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Mercado Financeiro

Em dia de baixa liquidez, dólar vai a R$ 5,5371 com incertezas local e global

Após tocar a mínima intraday próxima das 12h, em queda de 0,37%, a divisa inverteu o movimento acompanhando tendência externa e renovou sucessivas máximas ante o real

Publicado em 11 de Outubro de 2021 às 18:36

Agência Estado

Publicado em 

11 out 2021 às 18:36
Pelo acordo, os dólares comprados pela consumidora deveriam ser entregues na véspera da viagem
No fim do dia, a divisa a moeda fechou cotada a R$ 5,5371, em alta de 0,38%. Crédito: Agência Brasil
Com o baixo volume de negociações, em razão do feriado nacional nesta terça (12), e do Columbus Day nos Estados Unidos nesta segunda (11), o dólar teve um dia instável.
Após tocar a mínima intraday próxima das 12h, em queda de 0,37%, a divisa inverteu o movimento acompanhando tendência externa e renovou sucessivas máximas ante o real no meio da tarde. Segundo operadores ouvidos pelo Broadcast, o cenário de incertezas globais, sobretudo em relação à persistência da inflação, e locais, com muitos ruídos sobre a sanidade fiscal do país, que pesaram durante a semana passada, se intensificaram hoje com a baixa liquidez dos negócios. No fim do dia, a divisa fechou cotada a R$ 5,5371, em alta de 0,38%.
"Seguimos observando uma combinação de fatores da conjuntura local e global que via de regra são pouco positivos para emergentes em geral, e ainda mais para o Brasil", afirma Felipe Sichel, estrategista da Modalmais, completando: "Se intensificaram os fatores de pressão dos últimos dias junto ao cenário de baixa liquidez de hoje."
Na máxima do dia, alcançada pouco antes das 15h, o dólar atingiu os R$ 5,5396, em alta de 0,43%. Na mínima, tocou os R$ 5,4956, um reco de 0,37%.
O movimento de fortalecimento do dólar ante o real segue o observado no exterior. A moeda subia ante emergentes, como o peso mexicano, a lira turca e o rand sul africano. Frente a uma cesta de moedas fortes, medidas pelo índice DXY, o dólar tinha alta de 0,30% às 17h.
Sichel cita sinais dos bancos centrais europeus sobre uma possível persistência da inflação, sobretudo em razão do aumento nos preços das commodities energéticas. Mais cedo, o economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, disse que o avanço nos preços de energia tem efeito de contração econômica "de vários modos". Apesar disso, afirmou crer que um choque no preço de energia pode ter efeitos diversos sobre os preços: "Pode ao mesmo tempo elevar o índice cheio de inflação, mas exercer pressão de baixa na trajetória da inflação subjacente".
Lane afirmou ainda que a alta nos preços de energia deve ser transitória, o que vai de encontro ao que disse o economista-chefe do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), Huw Pill, no fim da semana passada, para quem a duração do recente salto inflacionário está se provando maior do que o esperado.
No cenário local, são as pressões políticas para que o governo aumente os gastos e inclua novas despesas no Orçamento que ameaçam a segurança dos investidores. Além disso, relatos de pressão sobre o ministro da Economia, Paulo Guedes, alimentam ainda mais a insegurança do mercado. Apesar de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter arquivado o pedido de investigação contra o ministro em relação a companhia offshore no exterior, há uma percepção de que a imagem de Guedes pode ter se desgastado e a aprovação de novas medidas econômicas no Congresso deve ser difícil. O próximo passo no radar em relação ao ministro é a sessão plenária da Câmara que o convocou a prestar esclarecimentos, ainda sem data marcada.

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