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Opinião da Gazeta

Jogos on-line e lavagem de dinheiro: investigação vem em momento oportuno

É importante que empresas e quem mais possa estar se beneficiando de mercado cada vez mais lucrativo sejam investigados

Publicado em 05 de Setembro de 2024 às 01:00

Públicado em 

05 set 2024 às 01:00

Colunista

Aposta on-line, bets, jogos de azar
Jogos on-line Crédito: Shutterstock
Foi no fim de julho que a portaria do  Ministério da Fazenda regulamentou os jogos de aposta on-line, entre eles o jogo do tigrinho e outros caça-níqueis virtuais, estabelecendo critérios voltados principalmente à clareza dos sistemas de apostas. E, em agosto, encerrou-se o prazo de compra de outorgas para a operação no mercado de apostas on-line brasileiro, com a expectativa de arrecadação a partir de 2025 de até R$ 2 bilhões com as licenças.
Eis que, neste início de setembro,  a Polícia Civil de Pernambuco coloca na rua a operação Integration para investigar uma organização criminosa que atua em jogos ilegais e lavagem de dinheiro. Ganhou destaque a prisão da advogada e influenciadora Deolane Bezerra. Uma operação que cumpriu 19 mandados de prisão e 24 de busca de apreensão domiciliares e sequestro de bens não só em Recife, mas também em  Campina Grande (PB), Barueri (SP), Cascavel (PR), Curitiba (PR) e Goiânia (GO).
Há questões econômicas e de saúde pública latentes, mas diante da inevitável legalização dessas práticas no país, a regulamentação precisa promover uma limpeza, é o mínimo que se espera, para que somente empresas ilibadas permaneçam nesse mercado por si só controverso. A relação entre jogos e lavagem de dinheiro é antiga e analógica, o jogo do bicho está aí há mais de meio século para provar isso. 
O momento é, portanto, oportuno e crucial para que se investigue empresas e quem mais possa estar se beneficiando de mercado que é cada vez mais lucrativo. Em maio, aqui no Espírito Santo, um casal de influenciadores de Minas Gerais foi detido em um condomínio na Serra e autuado pelos crimes de promoção de jogos de azar e crime contra a economia popular. 
E, para além de possíveis práticas criminosas, se faz necessário um debate robusto sobre como essa nova mania digital, do Tigrinho às bets esportivas, pode prejudicar a vida das pessoas, caso saia de controle. 

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