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A história do café arábica do ES eleito o melhor do Brasil

A produção de um jovem capixaba foi a única que recebeu a nota acima de 90 pontos no principal concurso de qualidade de café no mundo

Cachoeiro
Publicado em 25/11/2020 às 12h00
A produção de um jovem capixaba foi a única que recebeu a nota acima de 90 pontos no principal concurso de qualidade de café no mundo.
A história do café arábica do ES eleito o melhor do Brasil. Crédito: Bruna Hemerly

“Néctar do deuses”, assim que o produtor Luiz Ricardo Pimenta, de 20 anos, morador de Venda Nova do Imigrante, na região Serrana do Espírito Santo, está se referindo ao seu café que foi eleito o melhor do Brasil pelo Cup of Excellence – Brazil 2020. Ele ficou em primeiro lugar entre os 30 cafés especiais do país e agora será leiloado a preços bem acima do mercado.

Considerado pelos especialistas como um produto único que traz uma complexidade na xícara, o campeão é um café arábica, tipo catucaí e foi produzido com muito trabalho e dedicação de família Pimenta. “O segredo é trabalhar com amor, tratar as plantas como elas merecem e fazer com a maior dedicação possível”, disse o produtor.

Atualmente, com a família toda trabalhando na produção de um café premiado, é fácil pensar que sempre foi assim, mas Luiz Ricardo lembra que seu pai não sonhou isso para os filhos. “Quando a gente (irmãos) começou, a gente não teve tanto apoio da família, porque eles sabiam que era algo difícil de ser feito, porém, eu e meu irmão estudamos fora da propriedade para trazer conhecimento e a gente foi se apaixonando. Isso fez a gente permanecer na propriedade e almejar ter os melhores cafés. Hoje a gente brinca que temos um néctar dos deuses.”

A produção de um jovem capixaba foi a única que recebeu a nota acima de 90 pontos no principal concurso de qualidade de café no mundo.
A história do café arábica do ES eleito o melhor do Brasil. Crédito: Bruna Hemerly

O pai, José Luiz Pimenta, explica que teve uma resistência quanto a escolha dos filhos porque imaginava que outra profissão seria melhor para eles. “No início, quando eles quiseram optar pela agricultura, eu queria muito que meus filhos estudassem para serem um veterinário, médico ou advogado, e eles optaram por ser produtor rural. Mas, hoje a gente vê o resultado chegando e é muita satisfação para gente. É muito gratificante para o pai vê o filho ser campeão brasileiro.”

A ideia de participar do concurso surgiu depois que uma edição da disputa foi realizada em Venda Nova do imigrante, em 2017. De lá para cá, os irmãos trabalharam na melhoria da qualidade para conseguir um lote que pudesse competir nacionalmente. “A gente sempre almejou ter os melhores cafés, mas a gente sabe a dificuldade. Foi uma surpresa muito grande conseguir esse lote dentro da nossa propriedade. Foi uma felicidade muito grande”, disse Luiz Ricardo.

De toda uma safra na propriedade da família Pimenta, apenas seis sacas atingiram o padrão de qualidade para ser o campeão. O irmão, Luiz Henrique Pimenta, que é degustador profissional de café, disse como foi a experiência ao experimentar o café e que para conseguir a alta qualidade, foi preciso aliar tecnologia e parceria. “A gente tem um café que foi feito de mão em mão, não foi só a gente como produtor, tem empresa privada e o Ifes nesse processo. Esse café tem muito gosto de melado de cana e frescor que lembra ao melão. Ele surpreendeu e foi o único café que atendeu 90 pontos e a gente vê que foi um trabalho em conjunto que deu certo.”

Um dos degustadores que fez parte do time que selecionou o café para o concurso é o Décio Brioschi Júnior. Ele fala sobre o que achou. “É um café diferente. Muito raro encontrar um café desse padrão de qualidade. A partir do momento que foi processado a gente identificou que era um café diferenciado, até pelo cheiro. Nós fizemos o processamento, prova, degustação e a gente já foi selecionando os melhores lotes. Foi inexplicável receber o resultado, que serve de incentivo para que outros produtores atinjam esse potencial também.”

A produção de um jovem capixaba foi a única que recebeu a nota acima de 90 pontos no principal concurso de qualidade de café no mundo.
A história do café arábica do ES eleito o melhor do Brasil. Crédito: Bruna Hemerly

Quem também está comemorando o título de melhor café do Brasil é o professor e pesquisador do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), Lucas Louzada, que já lecionou para os irmãos. “Pra nós que somos professores, a gente cumpre o nosso papel que a sociedade espera da gente, que é entregar profissionais com conhecimento e acima de tudo com espírito empreendedor para gerar riqueza, renda e oportunidade para outras pessoas. O trabalho destes meninos pós-formação é gratificante para gente.”

