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Publicado em 19 de outubro de 2021 às 17:49
Há 30 anos, o Papa João Paulo II visitava o Espírito Santo em sua segunda viagem ao Brasil. Na sua passagem pelo Estado, que durou dezoito horas, o pontífice realizou uma missa para uma multidão de 200 mil pessoas no local onde hoje é a Praça do Papa, além de ter visitado a região da Grande São Pedro, onde fez um discurso para cerca de 5 mil pessoas. >
A visita ilustre foi marcada por muita emoção e até hoje está na memória dos capixabas, como é o caso do aposentado Antônio Fernando Corrêa da Silva, de 59 anos. "Sou católico e naquela época frequentava com muito fervor as missas, pois participava da catequese da minha comunidade na Ilha das Caieiras, e aguardava ansioso a visita do Papa a nossa cidade.”>
João Paulo II chegou à Vitória na noite do dia 18 de outubro de 1991 (uma sexta-feira), em um avião da Força Aérea Brasileira, e foi recepcionado por autoridades políticas e religiosas. Do aeroporto, ele seguiu no Papamóvel até o Centro de Treinamento São João Batista, em Ponta Formosa, onde ficou hospedado. Cerca de 40 mil pessoas se posicionaram ao longo do percurso para ter a chance de ver o papa.>
Na manhã do dia seguinte, o pontífice, debaixo de chuva, realizou uma missa para a multidão de 200 mil fiéis, no terreno da Comdusa, na Enseada do Suá, atualmente Praça do Papa. No local, foi construído o monumento Cruz Reverente, do artista grego Iannis Zavoudakis.>
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“Naquele dia acordei cedo e me dirigi com minha filha, Olívia, que tinha 5 anos, para assistirmos a missa campal. Chegamos por volta das 7 horas da manhã, a missa acho que foi às 8h30”, conta Antônio.>
Com o fim da missa, que durou 20 minutos, o Papa foi de helicóptero para a região da Grande São Pedro. Antônio conta que ficou sabendo do novo destino e também se dirigiu para o local.>
“Saímos correndo para o ponto e conseguimos com muito custo entrar num ônibus que já tinha o destino da próxima visita, que na época era chamado de lugar de toda pobreza, por causa do depósito de lixo que existia por lá”.>
A região da Grande São Pedro era um dos lugares mais pobres da Capital. Devido a visita do Papa, foi feita de forma emergencial um aterro e marcações de duas ruas onde a comitiva do papa iria passar.>
Cerca de 5 mil pessoas, a maioria moradores do bairro, foram saudar João Paulo II na favela do lixão e não se importaram de esperar pela sua chegada debaixo da chuva que caiu durante toda aquela manhã. >
A figura máxima da igreja católica ouviu músicas cantadas por um coral de 50 crianças e fez um discurso de 20 minutos para os presentes. “As pessoas de São Pedro tem muita fé”, disse o pontífice, enquanto olhava de forma caridosa para a multidão. >
Terminado o discurso, todos os presentes imaginavam que ele se dirigisse de volta ao helicóptero. Foi quando o Papa quebrou o protocolo, desceu do palanque e caminhou no meio do povo, distribuindo bênçãos.>
“O que me impressionou mais foi a simplicidade da vossa santidade pelo fato de ter chovido e o aterro ter ficado um lamaçal, a batina dele estava toda suja de lama, mas ele parecia não se importar com isso”, lembra Antônio.>
Antônio guarda até hoje uma foto tirada por Chico Guedes, na época fotógrafo de A Gazeta, do momento em que João Paulo II caminhava no meio do povo. No registro é possível ver a filha do aposentado, em seus ombros, tentando tocar o Papa. >
Antônio Fernando Corrêa
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