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Opinião da Gazeta

Mortes por afogamento no ES: decisão pessoal pode salvar vidas

É óbvio que cabe ao poder público sinalizar locais mais arriscados e disponibilizar guarda-vidas nas praias, mas os próprios banhistas devem aguçar o senso de auto-preservação e evitar locais onde a segurança não é garantida

Publicado em 10 de Janeiro de 2024 às 01:00

Públicado em 

10 jan 2024 às 01:00

Colunista

Afogado
Homem morre afogado na Praia da Costa, em Vila Velha Crédito: Paulo Ricardo Sobral
Os anos de 2022 e 2023 viram crescer o número de mortes por afogamento no Espírito Santo. E não é só quando se compara com os anos de pandemia (2020 e 2021), período no qual a necessidade de isolamento fez cair a circulação de pessoas em praias, lagoas, cachoeiras e piscinas e, consequentemente, as estatísticas dessas ocorrências.
Afinal, em 2019, ano pré-pandêmico, houve o registro de 122 mortes por afogamento no Estado. De volta à normalidade em 2022 e 2023, os números chegaram a 165 e 168, respectivamente. Um crescimento expressivo, em circunstãncias que, aparentemente, não foram atípicas como nos anos de 2020 (116 mortes) e 2021 (122 mortes).
É na temporada de verão que as ocorrências ganham mais relevo, quando há um fluxo maior de pessoas de férias nos balneários. Mas no ano passado, uma praia de Guarapari registrou quatro mortes no período de 13 dias, entre julho e agosto. 
É óbvio que cabe ao poder público sinalizar locais mais arriscados e disponibilizar guarda-vidas nas praias, os municípios de Vitória, Vila Velha, Serra e Guarapari reforçaram a presença desses profissionais nesta temporada. Na Capital, inclusive, há abordagens com orientações aos banhistas dentro da água, o que ajuda  a muni-los de conhecimento para a própria segurança.
Mas é fato que não há guarda-vidas em cada canto do litoral capixaba, muito menos em todas as cachoeiras, lagoas e piscinas.  Locais não sinalizados e praias desertas devem ser evitados por quem não tem experiência com natação. Por isso, cabe aos próprios banhistas aguçar o senso de auto-preservação, já que a segurança não é garantida.
O consumo de álcool também pode ser um fator de risco. As maior parte das vítimas em 2023 foram homens abaixo de 29 anos, que haviam ingerido bebida alcoólica.
Os dados estaduais mostram que, em 2023, a maioria das mortes (59) foram em lagos, lagoas e represas. O Corpo de Bombeiros alerta que o maior risco está justamente nesses locais que, por serem águas aparentemente mais calmas que as do mar, as pessoas tendem a se arriscar mais, expondo-se aos riscos silenciosos. No mesmo ano, 28 mortes foram no mar.
A segurança dos banhistas é o que vai garantir que o verão seja repleto de boas memórias.

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