º lugar geral não se apresentou, desistindo da vaga. Assim, Pavani assumiu o 5º lugar e entrou para o curso de formação de oficiais. >
"A possibilidade de ajudar o próximo e de fazer o bem sempre foi um sonho. Sou muito feliz por ser bombeira. Escolhi a área de incêndio, pois trabalho com a prevenção", explica Pavani, que é Analista de Projetos de Incêndio também. >
Hoje, a capitã que enfrenta o fogo ainda tem tempo para cursar pós-graduação, fazer artesanato e cuidar da pequena Sofia, a filhinha de apenas dois anos. Mas nem sempre ser mulher numa corporação é simples, ainda mais sendo pouco mais de 10% do efetivo. >
"Certa vez tinha uma seleção para trabalhar em determinado setor. Ao me candidatar, ouvi 'você não, Flávia, porque eu não quero mulher lá'. Outro problema é o alojamento para mulheres. Já trabalhei em um município que não tinha alojamento para oficial feminina. Eu dividia o alojamento com quem estava de serviço 24 horas. As instalações ainda não estão tão preparadas para nos receber", explicou. >
Exemplo de persistência, a capitã deseja que mais e mais mulheres também tenham orgulho de fazer parte do Corpo de Bombeiros. "Eu tinha esse sentimento no meu coração: quero ser bombeira. A questão de ser mulher nunca me impediu e nunca foi um limite para eu realizar o meu sonho. Então, você mulher, corra atrás do seu sonho, se prepare, treine e estude. Ser mulher não vai te impedir de conquistar seus sonhos", completou. >
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