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Opinião da Gazeta

Segundo semestre pode ser de alívio para a pandemia, não para os cuidados

É justamente o comportamento de cada um que, ao lado do avanço da vacinação, vai garantir que o otimismo do anúncio do secretário de Saúde para os próximos meses se concretize

Publicado em 30 de Junho de 2021 às 02:00

Públicado em 

30 jun 2021 às 02:00

Colunista

Sesa
Nésio Fernandes e Luiz Carlos Reblin, prestes a dar mais uma entrevista coletiva sobre o novo coronavírus no Espírito Santo Crédito: Divulgação | Secretaria de Saúde do Espírito Santo
As perspectivas apresentadas pelo secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, para o comportamento da pandemia no Espírito Santo no segundo semestre abraçam um otimismo inédito desde o início da crise sanitária, no ano passado. Em entrevista coletiva na segunda-feira (28), o secretário fez alguns prognósticos importantes, como a indicação de agosto e setembro como possíveis meses de transição para a retomada das atividades econômicas e sociais, envolvendo também os serviços de saúde e educação.
Não se trata de bola de cristal: essas antecipações de cenário são resultado de estudos e da análise de uma série de indicadores, importantes para as decisões na gestão da crise e a formulação de políticas públicas.
Mas cabe tributar a confiança que permitiu ao secretário anunciar previsões, como a retomada da obrigatoriedade no ensino presencial na segunda metade de 2021, ao atual ritmo da vacinação no Espírito Santo. Na última sexta-feira (25), o governador Renato Casagrande anunciou que o Estado já havia aplicado a primeira dose da vacina (D1) em 48% da população adulta, colocando os capixabas no primeiro lugar no ranking nacional entre os parcialmente imunizados. Já o ciclo completo atingiu 16,6% do público-alvo, a quinta posição no país. Com a antecipação da segunda dose da Astrazeneca, já em curso, esse percentual tende a crescer em pouco tempo.
É o avanço da cobertura vacinal que faz uma população se aproximar da imunidade coletiva, o que Nésio acredita que deva ocorrer nos próximos meses, em todo o país. "Acreditamos que o segundo semestre possa ser de grande êxito de controle da pandemia em território brasileiro. Nós devemos, sim, alcançar a imunidade segura por vacinas em toda a população adulta do nosso país", afirmou.
Baseando-se no cronograma de remessas de vacinas pelo Ministério da Saúde, Nésio vê a chance de, no mês de setembro, a imunização ter alcançado toda a população capixaba com mais de 18 anos com, pelo menos, uma dose da vacina. "Temos expectativa de que, no mês de julho, sejam encaminhadas mais de 1 milhão de doses", antecipou o secretário.
Para atingir essa meta, a participação da população é essencial: não é o momento de escolher o laboratório da vacina. Um cidadão, com faixa etária apta a receber o imunizante, precisa se vacinar com a que estiver disponível, justamente para acelerar a cobertura vacinal e interromper a transmissão da Covid-19.
Mas o secretário não ignorou os riscos de uma quarta onda no Estado, sobretudo se houver disseminação de variantes que tenham escape vacinal ou de contaminação anterior. É nesse sentido que o otimismo de viver dias melhores depende de um choque de realidade: as vacinas aplicadas atualmente dentro do Plano Nacional de Imunização (PNI) são seguras e eficazes, reduzem substancialmente os riscos de hospitalização e morte, mas não impedem o contágio em 100% dos casos. Portanto, o comportamento de uma pessoa vacinada ainda precisa se guiar pelo distanciamento social e pelo uso de máscaras.
O otimismo dos prognósticos, até o fim deste ano, pode se transformar em realidade com a vacinação ampla da população e a manutenção dos cuidados pessoais. As boas notícias do secretário são um combustível para a esperança de retorno à normalidade, dentro dos novos padrões, mas todos devem se manter realistas: a pandemia não acabou. Os próximos meses são promissores, mas governo, prefeituras e a própria população devem se manter atentos.  É importante a contribuição de cada um para reduzir  a circulação desse vírus que já causou tanto sofrimento.

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