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Opinião da Gazeta

Que cidadãos estamos formando quando até ir à escola é um calvário?

Não bastasse a falta de oportunidades, que deteriora a noção de que a dedicação aos estudos pode ser um diferencial para uma vida mais digna, não faltam também tragédias cotidianas, como a morte da menina Núbia

Publicado em 13 de Março de 2020 às 06:00

Públicado em 

13 mar 2020 às 06:00

Colunista

Moradores fazem novo protesto na ES 010 após morte de criança atropelada na Serra Crédito: Isabella Arruda
Não basta ir à escola, é fundamental compreender o que a sala de aula significa não só para a pavimentação de um futuro profissional, mas para a própria formação humana, com todas as suas nuances. Uma sociedade bem-educada é uma sociedade plena de seus direitos e de seu próprio potencial. É uma sociedade mais articulada, sem ceder à violência. Mas como os obstáculos parecem cada vez mais intransponíveis, uma aproximação consistente com esses ideais está cada vez mais difícil.
Afinal, como é possível reforçar o valor da educação quando ela se torna um calvário? Não bastasse a falta de oportunidades, que deteriora a noção de que a dedicação aos estudos pode ser um diferencial para uma vida mais digna, não faltam também tragédias cotidianas. A morte, nesta semana, da menina Núbia, de 12 anos, atropelada por um caminhão de lixo, na Serra, foi a mais recente. Moradora do conturbado condomínio Ourimar, ela voltava da escola de bicicleta com a irmã, que foi hospitalizada, mas passa bem, em uma rua movimentada de Vila Nova de Colares.
O trajeto entre o Ourimar e as escolas mais próximas é longo, mais de 3 quilômetros. Uma distância que já garantiria o direito ao transporte escolar da prefeitura, mas não é o que ocorre. Para piorar, a própria falta de estrutura de uma das vias, a rua Alfredo Galeno, coloca crianças e adultos em risco por uma falha de urbanismo absurda: não há calçadas.
Com uma rotina extenuante dessas, como estabelecer os vínculos necessários entre a escola e o aluno? Afora todos os problemas educacionais do país, com déficit crônico de qualidade do ensino, esses desafios extraclasse se impõem como barreiras que não podem ser desprezadas quando se avalia a tragédia da educação brasileira.
São obstáculos que impedem o fortalecimento dos próprios valores pessoais. Quando uma mãe revela que orienta seus filhos a pular a roleta do ônibus para irem à escola quando falta dinheiro, a falha é de toda a sociedade. São as carências estruturais que endurecem as pessoas, borrando o que é certo e o que é errado. E vale a indagação: como formar ciadãos diante de percepções tão equivocadas da vida em coletividade?
Um salto qualitativo educacional, que incorpore à sociedade uma argamassa de valores, depende de transformações estruturais que, só para começar, garantam mais  segurança a essas crianças no trajeto escolar diário.

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