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Saúde

Epidemia do coronavírus causa impactos socioespaciais e econômicos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a atual crise provocada pelo coronavírus como uma “emergência de saúde pública de interesse internacional”

Publicado em 05 de Fevereiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

05 fev 2020 às 04:00
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

Passageiros com máscaras protetoras em estação de trem de alta velocidade em Hong Kong Crédito: Kin Cheung/AP
Nesse início de ano, o mundo vem acompanhando os desdobramentos da epidemia do novo coronavírus. Os estudos da epidemiologia, geografia da saúde e demografia delimitam que uma epidemia se caracteriza pelo aumento descontrolado, brusco e transitório do número de casos de uma doença que acomete um significativo número de pessoas de uma determinada região, podendo se espalhar ampliando sua distribuição espacial.
Os estudos dessas e outras áreas do conhecimento são imprescindíveis para o monitoramento e estabelecimento de protocolos que possibilitem controlar a expansão de epidemias. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a atual crise provocada pelo coronavírus como uma “emergência de saúde pública de interesse internacional”.
Com essa decisão, a OMS passa a implementar, juntamente com governos nacionais, um conjunto mais rigoroso de ações coordenadas para controlar a expansão da doença. Essa denominação de situação de emergência havia sido utilizada no caso da gripe H1N1 em 2009, por exemplo.
A partir de dados da OMS, pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, desenvolveram um portal utilizando tecnologias de Sistemas de Informações Geográficas (SIGs) que possibilita acompanhar em tempo real as notificações de casos de pessoas acometidas pelo coronavírus.
O epicentro da crise é a cidade chinesa de Wuhan, que possui cerca de 11 milhões de habitantes e 8,5 mil quilômetros quadrados de área territorial. Essa característica demográfica favoreceu a doença se alastrar rapidamente. Ademais, aquela cidade possui um dos aeroportos internacionais mais movimentados da China. Esse é um fator que concorreu para que a epidemia transbordasse as fronteiras chinesas em um curto espaço de tempo.
Segundo o mencionado portal, até o dia 4 de fevereiro, aproximadamente 21 mil pessoas haviam sido infectadas pelo coronavírus. Infelizmente, o número de vítimas fatais superou as 420 mortes. Mais de 20 países confirmaram casos de pacientes infectados. Para além do sofrimento das pessoas que receberam tal diagnóstico, esses dados corroboram a gravidade dessa epidemia.
Até então, não havia sido confirmados casos do coronavírus no Brasil. O Ministério da Saúde investiga 14 pacientes com suspeita de infecção, distribuídos nos estados do Rio de Janeiro (1 pessoa), Rio Grande do Sul (4 indivíduos), Santa Catarina (2 pacientes) e São Paulo (7 pessoas).
Além dos impactos diretos na saúde pública, a epidemia do coronavírus está gerando reflexos socioespaciais e econômicos. Wuhan e muitas outras cidades chinesas estão com comércios fechados. Os supermercados estão enfrentando problemas de abastecimento de mercadorias. Estrangeiros que vivem naquela região estão passando por uma série de dificuldades para retornarem aos países de origem.
Mais de 35 companhias aéreas suspenderam voos para a China. As bolsas de valores da China permaneceram fechadas por dez dias desde o surto do coronavírus. No início dessa semana, quando foi reaberta, a bolsa de Xangai registrou queda histórica de 8%, o que representou um prejuízo de aproximadamente US$ 400 bilhões. O ambiente de instabilidade e incerteza na China está impactando o mercado financeiro e a economia internacional.
O mundo está acompanhando atentamente a atuação de instituições internacionais e autoridades nacionais a cada atualização dos dados sobre a epidemia do novo coronavírus. As ferramentas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e a cobertura da imprensa têm sido imprescindíveis para difundir o real contexto das adversidades e para conscientizar a população sobre os níveis de risco e a adoção de protocolos de controle de expansão da doença.

Pablo Lira

Pos-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve as quartas

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