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Memória

Cariê Lindenberg e a defesa da liberdade de expressão

João Gualberto, doutor em Sociologia, acaba de editar um depoimento em vídeo sobre Cariê, e faz um justo e correto registro da vida do maior responsável pela modernização e profissionalização do jornalismo do Espírito Santo

Publicado em 14 de Maio de 2021 às 02:00

Públicado em 

14 mai 2021 às 02:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa José Carlos Corrêa
Cariê, Carlos Lindenberg Filho, presidente do conselho administrativo da Rede Gazeta - 25/08/2008
Depoimento destaca que Cariê, na segunda metade da década de 1960, “construiu docemente, como era do seu estilo”, a mudança que levou o jornalismo de A Gazeta a um estágio “mais moderno e mais profissional” Crédito: Edson Chagas
João Gualberto, doutor em Sociologia, acaba de editar um depoimento em vídeo sobre Cariê Lindenberg (que pode ser visto clicando aqui), que faz um justo e correto registro da vida do maior responsável pela modernização e profissionalização do jornalismo do Espírito Santo.
O depoimento, que faz parte da série “Gotas de História”, destaca que Cariê, na segunda metade da década de 1960, “construiu docemente, como era do seu estilo”, a mudança que levou o jornalismo de A Gazeta a um estágio “mais moderno e mais profissional” após quase duas décadas de defesa da linha política do antigo PSD, o Partido Social Democrático, que elegeu o seu pai Carlos Lindenberg para dois mandatos de governador e senador, e que foi extinto em 1965 pelo Regime Militar.
No depoimento, João lembra que a Rede Gazeta se consolidou com a operação da emissora de TV, em 1976, uma “rede isenta, ética, que noticia os fatos”. Para o sociólogo, Cariê Lindenberg “nunca se interessou pelo poder” e “esteve sempre ao lado da verdade e da modernidade”. Por isso, conclui o depoimento, Cariê é “um dos pilares do Espírito Santo moderno”.
Quis o destino que o falecimento de Cariê ocorresse na véspera do Dia do Jornalista, 7 de abril, e que o 30º dia do seu falecimento estivesse próximo do Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, 3 de maio. Cariê, ao ocupar uma das diretorias da ANJ, Associação Nacional dos Jornais, teve sob sua responsabilidade a de monitorar os atos que ameaçassem a liberdade de expressão. Não foi sem razão que a Abert, Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão, citou, em nota, que Cariê sempre se destacou como um “ferrenho defensor da liberdade de expressão”.
No livro “Eu e a Sorte”, de sua autoria, Cariê registra comungar “com o ponto de vista universal de que a liberdade de imprensa é um dos pressupostos basilares, fundamentais, indispensáveis à existência da democracia”. Para ele, “a imprensa é a janela pela qual a sociedade se observa, avalia a si própria e principalmente se capacita para julgar os atos das autoridades e demais pessoas influentes”. “Se à imprensa não for dado o direito de criticar os atos das autoridades públicas, será preferível que deixe de existir ou que se restrinja a publicar receitas culinárias, evidenciando, assim, a nefasta ação da censura”, escreveu Cariê.
Sábias palavras, tão verdadeiras e tão necessárias neste momento que vivemos em um Brasil em que os extremos políticos radicais – de direita e de esquerda – se unem no mesmo discurso de contestação ao jornalismo profissional, evidenciando uma única face autoritária daqueles que, incapazes de conviverem com ideias diferentes das suas, deixam explícito o mesmo desejo dos ditadores que é o de censurar as informações que os desagradem.

José Carlos Corrêa

José Carlos Corrêa José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço

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