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Preservação de nascentes tem beneficiado o café capixaba

Programa criado por empesa do ES já beneficiou 42 famílias. Outras 18 intervenções estão previstas até o final deste ano

Publicado em 08/10/2020 às 09h50
Atualizado em 08/10/2020 às 09h52
Cafeicultores da região do Caparaó, que abrange Minas Gerais e o Espírito Santo, vêm promovendo uma série de ações para recuperar e preservar nascentes localizadas em suas propriedade. Iniciativa, que faz parte de programa de Educação Ambiental da Samarco, está ajudando a melhorar qualidade do café.
Iniciativa que promove recuperação e preservação de nascentes localizadas em propriedades na Região do Caparaó está ajudando a melhorar qualidade do café. Crédito: André Berlinck/Samarco/Divulgação

Cafeicultores da Região do Caparaó, que abrange o Espírito Santo e Minas Gerais, estão promovendo uma série de intervenções para recuperar as nascentes localizadas em suas propriedades. A iniciativa traz impactos que vão além da preservação ambiental e tem ajudado a elevar a renda dos produtores por meio de melhorias na qualidade do café.

O trabalho de preservação consiste, principalmente, em limpar e cercar a área das nascentes para evitar que animais causem danos e sujem a água, controlar a erosão e realizar o plantio de espécies nativas. Além disso, muitas vezes é feita a abertura de olhos d’água, que impulsionam a vazão das águas.

Foi o que ocorreu na propriedade do produtor de café José Sebastião de Faria, em Dores do Rio Preto, onde a construção da área de isolamento da nascente garantiu mais água para abastecer o “Recanto do Cerro”, como é conhecido o local de agroturismo, que recebe visitantes e realiza eventos voltados para agroecologia e manejo orgânico.

“Temos aqui uma importante nascente de cabeceira que forma um curso d'água para o córrego Caparaozinho. Fui capacitado para fazer o isolamento da área e agora contribuo para reduzir a degradação ao meio ambiente”, frisou. 

Faria destacou que, além de ajudar na preservação ambiental, a iniciativa contribuiu para que passasse a produzir cafés especiais, que têm maior valor agregado.

A ação faz parte do Programa de Educação Ambiental da Samarco, junto aos produtores rurais da faixa de servidão dos minerodutos, em parceria com a Caparaó Jr., empresa formada por alunos do Curso Superior de Tecnologia em Cafeicultura do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), em Alegre. 

Conforme explicou o orientador da Caparaó Jr. e professor do Ifes (Campus Alegre), João Batista Pavesi, o programa tem como foco a aplicação de boas práticas no uso e conservação do solo e da água.

Além dos benefícios ao ecossistema, as famílias passam a ter acesso a água mais limpa e em maior quantidade, o que não apenas aumenta a qualidade de vida, como possibilita ganhos financeiros.

João Batista Pavesi

Orientador da Caparaó Jr. e professor do IFES (Campus de Alegre)

"Com água mais limpa, agregamos valor à produção, dando suporte para produção de cafés especiais, que são vendidos por um preço melhor e ajudam a incrementar a renda das famílias"

Os grãos, depois de colhidos, podem ser processados de duas formas: por via seca, ou via úmida. A via úmida utiliza a água para fazer a separação do café maduro, do chamado café boia.

Como o próprio nome já diz, o café boia é aquele que fica na superfície da água. Isso ocorre por má formação dos frutos, grãos atacados por pragas, dentre outros motivos.

Programa de Educação Ambiental da Samarco, em parceria com a empresa Caparaó Jr., promove preservação de nascentes na região do Caparaó
Iniciativa promove preservação de nascentes na região do Caparaó. Crédito: Divulgação/Samarco

“As máquinas usam água para fazer essa separação, mas a água tem que ter qualidade, pois interfere no processo. Quanto menor a quantidade de sujidades, melhor a qualidade do grão”, destacou Pavesi.

Produtor de café, feijão, milho e amendoim na propriedade Nossa Senhora de Fátima, em Espera Feliz (MG), Juesélito do Amaral comemorou os resultados. “A nossa atividade principal é a produção de café, mas até a nossa água foi eleita uma das melhores da região. Isso é fruto do trabalho em conjunto."

Relações Institucionais da Samarco, Denise Peixoto destacou que o programa não apenas promove a assistência técnica às lavouras, como incentiva que os produtores rurais se atentem à sustentabilidade ambiental, social e econômica das propriedades, por meio de capacitações.

“Eles estão sendo capacitados, de modo que percebam o valor do que produzem e possam comercializar por preços mais justos."

Denise Peixoto

Relações Institucionais da Samarco

"Há não apenas um incremento de renda, como melhoria da qualidade de vida, inclusive para produtores de outras regiões, com quem são compartilhados ensinamentos"

Até o momento, foram promovidas intervenções em cerca de 12 nascentes, sendo a maioria em Dores do Rio Preto. Propriedades na região de Alegre, Guaçuí, Jerônimo Monteiro e Muniz Freire também têm sido contempladas. Outras 18 intervenções estão previstas até o final deste ano. 

De modo geral, são contemplados produtores de regiões próximas ao Parque Nacional do Caparaó, tendo prioridade aqueles mais abertos a lidar com novas tecnologias.

As ações desenvolvidas em cada propriedade dependem das demandas de cada agricultor. A previsão é de que o programa seja ampliado em 2021.

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