Sair
Assine
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Despedida

Legado de Cariê permanece, para nos estimular nestes tempos difíceis

Carlos Fernando Lindenberg Filho foi, com certeza, o personagem que mais contribuiu para a profissionalização do jornalismo e modernização da imprensa capixabas. Faço essa afirmação como testemunha

Publicado em 09 de Abril de 2021 às 02:00

Públicado em 

09 abr 2021 às 02:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Cariê Lindenberg durante entrevista para A Gazeta
Carlos Fernando Lindenberg Filho, o Cariê, em retrato de 2017 Crédito: Guilherme Ferrari
O meu artigo sobre a importância do jornalismo profissional para a sociedade estava pronto – porque no dia 7 de abril se comemora o Dia do Jornalista –, quando chegou, na véspera, a notícia do falecimento de Cariê Lindenberg. Quis o destino que essas datas se tangenciassem porque Cariê foi, com certeza, o personagem que mais contribuiu para a profissionalização do jornalismo e modernização da imprensa capixabas.
Faço essa afirmação como testemunha, já que ingressei em A Gazeta como jornalista em 1968, quando Cariê reestruturava a empresa, colocando em prática as recomendações da consultoria de dois profissionais que participaram de processo semelhante no “Jornal do Brasil”.
Testemunhei a empolgação de Cariê na contratação de novos profissionais, na implantação de um orçamento inovador e na estruturação da área comercial e das editorias na redação. No novíssimo Edifício A Gazeta, na Rua General Osório, estava sendo instalada a moderna rotativa off-set Goss Comunity, capaz de imprimir 16 mil exemplares por hora. Logo após a mudança para a nova sede, em 1969, mais inovações: a composição a frio por computador – com a aposentadoria das linotipos –, a modernização da diagramação, a telefoto e muitas coisas mais.
A empolgação era tanta que contagiou os funcionários. Nós, na nova redação, decidimos trabalhar de terno e gravata. Essa novidade, a bem da verdade, não durou muito, talvez uns seis meses. Mas demonstra a energia positiva que Cariê nos passava. Graças a ele, fui enviado ao “Correio da Manhã”, no Rio, para conhecer de perto a dinâmica de uma redação moderna.
Em paralelo, Cariê implementou o desatrelamento do jornalismo de A Gazeta da política partidária. Até então, o jornal adotava a linha política do PSD, Partido Social Democrático, depois sucedida pela da Arena, Aliança Renovadora Nacional, partidos pelos quais o pai de Cariê, Carlos Lindenberg, proprietário da empresa, havia exercido sucessivos mandatos de governador e senador.
Cariê contava que, em 1967, iniciou “um paciente, longo e exaustivo esforço” para desvincular o jornal do grupo político oriundo do PSD, processo que “se consolidou” em 1970. Esse processo foi tão marcante para mim que o adotei como objeto de estudo do trabalho de conclusão da pós-graduação que fiz em 2004.
Considero que a reorganização da empresa e a adoção de uma linha editorial independente e distanciada de partidos políticos, ao lado da visão empreendedora que, posteriormente, deu ao jornal a companhia de uma emissora de TV – consolidando a formação da maior rede de comunicação do Estado –, são as maiores contribuições de Cariê à modernização da imprensa e à profissionalização do jornalismo capixabas.
Infelizmente Cariê já não está mais entre nós. Mas o seu legado permanece, para nos estimular e confortar nesses tempos difíceis e muito tristes – e de tantas perdas – que estamos vivendo.

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Enem 2026: 7 dicas essenciais para conquistar nota mil na redação
Penha Lins comprando produtos para torcer pelo Brasil na Copa do Mundo Fifa
Quanto custa torcer pelo Brasil na Copa? Preço de itens varia até 166% no ES
Mulher em tratamento de leucemia
Como identificar a leucemia? Entenda os principais sinais de alerta

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados