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Publicado em 6 de abril de 2022 às 02:00
Quanto tempo um ano pode durar? São exatos 365 dias, ou quem sabe uma eternidade? A medida vale conforme as histórias construídas, as lembranças deixadas. E é assim neste 6 de abril, que marca um ano da morte de Carlos Fernando Monteiro Lindenberg Filho, o Cariê, para amigos e profissionais que tiveram a oportunidade de usufruir de sua convivência. >
Ex-presidente do Conselho de Administração da Rede Gazeta, empresário, músico e escritor, Cariê morreu aos 85 anos em decorrência de uma pneumonia. Para o médico e amigo Édson Dias, os sábados ainda guardam muitas saudades.>
Era nesse dia que praticamente toda semana, ao longo de alguns bons anos, eles se reuniam para conversas acompanhadas de boa comida na casa de Cariê. A amizade foi construída ainda muito cedo porque os pais de ambos já eram amigos. >
Emocionado, Édson exalta as inúmeras qualidades de Cariê, da inteligência à afetuosidade, passando por suas bem-sucedidas experiências na música e na literatura. Mas, segundo o médico, o que mais admirava no amigo era a sua simplicidade. >
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Édson Dias
MédicoA música representa parte importante da vida de Cariê que acompanhou, no Rio de Janeiro, o surgimento da Bossa Nova ao lado de figurões como Tom Jobim, Newton Mendonça e Roberto Menescal. >
No dia da morte do amigo, Menescal enalteceu a parceria de vida que construíram desde a adolescência. Agora, na passagem de um ano do falecimento, o músico voltou a se lembrar das histórias que reuniam futebol, praia e, claro, a música. >
Roberto Menescal
MúsicoO artista ressalta ainda que Cariê foi um grande companheiro e que sua morte foi uma perda inestimável, mas que é um ciclo que naturalmente se fecha. "Ele aproveitou a vida como poucos aproveitaram. Fez ele muito bem!">
Ainda do cenário musical, Ugo Marotta traz outras recordações. "Uma tarde, nos anos 1960, Cariê me encontrou para combinar os arranjos orquestrais daquele que seria o seu primeiro disco. Por motivos diversos, esse disco não aconteceu", lembra-se o músico, produtor e arranjador, referindo-se a um episódio que, inclusive, foi registrado no livro "Memórias Cariocas", de Cariê. >
Ugo revela que, desse encontro, nasceu a amizade dos dois que dividiam o prazer da boa música. Em 2002, acrescenta ele, 40 longos anos depois, aqueles arranjos feitos em 1960 foram finalmente gravados e estão no CD “Esperei Por Você”.>
Ugo Marotta
MúsicoPor terras capixabas, também deixou amigos na música, como o maestro Helder Trefzger, da Orquestra Sinfônica do Espírito Santo (Oses). >
Helder Trefzger
MaestroO músico Cariê era autor de Devaneio que, durante muitos anos, foi executada no encerramento diário da programação da TV Gazeta. Para a cantora lírica Natércia Lopes, ele era o maior artista e músico capixaba.>
Natércia Lopes
Cantora líricaNatércia também exalta o carisma de Cariê e sua habilidade para cativar a todos com sua simplicidade. “Precisamos com urgência homenageá-lo à altura da sua genialidade. Acordem, autoridades! Cultura do meu Estado, tome atitude”, exortou a cantora. >
A paixão mais recente era a literatura. O escritor Cariê publicou seis livros e, em suas obras, falava um pouco de sua trajetória pessoal, além de passear pelas crônicas. Talento admirado por quem compartilha do ofício. >
"Um ano sem Cariê... O que dizer sobre saudade e admiração? Tive a grata oportunidade de conviver com o Cariê empresário e o artista. Em ambos os papéis ele demonstrava simpatia, refinamento e simplicidade raros para um homem com o seu poder e influência na sociedade capixaba", descreve o jornalista e escritor José Roberto Santos Neves no início de seu depoimento. >
E continua: "Como nosso patrão na Rede Gazeta, tinha alma de jornalista: sempre circulava pela redação do jornal, atento às notícias do dia, comentando as matérias, sugerindo pautas, com o máximo de discrição e respeito aos funcionários. A empatia era tanta que muitas vezes ele agia como se não fosse o dono da empresa. Em retribuição, contava com a admiração e o carinho de toda a equipe. Por sua vez, o Cariê artista era igualmente encantador: o compositor bissexto, o apreciador de Bossa Nova, o cronista e escritor que tecia textos e crônicas fazendo uso inteligente do humor e da ironia fina que são artigos exclusivos para as criações dos cronistas de fino trato.">
José Roberto Santos Neves
Jornalista e escritorEmbora não fosse jornalista por formação, o empresário Cariê era também reconhecido como tal. Ao longo de seus 85 anos, sempre foi defensor do jornalismo e da liberdade de expressão. Responsável pelo surgimento da maior rede de comunicação do Espírito Santo, ele esteve à frente da empresa entre os anos de 1965 e 2001. >
Foi por sua atuação que o Grupo Globo estabeleceu-se no Espírito Santo, tendo a TV Gazeta como afiliada, e posteriormente os negócios se expandiram, com a criação de rádios, do site e das emissoras regionais sediadas em Cachoeiro de Itapemirim, Linhares e Colatina.>
Cariê nasceu no Rio de Janeiro, mas se considerava capixaba. Filho do ex-governador Carlos Fernando Monteiro Lindenberg e Maria Antonieta Queiroz Lindenberg, veio para o Estado com apenas 17 dias e sua história de vida está também ligada ao desenvolvimento do Espírito Santo. >
Além de sua atuação no ramo de comunicação, Cariê contribuiu para o segmento do agronegócio. Mesmo sem experiência ou formação em administração, fez a fazenda da família, em Linhares, praticamente dobrar de tamanho.>
Em 1979, assumiu a presidência da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (Faes), na qual ficou até 1981. Foi cinco vezes vice-presidente da entidade, em diferentes mandatos, além de secretário. Para o setor, suas ações dentro e fora da federação ajudaram no desenvolvimento do agronegócio capixaba. >
O atual presidente da entidade, Júlio Rocha, afirma que todo o segmento sentiu muito a perda do empresário.>
"Cariê, pessoa ímpar, solidário, humano, justo, artista, culto, progressista e empreendedor. Foi presidente da Faes, deixou excelente legado e um sorriso para a vida e para todos, que nunca será esquecido", valoriza. >
Para celebrar a vida do homem que transformou o jornal impresso A Gazeta no maior grupo de mídia do Espírito Santo, a família Lindenberg convida para a missa em memória de Cariê nesta quarta-feira (06), às 18h30, na Paróquia Santa Rita de Cássia, na Praia do Canto.>
"Como filho, sinto a enorme falta de não ter meu pai fisicamente por perto, contando suas histórias e vendo os netos já adultos e donos de si. Como presidente da Rede Gazeta, sinto orgulho do bastão que recebi e também a responsabilidade de jamais deixar que percamos o norte da isenção, correção e compromisso com a verdade. Neste quesito, eu garanto a vocês, a memória e a vontade de Cariê Lindenberg permanecem mais vivas do que nunca", sintetiza o empresário Café Lindenberg ao falar do pai. >
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