Repórter de Economia / [email protected]
Publicado em 7 de abril de 2021 às 08:28
- Atualizado há 5 anos
Carlos Fernando Monteiro Lindenberg Filho dedicou a vida a uma série de paixões. Cariê, que morreu nesta terça-feira (6) em Vitória, aos 85 anos, após complicações de uma pneumonia, foi empresário, músico, e escritor. Mas uma de suas maiores alegrias, segundo declarações feitas por ele mesmo ao longo dos anos, era o campo. >
Ele, que foi o responsável pelo surgimento da Rede Gazeta, fundador da TV Gazeta e do site Gazeta Online – hoje A Gazeta –, entrou para o mundo empresarial “por sorte”, como ele mesmo definiu. Sem experiência ou formação em administração, fez a fazenda da família, em Linhares, praticamente dobrar de tamanho.>
Em 1979, assumiu a presidência da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (Faes), onde ficou ate 1981. Foi cinco vezes vice-presidente da entidade, em diferentes mandatos, além de secretário. Para o setor, suas ações dentro e fora da entidade ajudaram no desenvolvimento do agronegócio capixaba.>
Também em 1979, foi responsável pela criação do Jornal do Campo, da TV Gazeta, um dos primeiros programas rurais no país. Com o lema: “aqui fala quem faz”, a atração mostra os desafios, as inovações e as boas iniciativas do homem do campo.>
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Em 2019, no aniversário de 40 anos do telejornal, Cariê contou que o Jornal do Campo foi produto não apenas de sua paixão pelo agronegócio, mas também de visitas que fez às emissoras da Rede Globo.>
“Havia um jornal de nome Campo e Lavoura na TV Gaúcha (hoje RBS), e um programa na TV Anhanguera, em Goiás. E eu gostei daquilo. Então, fizemos uma compilação, pegamos um pouco de cada e adaptamos à realidade do Estado, às nossas culturas. Fomos um dos precursores desse tipo de programa e com muita honra”, lembrou na ocasião.>
À época, o empresário destacou que o programa foi uma das inspirações para o Globo Rural, que surgiu um ano depois, e que se tornou o verdadeiro indutor de programas sobre a vida rural no país. >
“O nosso editor tinha relacionamentos importantes na área e conseguia sugerir pautas. E como eu era casualmente parte da Federação de Agricultura, eu podia dar alguns ‘pitacos’. Fiz também papel de repórter algumas vezes”, contou Cariê em 2019 à TV Gazeta.>
O programa, exibido nos domingos, às 7h30, era tão querido por Cariê que, segundo ele comentou à época, em algumas vezes chegava a acordar na hora do Corujão, faixa em que a Globo exibe filmes durante a madrugada, para não perder a edição do telejornal sobre o agronegócio.>
Cariê Lindenberg
A morte de Cariê foi lamentada por diversas autoridades políticas e empresariais do Estado, mas também pelas lideranças do setor agropecuário, que destacaram sua contribuição com o setor.>
O diretor-presidente do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Antônio Machado, destacou que as decisões tomadas por Cariê refletem até hoje no desenvolvimento rural do Espírito Santo.>
Antônio Machado
Diretor-presidente do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão RuralA Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (Faes) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), vinculado à entidade, também lamentaram a perda de Cariê. "O Sistema Faes/Senar-ES/Sindicatos Rurais se solidariza com esta perda e está em orações para que Deus conforte o coração de familiares neste momento de dor imensurável.">
O presidente da Faes, Júlio Rocha, destacou que o empresário foi um dos orgulhos da categoria.>
Júlio Rocha
Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Espírito SantoCariê Lindenberg: Momentos
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