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Áreas com risco de inundação em Vitória equivalem a mais de 12 parques Pedra da Cebola

Áreas com risco de inundação em Vitória equivalem a mais de 12 parques Pedra da Cebola

Levantamento aponta mais de 466 hectares do município com probabilidade de alagamentos e enxurradas e outros 86,68 hectares sujeitos a deslizamentos de terra

Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 09:25

O período de chuvas traz um alerta para os municípios do Espírito Santo atuarem no monitoramento de riscos e implementarem políticas para a prevenção de danos. Vitória, por exemplo, tem áreas com probabilidade de inundações, alagamentos e enxurradas que equivalem a mais de 12 vezes o tamanho do parque Pedra da Cebola. A solução para o problema pode vir da própria natureza. 

A capital possui mais de 466 hectares considerados de risco hidrológico, classificado em muito alto (40%), alto (40%) e médio (20%). Em outros 86,68 hectares, há possibilidade de deslizamento de terra. O levantamento foi realizado por meio da Plataforma Natureza On, serviço gratuito lançado recentemente pela Fundação Grupo Boticário, em parceria com o MapBiomas e tecnologia Google Cloud. A Coordenação da Defesa Civil de Vitória, no entanto, questiona esse número e afirma que foram feitas intervenções que reduziram o tamanho total dos locais de risco na Capital (veja a resposta completa no fim do texto).

Mapa com áreas de risco em Vitória
Mapa com áreas de risco de inundação em Vitória Crédito: Fundação Grupo Boticário

A plataforma, conforme informações da fundação, combina mapas, dados públicos e estatísticas oficiais para identificar riscos associados a eventos climáticos extremos e, além de apontar as áreas vulneráveis, indica alternativas sustentáveis para reduzir impactos, utilizando a própria natureza como solução.

O cientista de dados William Almeida, da Fundação Grupo Boticário, explica que a plataforma foi desenvolvida a partir de uma observação na entidade de que não havia uma ferramenta que fizesse a identificação de riscos climáticos em escala nacional para oferecer soluções e reduzir esses problemas. 

"É uma plataforma pública e gratuita que abrange todo o território nacional, voltada para o planejamento do mapeamento de riscos e acessível a todos, inclusive os tomadores de decisão", ressalta. 

Para William, a possibilidade de a ferramenta oferecer soluções baseadas na natureza é um diferencial que pode contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas para prevenir danos em razão de eventos climáticos e ocupação do solo em áreas de risco. 

Questionado se Vitória, particularmente, se difere de outros centros urbanos, o cientista de dados afirma que não há um ranking por cidades, conforme seu grau de risco, mas aponta que a capital capixaba reúne fatores que favorecem o risco de inundações, como ter muita área pavimentada e pouca área natural.

Entre as soluções da natureza para uma projeção mais favorável, segundo William, é a implantação de parques lineares, lagoas pluviais, telhados verdes, entre outras medidas que possam incluir Vitória e outros municípios pelo país no conceito de "cidade-esponja", isto é, um local que adota projetos urbanísticos focados em absorver, armazenar, limpar e reutilizar a água da chuva, tanto para evitar enchentes quanto para os períodos de estiagem. 

Mapa com áreas de risco em Vitória
Mapa com áreas de risco de deslizamento de terra em Vitória Crédito: Fundação Grupo Boticário

O que diz a prefeitura

O coordenador de Proteção e Defesa Civil de Vitória, Tarcísio Föeger, pontua que a cidade dispõe de mapeamento com a identificação de 258 locais de  risco, mas, pela metodologia adotada, não chega a ocupar a área indicada no levantamento da plataforma Natureza On. Ele diz que a ferramenta considerou as características geológicas, mas não as intervenções já realizadas com obras e recuperação de área verde. 

"Então, não é condizente com o que a gente vem mapeando em Vitória nem com o que tem sido feito para reduzir a condição de risco dessas áreas", ressalta. 

Tarcísio lembra que, em 2021, a administração municipal lançou o Plano Vitória, com uma série de investimentos na ordem de R$ 2 bilhões, e, desse montante, 42% foram totalmente voltados à adaptação da cidade para a nova realidade climática. São recursos aplicados na contenção de encostas, macrodrenagem, políticas habitacionais e recuperação de áreas verdes. O coordenador da Defesa Civil diz, ainda, que Vitória está ampliando toda a parte de sistemas de alerta de chuvas para a população. 

"Tem todo um conjunto de políticas públicas que fazem com que a cidade de Vitória hoje alague menos, tenha pouquíssimos registros de deslizamentos de encostas e, desde 2021, não teve nenhuma vítima fatal devido às chuvas",  pontua Tarcísio, acrescentando que a gestão atual implantou quatro novos parques em Vitória e tem planos para que a Capital reúna pelo menos uma árvore por habitante. Já foram plantadas 215 mil árvores e, segundo o IBGE, há 322 mil pessoas na cidade. 

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