PROCESSOS PARA UM CAFÉ DE QUALIDADE

Lucas Louzada, explicou que o solo e a forma de cultivo são grandes influenciadores no resultado final de um café de qualidade. No caso da propriedade da família Pimenta, os frutos especiais foram plantados bem próximo a área de mata, tornando o solo mais fértil e mais rico. “Essa transição do sistema pleno sol para o sistema misto, agroflorestal, com presença da mata atlântica é muito importante para a questão de qualidade e de riqueza do solo.”

A produção de um jovem capixaba foi a única que recebeu a nota acima de 90 pontos no principal concurso de qualidade de café no mundo.
A história do café arábica do ES eleito o melhor do Brasil. Crédito: Bruna Hemerly

Louzada ressalta ainda que na região, outros produtores podem ter um café nesta qualidade. O desafio é reeducar o produtor para adequar a sua propriedade. “Se o produtor sombreia a plantação e faz um manejo um pouco mais voltado para a parte ecológica, ele acaba reduzindo um pouco mais a produtividade, mas ele ganha muito em qualidade, e se ele ganha em qualidade, a renda dele aumenta e o trabalho dele diminui, então, ele precisa na verdade é reprogramar a forma de pensar o plantio e o manejo.”

Depois da colheita, a próxima etapa é o processamento do fruto e o professor e pesquisador do Ifes, Aldemar Polonini, explicou que ela pode comprometer diretamente na qualidade do produto. “Esta é a segunda etapa e talvez a mais importante no processo porque é a partir do momento que o homem coloca as mãos no frutos que ele começa a inserir defeitos na fruta, então, uma unidade de processamento requer muita higiene e cuidados para que o fruto não perca sua qualidade natural vinda do ambiente de produção.”

A produção de um jovem capixaba foi a única que recebeu a nota acima de 90 pontos no principal concurso de qualidade de café no mundo.
A história do café arábica do ES eleito o melhor do Brasil. Crédito: Bruna Hemerly

O CONCURSO

O concurso é o principal de qualidade para o produto no mundo e é realizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Alliance for Coffee Excellence (ACE). Esta etapa integra as ações do projeto setorial "Brazil. The Coffee Nation", desenvolvido em parceria por BSCA e Apex-Brasil com foco na promoção comercial do produto brasileiro no mercado externo.

O objetivo é reforçar a imagem dos grãos nacionais em todo o mundo e posicionar o país como fornecedor de alta qualidade, com utilização de tecnologia de ponta decorrente de pesquisas realizadas. O projeto visa, ainda, a expor os processos exclusivos de certificação e rastreabilidade adotados na produção nacional de cafés especiais, evidenciando sua responsabilidade socioambiental e incorporando vantagem competitiva aos produtos brasileiros.

LEILÃO DOS VENCEDORES

Os 30 vencedores do Cup of Excellence – Brazil 2020 participarão de um disputado leilão internacional, via internet, no dia 10 de dezembro. Os preços alcançados nesses pregões vão bem além do mercado convencional, como o exemplo do campeão da competição em 2018, que obteve o maior valor pago por uma saca (60 kg) de café no país: R$ 73 mil.

Já os cafés que receberam nota entre 86 pontos até o 30º ganhador foram considerados “Vencedores Nacionais” do concurso e estarão à disposição para aquisição em uma plataforma de venda on-line, entre os dias 8 e 30 de dezembro.

A história do café arábica do ES eleito o melhor do Brasil

A produção de um jovem capixaba foi a única que recebeu a nota acima de 90 pontos no principal concurso de qualidade de café no mundo.
A história do café arábica do ES eleito o melhor do Brasil. Bruna Hemerly
A produção de um jovem capixaba foi a única que recebeu a nota acima de 90 pontos no principal concurso de qualidade de café no mundo.
A história do café arábica do ES eleito o melhor do Brasil. Bruna Hemerly
A produção de um jovem capixaba foi a única que recebeu a nota acima de 90 pontos no principal concurso de qualidade de café no mundo.
A história do café arábica do ES eleito o melhor do Brasil. Bruna Hemerly
A produção de um jovem capixaba foi a única que recebeu a nota acima de 90 pontos no principal concurso de qualidade de café no mundo.
A história do café arábica do ES eleito o melhor do Brasil. Bruna Hemerly
A produção de um jovem capixaba foi a única que recebeu a nota acima de 90 pontos no principal concurso de qualidade de café no mundo.
A história do café arábica do ES eleito o melhor do Brasil. Bruna Hemerly
A produção de um jovem capixaba foi a única que recebeu a nota acima de 90 pontos no principal concurso de qualidade de café no mundo.
A história do café arábica do ES eleito o melhor do Brasil. Bruna Hemerly
A produção de um jovem capixaba foi a única que recebeu a nota acima de 90 pontos no principal concurso de qualidade de café no mundo.
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A história do café arábica do ES eleito o melhor do Brasil. Bruna Hemerly
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