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Sargento encoraja e prepara novos soldados para salvar vidas nas alturas

Integrante do Corpo de Bombeiros há 11 anos, Carolina Antunes é especialista em salvamento em altura e participa da formação de bombeiros

Vitória
Publicado em 07/01/2021 às 08h00
Mulheres no comando
Sargento Carolina Antunes é especialista em salvamento em altura . Crédito: Vitor Jubini/Arte Geraldo Neto

Enquanto algumas pessoas têm pavor de locais altos, para a Sargento Carolina Antunes a altura é quase como um "habitat natural". Integrante do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo há 11 anos, ela é especialista em salvamento em altura e participa da formação de novos soldados nesta área.

A reportagem de A Gazeta conversou com a sargento durante o início das aulas  práticas em altura da turma de alunos-soldados.  Era a estreia dos novatos. Amarrados em cordas, eles subiam, desciam e atravessavam a plataforma  de treinamento, com 12 metros, no Quartel do Corpo de Bombeiros. "É o primeiro contato deles com a altura. Precisam ter confiança e ter certeza que é possível um salvamento em situações adversas", explicou a sargento Antunes.

O curso de especialização em salvamento em altura é um curso tradicional aqui no Corpo de Bombeiros do Espírito Santo, mas há apenas quatro bombeiras habilitadas nesta área.  "Eu sempre gostei muito da atividade de altura, além de ter muita vontade de fazer um curso de especialização na área operacional. O primeiro obstáculo é passar no Teste de Aptidão  Física (TAF). É uma atividade bastante técnica, consegui formar e hoje faço parte da equipe de instrução de Salvamento em Altura", contou. 

A carreira militar apareceu para a mineira Carolina Antunes durante a prática de esportes nas praias do Rio de Janeiro, onde ela foi morar aos 17 anos. Ela frequentava a praia e ouviu de um guarda-vidas, que é bombeiro carioca, sobre o concurso. "Foi um encontro de ‘quereres’. Quando abriu processo seletivo do concurso do Rio, um dos guarda-vidas ficou falando ‘vamos estudar, vamos fazer prova do Bombeiro’. Eu comecei a estudar, abriu o concurso aqui no Espírito Santo, fiz e passei", lembra a sargento. 

Parece simples ao ouvi-la contando assim, mas foram oito meses pesados. Carol já cuidava do filho mais velho, na época bebê, fazia faculdade de Educação Física, estagiava em uma academia e estudava e treinava para o concurso.  Em 2009, ela entrou para Corpo de Bombeiros, quando enfrentou a distância do filho, que ficou no Rio de Janeiro, enquanto ela fazia o curso de formação. 

Na contramão das dificuldades, a bombeira se enche de orgulho para falar da carreira militar que a abraçou. "Bombeiro é o que somos, essa farda não sai. O bombeiro tem sempre um olhar crítico ao perigo", pontua a bombeira. 

Sargento Carolina Antunes Corpo de Bombeiros
Sargento Carolina Antunes com os dois filhos. Crédito: Arquivo Pessoal

Hoje, Carol mora sozinha com os dois filhos,  de 15 anos e 5 anos. Eles são companheiros e a fortaleza da mãe, que trabalha de escala na equipe operacional de atendimento.

"Já ouviu aquele lema militar que fala ‘não me pergunte como, apenas me dê a missão?' A gente dá conta de tudo, de fazer a comida para os meninos, levar para escola, olhar dever de casa e educar. Estamos acostumados e somos treinados a resolver as situações. As crianças entendem e, por vezes, chegam na escola falando: ‘ah, minha mãe é bombeira, é legal’", conta a sargento. 

As equipes dos bombeiros são majoritariamente formadas por homens. Isso não intimida a sargento, que já criou seus próprios mecanismos para lidar com qualquer adversidade.

"É um serviço essencialmente de força, mas a dificuldade vem para quem se deixa levar. Por ser mulher temos que provar todos os dias o nosso valor, capacidade se fazer segura. Sempre fui bem acolhida e respeitada pelos meus pares e superiores. Fora isso, vemos uma cultura de disputa entre mulheres, o que não acontece aqui na corporação. O que uma militar feminina faz reflete nas demais. Prezamos muito uma pela outra", destaca. 

Sargento Carolina Antunes Corpo de Bombeiros
Sargento Carolina Antunes do Corpo de Bombeiros exibe certificado. Crédito: Arquivo Pessoal

É árduo, mas a Sargento Antunes trabalha com um sorriso no rosto e é inspiração para outras mulheres. "Nos Bombeiros há mulheres muito competentes em todas as áreas. O que manda é o querer, não tem barreira que impeça. Vem ser bombeira!", convida a Sargento, exibindo um sorrisão.

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